sexta-feira, junho 19, 2026

EDITORIAL: A Balança Seletiva de André Mendonça – O Rigor Contra Jaques Wagner e a inércia Sobre os Milhões de Flávio Bolsonaro

 


EDITORIAL: A Balança Seletiva de André Mendonça – O Rigor Contra Jaques Wagner e a Blindagem Sobre os Milhões de Flávio Bolsonaro


Por José Montalvão


A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, jogou luz sobre o que há de mais sofisticado e, ao mesmo tempo, de mais degradante na simetria do poder em Brasília. Investigar fraudes bilionárias, o uso espúrio do parlamento para favorecer interesses de banqueiros e o trânsito de vantagens indevidas é o papel constitucional indiscutível das instituições de controle. O que não se justifica de forma alguma, e clama por uma crítica severa da sociedade, é a gritante disparidade com que o ministro-relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, maneja a balança da Justiça. Onde há o rigor implacável da caneta para uns, há um silêncio sepulcral e uma pasmante inércia para outros.

O escândalo em torno do Banco Master e de seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, redesenhou o mapa das relações promíscuas entre o sistema financeiro e o Congresso Nacional. Diante do colapso de uma estrutura acusada de fraudar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), as investigações começaram a puxar os fios de uma extensa rede de influência política. No entanto, o desenho final dessa malha de suspeitos sob a tutela de André Mendonça revela uma seletividade que afronta a lógica do interesse público e evoca os piores fantasmas de blindagem partidária e ideológica.

O Abismo Entre a Canetada Contra o PT e o Silêncio Sobre o PL

O mesmo rigor de Mendonça que justificou a autorização para a investida contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) parece desaparecer quando o alvo muda de espectro político. Líder do governo no Senado, Wagner viu seus endereços em Salvador e Brasília serem vasculhados por agentes federais que apuram se o parlamentar baiano atuou no Congresso para inflar o teto de cobertura do FGC, supostamente operando por meio do banqueiro Augusto Lima, o “Guga”, envolvendo um suposto imóvel de R$ 2,5 milhões. Trata-se de uma suspeita grave que exige, por óbvio, apuração rigorosa. Da mesma forma, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi exposto em suas relações.

O que causa profunda estranheza e perplexidade no eleitor brasileiro não é o avanço sobre Wagner ou Ciro; é o tamanho do abismo que separa essas ações do tratamento dispensado ao filho do ex-presidente da República, o também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Enquanto o líder do governo é alvo de buscas por uma suposta interlocução em solo nacional, Flávio Bolsonaro permanece intocado, em uma zona de aparente imunidade processual infinitamente mais grave. O filho do ex-presidente é citado em transações que envolvem montantes muito maiores — cifras que chegam a impressionantes R$ 61 milhões —, além de áudios explícitos que desafiam qualquer princípio de equidade e lógica jurídica. Como explicar que, diante de provas tão robustas, a caneta do ministro-relator perca a tinta?

O Teatro dos Extremos e a Necessidade de Isenção

O que a maioria dos brasileiros quer saber do Ministro André Mendonça é simples: qual é o critério técnico para o ritmo de suas decisões? A engrenagem judicial não pode funcionar como um apêndice de preferências políticas ou de gratidões ministeriais do passado. No fundo, assistimos a um teatro onde os extremos políticos usam os escândalos para empurrar a lama para o colo alheio, mas, nos bastidores do Judiciário, a seletividade das investigações acaba operando como um freio de mão para proteger aliados de primeira hora.

A República exige que a lei seja aplicada de forma retilínea e linear. Se há indícios contra Jaques Wagner, que ele responda perante o STF e apresente suas defesas. Mas que o mesmo peso e a mesma medida de busca e apreensão entrem nos endereços de quem movimenta dezenas de milhões em benefício próprio ou familiar. Do contrário, a Justiça perde a sua majestade e passa a ser vista como mera ferramenta de perseguição política.

Conclusão: Que se Quebre Quem For Podre, Sem Seletividade

O meu ponto de vista permanece firme, coerente e sem amarras: que se quebre quem for podre! Seja de direita, de esquerda, do PT ou do PL. O Brasil só encontrará a verdadeira viabilidade socioeconômica e o caminho do desenvolvimento integral quando as suas instituições limparem o estábulo da corrupção por completo, sem poupar sobrenomes ou dinastias políticas.

Aqui no interior da Bahia, o cidadão de Coronel João Sá, de Jeremoabo e de Antas já aprendeu a cobrar transparência e responsabilidade dos seus governantes locais, celebrando o fim do amadorismo administrativo. É hora de Brasília aprender a mesma lição com o povo sertanejo. Ministro André Mendonça, a opinião pública aguarda respostas claras: a lei vale para todos os senadores ou os R$ 61 milhões de Flávio Bolsonaro gozam de um salvo-conduto especial? A balança da Justiça não pode ter lado!

Blog de Dede Montalvão: Denunciando a seletividade do poder, exigindo o mesmo rigor da lei para todos os investigados e defendendo a moralidade pública doa a quem doer!

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025