
Charge do Kayser (Arquivo Google)
Carlos Newton
Já assinalamos aqui na Tribuna da Internet que foi um milagre O Globo ter denunciado o escândalo do Banco Master e as gravíssimas fraudes de seu controlador Daniel Vorcaro. No jornalão carioca foram reveladas as perigosas e íntimas ligações do banqueiro com importantes nomes da política nacional, que vão de Flávio Bolsonaro a Davi Alcolumbre, passando por Jaques Wagner, Ciro Nogueira, Rui Costa e outros mais, até chegar no próprio presidente Lula da Silva e aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Tudo começou em O Globo, pois o autor da primeira denúncia foi o jornalista Lauro Jardim, que abriu caminho a uma impressionante investigação pela equipe de Malu Gaspar, devassando as ligações do banqueiro Vorcaro com as cúpulas dos Três Poderes.
SEM QUERER… – Foi uma extraordinária vitória da imprensa livre. Porém, está muito enganado quem pensa que os irmãos Marinho (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto) ficaram orgulhosos com o trabalho de seus jornalistas.
Muito pelo contrário, os herdeiros de Roberto Marinho estão furiosos. Ele não admitem que seus veículos de informação abordem nenhum assunto que desagrade as elites dos Três Poderes, porque eles próprios têm telhado de vidro, especialmente no que se refere a fraudes e manobras tributárias, que levaram a Organização Globo a trocar de CNPJ sucessivas vezes nos últimos anos.
No início, o caso Master foi uma festa. Os jornalistas da Organização Globo até pensaram (?) que poderiam a ser livres e exercer jornalismo investigativo, mas não é bem assim, porque os irmãos Marinho reagiram negativamente e determinaram que a partir de agora seus chefetes boicotem ao máximo o trabalho dos principais repórteres e colunistas.
ESCONDIDOS – Assim, quem estava acostumado a acessar o portal de O Globo e facilmente localizar no item “Política” as colunas de Malu Gaspar, Lauro Jardim, Bela Megale, Bernardo Mello Franco, Merval Pereira, Vera Magalhães, Elio Gaspari e outros colunistas de primeiro time, agora não encontra nenhum deles.
Sem a menor explicação, deixaram de ter o merecido destaque e foram atirados na vala comum do item “Colunistas”, misturados com outros 107 nomes, a maioria sem a menor importância jornalística ou pessoal.
No item “Política”, que antes destaca os melhores jornalistas do setor, o leitor agora depara com Thiago Prado, Felipe Recondo, Thomas Traumann, Renato Meirelles e Mauricio Moura. Entre esses ilustres desconhecidos, apenas Thiago Prado é funcionário do jornal, contratado como um serviçal editor de Política. Os demais são estranhos no ninho.
O QUE ESPERAR? – Na verdade, trabalhar sob o signo da liberdade ainda é apenas um sonho que os jornalistas acalentam. Afinal, o que esperar da Organização Globo?
Bem, como se sabe, Roberto Marinho teve quatro filhos. Nenhum deles chegou a ser jornalista. Um deles, Paulo Roberto Marinho, morreu aos 19 anos, num acidente na rodovia Rio-Cabo Frio. Os demais também nunca trabalharam como jornalistas. O único que se arriscou foi João Roberto, que tentou ser diagramador, porque não sabia redigir reportagens, ninguém lhe dava importância na Redação. O fato é que nenhum deles jamais foi jornalista e apenas tinham cargos honoríficos na Organização.
Sem jamais haver trabalhado de verdade, os três remanescentes se tornaram bilionários com a herança do pai, porém não honraram a memória dele. Pelo contrário, fizeram questão de trai-lo. Em 2013, para agradar a ex-guerrilheira e então presidenta Dilma Rousseff e a corte lulista, publicaram um texto que ficou tristemente famoso: “Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”. Portanto, o que se pode esperar desse tipo de gente, que renega o próprio pai?
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P.S. –Daqui da nossa trincheira na Tribuna, que foi ocupada por Carlos Lacerda, por Helio Fernandes e agora por mim, envio nossa solidariedade aos jornalistas que O Globo boicota e tenta esconder. Peço que eles lembrem o que escreveu o jornalista, tradutor e poeta Mário Quintana: “Eles passarão, e eu passarinho”. (C.N.)