
Desde o início, Ancelotti escala sempre um time superdefensivo
Carlos Newton
Com 3 a 0 no jogo da classificação, Neymar e Endrick em campo no final, a galera foi à loucura e renovou as esperanças. É claro que existe possibilidade de ganharmos a Copa, porque hoje o futebol é muito parelho e retrancado. As seleções favoritas também não estão com essa bola toda e podem ser vencidas
O primeiro tempo de todos os jogos é quase sempre chatíssimo, com poucas jogadas de perigo. Enquanto há fôlego, os atletas se exaurem em campo, correndo de um lado para o outro, em marcações de ferrolhos praticamente impenetráveis.
DEPOIS, MELHORA – No segundo tempo, o cansaço bate, a correria diminui e o jogo melhora bastante. Surgem mais contra-ataques, lançamentos e jogadas individuais ou de tabelinhas. Lembra até o futebol de antigamente, bem mais artístico e criativo.
O que deve ser analisado hoje é se o Brasil melhorou, o que parece difícil de perceber, porque a Escócia não existe no futebol. Produz o melhor destilado do mundo, realmente incomparável, não há Jack Daniels que chegue perto, mas a seleção escocesa é muito fraca.
O jogo desta quarta-feira nem pode ser considerado teste para o time brasileiro, e o adversário somente serviu para treinar um time que ainda não se encontrou em campo.
ESCÓCIA INOPERANTE – O primeiro tempo foi patético. Alisson, o extravagante goleiro do Brasil, poderia ter tirado um cochilo deitado na rede, porque não faria diferença.
No primeiro tempo, os escoceses não conseguiram acertar nenhum chute a gol, embora quase tivessem empatado o jogo, quando estava 1 a 0 e eles conseguiram uma série de escanteios seguidos, todos eles batidos da mesma maneira e com muito perigo. É a única jogada ensaiada deles.
No segundo tempo, quase fizeram gol em escanteio, mas Alisson salvou, numa de suas raríssimas intervenções, porque a Escócia não ameaçou e o placar a nosso favor poderia sem bem mais dilatado.
É PRECISO MUDAR – Ainda não se pode confiar na escalação preferida por Ancelotti, que está inseguro e retranqueiro. Vini Junior (ele, sempre ele) fez a diferença, mas o time só jogou bem melhor no final do segundo tempo, quando fez vários ataques perigosos e chegou ao 3 a 0.
Rayan jogou bem, mas Luiz Henrique é bem melhor do que ele na ponta direita. Casemiro ainda não deu o ar de sua graça nesta Copa, deveria ser substituído por Martinelli, um craque em ótima fase.
Os dois laterais (Douglas Santos e Danilo) são muito fracos e não sabem apoiar o ataque. Seria melhor improvisar, como Zagallo fez em 1970, ao colocar o meia Piazza como zagueiro e Rivelino na ponta-esquerda. Assim, Ancelotti poderia escalar Leo Pereira na lateral esquerda e Éderson na lateral direita. Com isso, fortaleceria o ataque, sem enfraquecer a defesa.
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P.S.- Vamos torcer, vamos vibrar. Se um retranqueiro nacional como Luiz Felipe Scolari trouxe o penta, porque o retranqueiro italiano Carlo Ancelotti não poderá nos trazer o hexacampeonato. Afinal, o futebol é uma caixinha de surpresas. (C.N.)