quinta-feira, junho 25, 2026

Partido reage contra Michelle e já discute sua saída da direção do PL Mulher

Publicado em 25 de junho de 2026 por Tribuna da Internet

Michelle diz que foi “humilhada” pelo enteado

Bela Megale
O Globo

O vídeo no qual Michelle Bolsonaro expõe desavenças com o PL e com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro foi recebido como uma bomba na legenda.

Uma ala significativa, que inclui lideranças da sigla, passou a defender que Michelle seja retirada da presidência do PL Mulher. “O papel dela seria o de agregar, mas está fazendo o oposto. Não vejo condições de seguir no comando do PL Mulher”, disse à coluna um mandachuva do partido.

NO COLO DE LULA – Outra liderança afirma que a ex-primeira-dama “jogou a eleição no colo do Lula” com o vídeo publicado na noite de quarta-feira (24). Além de dificultar a entrada de Flávio Bolsonaro no eleitorado feminino, ao afirmar que foi “humilhada” e “maltratada” pelo enteado, Michelle tirou o foco da saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo.

“Ao invés de estarmos batendo bumbo no envolvimento de um quadro do governo no escândalo do Master, estamos resolvendo uma crise dentro de casa”, afirmou um dirigente do PL. A avaliação feita pela ala do partido que quer a saída de Michelle do comando do PL Mulher é que a ex-primeira-dama mostra imaturidade política para ocupar um cargo dessa magnitude. Esse grupo defende que até a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal seja reavaliada.

O presidente do PL, no entanto, está tentando colocar panos quentes. Publicamente, Valdemar Costa Neto tem buscado minimizar os efeitos das críticas de Michelle e afirmado que a questão será resolvida.

ACERTO – Há semanas, Valdemar e outros integrantes do partido entraram em campo para tentar convencer Michelle a desistir de emplacar a vereadora Priscila Costa como candidata ao Senado pelo PL. Ao consolidar a aliança com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, o PL acertou que uma vaga na chapa seria indicada pelos tucanos e a outra seria do pai do deputado federal André Fernandes, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE).

O argumento levado à ex-primeira-dama foi de que ela já havia vencido a queda de braço para formar as chapas em Santa Catarina e no Distrito Federal, onde contrariou os interesses da direção do PL e emplacou Carol de Toni (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF).

Até a publicação dos vídeos de Michelle, a cúpula do PL acreditava que a ex-primeira-dama aceitaria, mesmo com resistência, a imposição. Michelle Bolsonaro mostrou que não é uma presidente figurativa do PL Mulher e que a sigla precisará dançar conforme a música que ela tocar.