Publicado em 1 de julho de 2026 por Tribuna da Internet

Documentos revelam repasse para diretor-geral
Eduardo Barretto
Estadão
A Câmara omitiu um pagamento de R$ 31,4 mil em diárias para o diretor-geral da Casa, Guilherme Barbosa Brandão, viajar no mês de junho ao Fórum de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”. Documentos mostram que o repasse foi feito em 19 de maio, um dia antes de a Câmara afirmar que não haveria despesas e que a viagem tinha sido cancelada por conflito de agendas. Brandão só devolveu a verba ao órgão em 25 de maio.
Procurada, a Câmara não respondeu por que não havia informado o pagamento ao diretor-geral da Casa ao ser questionada pela Coluna. Limitou-se a dizer que o ressarcimento já foi feito, em uma nota confusa. “O cancelamento de missão oficial enseja o encerramento do respectivo processo administrativo, seja com o não pagamento dos valores devidos ou com a sua restituição, caso já efetuado”, afirmou.
AFASTAMENTO – Um documento interno da Casa, assinado em 15 de maio pela diretora-geral adjunta da Câmara, Amanda Maria Ramalho de Carvalho, detalhava as despesas para a viagem de Brandão e afirmava que ele já havia tido o afastamento avalizado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, entre 28 de maio e 4 de junho. De acordo com a versão da Câmara, esse documento tratava-se apenas de um processo “antecipado” para “viabilizar a pesquisa e a eventual reserva de passagens”.
O órgão alegou que o pagamento e a devolução do dinheiro aconteceram em 20 de maio, o que também contradiz os documentos da Casa que detalham a despesa e indicam os dias 19 e 25. Em 19 de maio, a Câmara foi questionada sobre um processo interno que autorizava a viagem do diretor-geral ao “Gilmarpalooza”, evento em Lisboa organizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e que promete “conexões estratégicas” ao reunir políticos, magistrados, empresários e lobistas.
Nesse mesmo dia, a Casa pagou R$ 31,4 mil a Brandão, conforme documento do setor administrativo. No dia seguinte, a Câmara alegou que a viagem havia sido cancelada e que não haveria qualquer custo para o órgão, sem mencionar o pagamento da véspera. Em 25 de maio, o setor administrativo da Câmara registrou que o diretor-geral devolveu a verba ao Tesouro Nacional, em uma operação chamada de “anulação de despesa” .