quinta-feira, julho 02, 2026

ARTIGO 3 A pesquisa como instrumento de reparação histórica

 

                                          Foto Divulgação


O trabalho do professor Coriolano Oliveira Filho fortalece o reconhecimento de Lauro de Freitas e do Recôncavo Norte nas celebrações da Independência da Bahia.

A história não se preserva sozinha. Ela depende da dedicação de homens e mulheres que escolhem transformar documentos, relatos e memórias em conhecimento acessível à sociedade.

Em Lauro de Freitas, essa missão vem sendo desempenhada, há anos, pelo professor, historiador e produtor cultural Coriolano Oliveira Filho.

Seu trabalho de pesquisa sobre a Independência da Bahia, especialmente sobre a participação da antiga Santo Amaro de Ipitanga, tem contribuído significativamente para ampliar o reconhecimento da importância de Lauro de Freitas e dos municípios do Recôncavo Norte nesse processo histórico.

Ao lado de pesquisadores como Diego Copque e de diversos historiadores da região, Coriolano participou da construção de um movimento que resultou na inclusão oficial do Recôncavo Norte no percurso do Fogo Simbólico do 2 de Julho, conquista consolidada a partir de 2023.

Mas sua atuação vai além desse reconhecimento institucional.

Há anos, Coriolano dedica-se ao estudo da vida e da obra de José Álvares do Amaral, importante memorialista baiano, além de pesquisar personagens como João Ladisláu de Figueiredo e Mello e a participação dos engenhos da região nas batalhas pela Independência.

Sua atuação também se estende à Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas (ALALF), ao Rotary Club de Lauro de Freitas e ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), instituições nas quais desenvolve ações voltadas para a preservação do patrimônio material e imaterial do município.

Em diversas oportunidades, o professor tem chamado atenção para uma realidade preocupante: muitos moradores desconhecem a importância histórica da própria cidade.

Por isso, defende que o incentivo às pesquisas, à educação patrimonial e à democratização do conhecimento seja prioridade.

Como ele próprio afirma:

"O conhecimento é a arma do povo. É preciso conhecer para pertencer, para fazer parte e para proteger."

Essa talvez seja a maior contribuição de seu trabalho: transformar a pesquisa histórica em instrumento de pertencimento, cidadania e valorização da memória coletiva.

O reconhecimento conquistado pelo Recôncavo Norte nas comemorações do 2 de Julho demonstra que a história continua viva quando existem pessoas dispostas a pesquisá-la, preservá-la e compartilhá-la.

Mais do que recuperar fatos do passado, Coriolano Oliveira Filho ajuda a construir um futuro em que Lauro de Freitas ocupe, definitivamente, o lugar que lhe cabe na história da Independência da Bahia.


Pauta encaminhada pelo Jornalista Fábio Costa Pinto


Nota da redação deste Blog:


Conhecer para Pertencer: O Resgate da Memória como Ferramenta de Cidadania


Por:  José Montalvão


Quando o jornalista e amigo Fábio Costa Pinto me confiou a missão de publicar uma série de três artigos sobre a verdadeira história de Lauro de Freitas, aceitei o desafio sabendo que remexer no passado de um município é, acima de tudo, um ato de responsabilidade pública. Curiosamente, ao mergulhar na realidade de Lauro de Freitas, é impossível não traçar uma analogia — guardadas as devidas proporções — com o que aconteceu e ainda vem acontecendo em nossa Jeremoabo.

O ponto central dessa discussão não é a burocracia das datas, mas o apagamento da memória coletiva. Em Lauro de Freitas, o professor Coriolano Oliveira Filho — figura de destaque na Academia de Letras e Artes do município (ALALF), no Rotary Club e no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) — tem travado uma batalha heróica contra o desconhecimento. Ele alerta para uma realidade incômoda: muitos moradores andam pelas ruas da cidade sem fazer a menor ideia da importância histórica do chão que pisam.

O professor Coriolano sintetiza essa luta em uma frase que deveria estar na entrada de cada escola:

"O conhecimento é a arma do povo. É preciso conhecer para pertencer, para fazer parte e para proteger."

É exatamente aqui que a história de Lauro de Freitas cruza o caminho da nossa Jeremoabo. O papel da pesquisa histórica e da educação patrimonial não é o de vaidade acadêmica, mas o de transformar o passado em um instrumento vivo de cidadania e valorização da memória. O recente reconhecimento do Recôncavo Norte nas celebrações do 2 de Julho mostra que a história da Independência da Bahia ainda pulsa, desde que haja quem se disponha a pesquisá-la e compartilhá-la.

O Papel do Jornalismo: Debater sem Manipular

Como jornalista e através deste blog, faço questão de deixar claro o meu papel e a minha postura ética. Este espaço é uma coluna de opinião — um texto assinado que expressa um ponto de vista individual e pessoal. Não nos cabe aqui o papel de tribunais, nem o desejo de impor um pensamento único.

Quero deixar registrado, com a franqueza que me é peculiar: não há qualquer intenção de criar fatos novos para mudar a data da emancipação política de Jeremoabo. Como diz o ditado popular, "quem pariu Mateus que o balance". A história oficial e as datas políticas estão postas. Quem tentou mudar o mundo à força acabou crucificado, e o jornalismo sério não se presta a esse tipo de messianismo.

Nossa verdadeira intenção — alinhada ao pensamento que o colega Fábio Costa Pinto e o professor Coriolano defendem — é fomentar o debate saudável, checar as informações com rigor e garantir a transparência. O objetivo não é manipular ou doutrinar a população, mas sim oferecer o conhecimento como ferramenta.

Uma sociedade que não conhece de onde veio aceita qualquer narrativa que lhe imponham no presente. Resgatar a história de Lauro de Freitas, assim como zelar pela de Jeremoabo, é dar ao povo o direito de ocupar, definitivamente, o lugar que lhe cabe na construção do futuro.

 Fica o convite à reflexão: o quanto você conhece da história da sua própria cidade para defendê-la?

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).