quinta-feira, junho 18, 2026

Líderes do PT dizem que não é possível 'passar pano' para Jaques Wagner e defendem investigação

  

Líderes do PT dizem que não é possível 'passar pano' para Jaques Wagner e defendem investigação

Por Mônica Bergamo, Folhapress

18/06/2026 às 15:26

Foto: Divulgação/Arquivo

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O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner

Líderes do PT ouvidos pela coluna afirmam que não é possível "passar pano" para o senador Jaques Wagner (PT-BA) e defendem que ele seja investigado, doa a quem doer. Pregam ainda que o parlamentar deixe a liderança do governo no Senado.

Wagner é um dos alvos de operação deflagrada nesta quinta (18) pela PF (Polícia Federal) para apurar o suposto envolvimento dele com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Os agentes encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados a ele.

"O escândalo do Banco Master não é do governo Lula, é do governo de Jair Bolsonaro. Agora, se alguém de nós entrou no esquema, teve algum benefício, tem que ser investigado", afirma à coluna o deputado federal Rogério Correia, vice-líder do governo na Câmara dos Deputados.

Em sua página no X, o parlamentar ainda escreveu: "O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim!". Com as revelações sobre Jaques Wagner, segue ele, "não seria diferente".

"A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas", segue.

O deputado federal Lindbergh Farias adota a mesma linha. "Se alguém errou, tem que pagar pelos seus erros. Se Jaques Wagner errou, que se defenda. A determinação do presidente Lula é a de que a investigação vá até o fim. Veja a diferença da PF do governo Lula e a do governo do Bolsonaro. No nosso governo, não há seletividade", afirmou em áudio enviado à coluna.

"Eu vi as declarações de Flávio Bolsonaro [sobre Jaques Wagner]. Ele é que tem que se explicar. É candidato à Presidência da República. Onde foram parar os R$ 61 milhões [que o filho de Bolsonaro pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para fazer um filme sobre o próprio pai]. Se pensam que vamos para a defensiva política, não, não vamos", seguiu.

Outro deputado federal do partido fez críticas ao presidente do PT, Edinho Silva, que saiu em defesa de Wagner assim que a operação foi deflagrada. "Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência", disse ele.

Para o parlamentar, não é possível "passar pano" para Wagner, ainda mais depois das evidências de que ele recebeu benefícios pessoais de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

A atitude de Edinho Silva, na visão do mesmo deputado, tira do PT as condições de seguir na "ofensiva política" contra o pré-candidato Flávio Bolsonaro, que pediu dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o próprio pai.

Um terceiro aliado de Lula disse que o governo não pode perder o discurso de que a PF faz o seu trabalho hoje de forma independente, e que todos serão investigados —até mesmo pessoas ligadas ao presidente da República.

Politica Livre


Nota da Redação Deste Blog - 


A DA REDAÇÃO DESTE BLOG

EDITORIAL: Da Coerência Ética ao Oportunismo dos "Sujos" – Que se Quebre Quem For Podre!



Por José Montalvão



O cenário político baiano e nacional foi sacudido por posicionamentos contundentes dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. Lideranças petistas, ouvidas pela imprensa nacional, defenderam que eventuais denúncias envolvendo o senador e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, sejam apuradas com rigor, sem blindagens e sem privilégios partidários.

Essa postura merece reconhecimento. Na vida pública e na administração dos recursos do povo, quem praticou ilegalidades, desvios ou atos de improbidade deve responder perante a Justiça e arcar com as consequências de seus atos. A régua da moralidade administrativa precisa ser aplicada de forma igual para todos, independentemente de partido, posição política ou influência.

O que causa indignação, porém, é assistir a figuras conhecidas da velha política, algumas delas marcadas por denúncias e acusações ao longo de suas trajetórias, tentando se apresentar como guardiãs da moralidade pública. Trata-se da velha prática do "sujo falando do mal lavado".

A Hipocrisia Como Ferramenta Política

A sociedade exige coerência. Quando agentes públicos que carregam um histórico controverso correm para as redes sociais e para os palanques a fim de apontar erros alheios, enquanto eles próprios respondem ou responderam a graves questionamentos, o resultado inevitável é a descrença popular.

Em muitos casos, não se trata de episódios isolados, mas de grupos políticos que construíram sua influência durante décadas e que hoje tentam reescrever a própria história para assumir o papel de julgadores dos demais. O problema não está na crítica — que é legítima e necessária —, mas na falta de coerência de quem a faz.

Quem possui pendências com a Justiça ou um passado marcado por suspeitas de má gestão deveria agir com mais prudência antes de vestir a fantasia da virtude e distribuir lições de moral.

Corrupção: Um Obstáculo ao Desenvolvimento

O combate à corrupção não pode ser seletivo nem servir como instrumento de conveniência eleitoral. A corrupção é um dos maiores entraves ao desenvolvimento de qualquer sociedade.

Como já ressaltou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa:

"A corrupção não é apenas um problema ético; ela é um entrave direto ao progresso de uma nação."

Cada recurso público desviado representa menos investimentos em saúde, educação, infraestrutura e assistência social. Significa menos medicamentos nos postos de saúde, menos escolas equipadas, menos estradas recuperadas e menos oportunidades para quem mais precisa.

Por isso, o combate à corrupção deve ser permanente e atingir todos os envolvidos, independentemente de sobrenome, grupo político ou posição de poder.

O Brasil Mudou

O Brasil de hoje já não é o mesmo de décadas atrás. A informação circula com rapidez, os mecanismos de fiscalização evoluíram e a sociedade está mais atenta às ações de seus representantes.

O cidadão aprendeu a identificar a demagogia, o oportunismo e o discurso seletivo daqueles que só defendem investigações quando elas atingem os adversários. A transparência e o fortalecimento das instituições têm reduzido os espaços para práticas que durante muito tempo pareciam intocáveis.

Nesse contexto, merece registro o fato de que, em diversos episódios recentes, as investigações têm seguido seu curso sem interferências indevidas, reforçando a importância da autonomia das instituições responsáveis pela fiscalização e pela aplicação da lei.

Conclusão

Meu entendimento é simples e objetivo: que a Justiça investigue todas as denúncias que surgirem, contra quem quer que seja. Se houver culpa comprovada, que haja punição. Se houver inocência, que ela seja reconhecida.

O que não se pode admitir é a existência de dois pesos e duas medidas: uma Justiça para os adversários e outra para os aliados.

Que sejam investigados os poderosos de hoje e os poderosos de ontem. Que respondam os que cometeram irregularidades nos governos estaduais, federais ou municipais. Que a lei alcance os coronéis modernos, os oportunistas de ocasião e todos aqueles que utilizaram o poder público em benefício próprio.

A democracia se fortalece quando a lei vale para todos. E a verdadeira moralidade pública começa justamente aí: na coragem de defender investigações e punições sem escolher alvos, sem paixões partidárias e sem hipocrisia.

Quem tiver contas a acertar com a Justiça, que apresente sua defesa e respeite o devido processo legal. Afinal, em um Estado Democrático de Direito, ninguém está acima da lei.

Blog de Dede Montalvão: Defendendo a moralidade sem filtros, combatendo os falsos moralistas e exigindo o rigor da lei para todos, doa a quem doer!

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025