sexta-feira, junho 12, 2026

.EDITORIAL: O Pronunciamento de Day Santos, o Pulo de Jairo do Sertão e a Eterna Ilusão das Alianças Políticas


EDITORIAL: O Pronunciamento de Day Santos, o Pulo de Jairo do Sertão e a Eterna Ilusão das Alianças Políticas


Por José  Montalvão

A política nos bastidores de nossa região ganhou novos e barulhentos capítulos nesta semana. Em um vídeo que circula intensamente nas redes sociais, a vereadora Day Santos fez um pronunciamento contundente, recheado de indiretas direcionadas ao ex-vereador Jairo do Sertão, ao mesmo tempo em que reafirmou publicamente, com todas as letras, o seu apoio irredutível ao deputado estadual Laerte do Vando.

Diante da repercussão das imagens, muitos leitores procuraram este espaço cobrando a minha opinião e a minha análise sobre esse racha público. No entanto, sinto decepcionar os que buscam lenha para a fogueira, pois, infelizmente, quase nada tenho a comentar ou julgar sobre o mérito dessa briga de bastidor.

Cada Político com Seus Motivos; Cabe ao Eleitor Cobrar

O fato nu e cru é o seguinte: o ex-vereador Jairo do Sertão passou a totalidade do seu mandato legislativo tecendo os mais rasgados elogios ao trabalho e à figura do deputado Laerte do Vando. Se agora, em uma reviravolta de posicionamento, ele resolveu "pular" o muro para apoiar Carlinhos Sobral, ele certamente deve ter as suas razões, conveniências e motivos. E esses motivos não cabem a este editor perguntar ou investigar; trata-se de uma decisão estritamente pessoal e política do ex-parlamentar.

Quem realmente possui a legitimidade, o direito e o dever moral de interpelar, perguntar ou opinar sobre essa mudança radical de rumo são os seus próprios eleitores. Aqueles cidadãos que, no pleito anterior, foram às urnas e digitaram o voto confiando na palavra e no pedido de Jairo em favor de Laerte, esses sim têm o direito de se sentirem órfãos ou de cobrarem explicações sobre o novo direcionamento.

A "Arte da Traição" versus a Construção do Jogo

A dinâmica política varia drasticamente dependendo do sistema, da cultura institucional e dos próprios atores envolvidos no tabuleiro. Enquanto uma ala de analistas foca quase que exclusivamente na chamada "arte da traição" e nas manobras de bastidores para a sobrevivência de mandatos, outra vertente prefere enfatizar a importância das negociações, da construção de consensos e da busca por emendas que garantam políticas públicas essenciais para a sociedade.

A verdade incômoda, que a história teima em nos repetir, é que a traição e o fisiologismo — o famoso "toma lá, dá cá" — sempre foram e, infelizmente, continuam sendo partes integrantes do jogo político tradicional. O erro da opinião pública é assistir a essas mudanças de lado com surpresa, como se estivéssemos diante de uma novidade ética.

Conclusão: A Mudança Só Vem de Fora para Dentro

Não adianta alimentarmos a ilusão de que a classe política mudará o seu comportamento por livre e espontânea vontade se a própria sociedade não mudar a sua postura de cobrança. Enquanto o eleitorado continuar tratando as alianças partidárias como torcidas organizadas ou aceitando o pragmatismo das conveniências sem punir a incoerência nas urnas, o cenário permanecerá o mesmo.

A vereadora Day Santos marcou sua posição e fincou sua bandeira ao lado de Laerte do Vando; Jairo do Sertão seguiu o caminho que achou melhor para si. O Blog segue acompanhando os fatos de forma jornalística, lembrando sempre que, no teatro da política, as cortinas mudam de cor, os atores trocam de figurino, mas o roteiro do pragmatismo continua rigorosamente o mesmo.

Blog de Dede Montalvão: Analisando os fatos com independência, combatendo as ilusões e defendendo a soberania do voto do cidadão.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025