NOTA DA REDAÇÃO
Espaço de Opinião e Compromisso Histórico
O texto a seguir reflete a linha editorial deste veículo de comunicação e expressa nossa firme convicção acerca da preservação da identidade cultural e histórica de Jeremoabo. Entendemos que o papel da imprensa livre vai além de relatar o cotidiano: cabe a ela também defender o patrimônio imaterial de sua gente contra as conveniências do poder político transitório.
Ao chancelar as reflexões trazidas neste editorial, reafirmamos nosso compromisso com a verdade factual, com o respeito às tradições centenárias e com o amadurecimento institucional do nosso município. A história não é um rascunho a ser apagado pelo governante de turno; é o alicerce sobre o qual se constrói o futuro de todos os jeremoabenses.
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EDITORIAL
A História Não se Rasga: Tista de Deda Defende a Memória de Jeremoabo
A história de um povo não pertence aos governantes de ocasião, aos interesses políticos do momento nem às vaidades de quem imagina que pode reescrever os fatos conforme suas conveniências. A história pertence ao povo. E, por isso, merece respeito.
Foi exatamente essa demonstração de equilíbrio, firmeza e responsabilidade institucional que o prefeito Tista de Deda deu ao publicar o convite oficial para que a população participe da solenidade cívica de hasteamento das bandeiras, na próxima segunda-feira, 6 de julho, às 9 horas, em frente à Prefeitura Municipal, em comemoração aos 101 anos da emancipação política de Jeremoabo.
Enquanto alguns insistem em criar uma falsa controvérsia sobre uma data que há mais de um século faz parte da memória coletiva dos jeremoabenses, o prefeito preferiu agir como verdadeiro estadista: sem paixões, sem revanchismo e sem afrontar a história.
Sua atitude foi clara. Não se curvou às pressões de quem pretende apagar uma tradição consolidada por sucessivas administrações municipais. Preferiu honrar todos aqueles que ajudaram a construir Jeremoabo, independentemente de partido político ou ideologia, incluindo seu próprio pai, José Lourenço de Carvalho, cuja contribuição integra a história administrativa do município.
Governar é, antes de tudo, preservar o patrimônio material e imaterial de uma cidade. Entre esses patrimônios está sua memória histórica.
É preciso dizer com todas as letras: a história não pode ser modificada por uma canetada.
Quem acredita que basta editar um decreto, aprovar uma lei ou fazer discursos para alterar fatos históricos demonstra desconhecimento da própria formação dos municípios brasileiros.
A lógica jurídica e histórica é muito mais ampla.
Fundação, criação do município, emancipação política, instalação administrativa e aniversário oficial nem sempre coincidem. São institutos distintos.
A própria discussão registrada na Wikipédia sobre esse tema explica que a fundação corresponde ao início da ocupação humana; a emancipação decorre da criação legal do município; e a instalação marca o início da administração própria. Existem cidades brasileiras em que essas datas são completamente diferentes e, ainda assim, preservam como aniversário oficial aquela que melhor representa sua identidade histórica.
Portanto, querer reduzir essa discussão a um simples argumento cronológico revela desconhecimento ou, pior ainda, a tentativa deliberada de confundir a população.
Jeremoabo não começou ontem.
Sua história foi construída por gerações de homens e mulheres que legaram tradições, documentos, símbolos e datas que atravessaram décadas e sobreviveram a governos de todas as tendências políticas.
Esses marcos históricos não pertencem a um grupo. Pertencem ao povo.
É justamente por isso que causa preocupação a insistência de alguns setores em tentar substituir uma tradição centenária por interpretações que ignoram a memória coletiva construída ao longo de mais de cem anos.
A história deve ser estudada, pesquisada e debatida com seriedade. O que não pode acontecer é transformá-la em instrumento de disputa política.
Quem procura apagar datas históricas hoje poderá amanhã querer apagar personagens, monumentos, documentos e até a identidade de um povo.
Não se constrói o futuro destruindo o passado.
O prefeito Tista de Deda compreendeu essa responsabilidade.
Ao manter a celebração do dia 6 de julho, acompanhando a tradição observada por seus antecessores, demonstrou maturidade política, respeito institucional e compromisso com a história de Jeremoabo.
Sua postura revela que administrar não significa romper com tudo o que existiu antes, mas reconhecer que cada geração deixa sua contribuição para a construção do município.
Os que pretendem alterar essa tradição têm todo o direito de defender suas teses. O debate histórico é legítimo. Mas nenhuma tese pode se sobrepor, por mera vontade política, à memória consolidada de um povo sem amplo embasamento histórico, documental e legal.
Jeremoabo merece governantes que construam escolas, fortaleçam a saúde, invistam em infraestrutura e preservem sua identidade.
Também merece respeito à sua história.
Porque uma cidade que esquece seu passado perde suas referências.
E um povo sem memória torna-se presa fácil daqueles que acreditam que a verdade pode ser moldada conforme os interesses do momento.
A História de Jeremoabo não está à venda.
Não está sujeita às conveniências políticas.
E, acima de tudo, não pode ser jogada na lata do lixo por aqueles que confundem poder passageiro com autoridade para reescrever os fatos.
A história permanece.
Os governos passam.
Mas a memória de um povo sobreviverá a todos eles.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).
