sexta-feira, junho 19, 2026

Negócios a partir da Bahia podem ampliar investigação sobre Master em outros estados

 

Negócios a partir da Bahia podem ampliar investigação sobre Master em outros estados

Por Alexa Salomão/Folhapress

19/06/2026 às 06:52

Foto: Vaner Casaes/Arquivo/Ag ALBA

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Augusto Lima

As buscas e apreensões autorizadas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça na 9ª fase da Operação Compliance Zero têm potencial para ampliar as investigações sobre conexões políticas do Banco Master para além da Bahia, o principal foco nesta quinta-feira (18).

As equipes da Polícia Federal puderam recolher documentos na Terra Firme da Bahia Ltda e na PKL One Participações. Ambas fazem parte dos empreendimentos ligados ao empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master.

PKL é a empresa dona do Credcesta, produto que oferece um pacote de benefícios para servidores públicos, inclusive serviços financeiros como crédito com desconto em folha de pagamento. Pelo último balanço do Master, referente ao ano de 2024, o Credcesta chegou a entrar em 24 estados e 176 municípios.

Apesar de, até agora, as investigações terem sido concentradas na atuação de Vorcaro, executivos do mercado financeiro que acompanhavam o Master contaram à Folha, sob a condição de anonimato, que o grupo Terra Firme de Lima também era atuante em estabelecer pontes entre público e privado.

No Master, Lima controlava o Credcesta pessoalmente, acompanhando de perto a expansão do cartão e os contatos com governos de estados e prefeituras.

O ministro Mendonça permitiu a coleta de documentos na Terra Firme tomando como base que uma secretária dessa empresa enviou fotografias de presentes de elevado valor que eram destinados a Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado.

Para a busca e apreensão na PKL, por outro lado, o magistrado considerou que de lá saiu a transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, empresa criada em 2021 e que tem entre os sócios Bonnie Toaldo Bonilha, esposa do enteado de Wagner.

Informações sobre Terra Firme e PKL têm pipocado ao longo das apurações do caso Master.

No início das investigações, a PF chegou a Augusto Lima por causa da Terra Firme. Os investigadores apuraram que as associações de servidores da Bahia, que teriam dado origem às carteiras falsas de crédito consignado repassadas pelo Master ao BRB (Banco de Brasília), haviam informado à Receita Federal o telefone dessa empresa e o e-mail "contabilidade@grupoterrafirme.com.br".

Recentemente, ranking laborado pela Folha mostrou que a Terra Firme da Bahia Ltda foi a segunda empresa que mais recebeu dinheiro do Master em transações classificadas pelo banco como serviços prestados entre 2022 e 2025. Foram R$ 186 milhões.

O décimo lugar nesse mesmo ranking foi ocupado por entidade da mesma organização de Lima, a ONG Terra Firme, com repasse de quase R$ 74 milhões. Essa ONG é presidida pela atual esposa do banqueiro, Flávia Lima, mais conhecida como Flávia Arruda, que foi deputada federal e ministra do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Também foi alvo da operação uma pessoa que faz o elo entre essas duas empresas, a executiva Andréa Lima Novaes, prima de Augusto Lima. A Folha mostrou que ela atua na PKL como representante formal do Credcesta desde a criação do negócio, em 2018, e também tem destaque como representante da Terra Firme.

Em nota, os advogados de Augusto Lima, Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello, afirmaram que o empresário está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração e que as diligências realizadas pela PF nesta quinta foram "desnecessárias".

"As medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos", diz o texto. "Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública."

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