sexta-feira, junho 19, 2026

Caso Master: Três indícios de ‘acordão’ para replicar o fim da Lava Jato .


Há três indícios de uma tentativa de “acordão” no ar, para livrar a cara dos alvos do escândalo Master:

– A resistência de Daniel Vorcaro em assumir uma real delação premiada,

– O voto do ministro Gilmar Mendes contra a prisão de chefões da quadrilha e

– Os movimentos de integrantes dos três poderes, com participação do Centrão e do bolsonarismo e o reforço da cúpula do PT, após as provas aterradoras contra Jaques Wagner.

O bolsonarismo usa Wagner para empurrar o escândalo para o colo do presidente Lula. Os petistas rebatem lembrando o áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 130 milhões para o filme do pai.

No fundo, porém, nenhum dos dois lados tem interesse em ir fundo nas investigações, até a punição de culpados.

Nessas horas, como ocorre em votações no próprio Congresso, os dois extremos se unem em prol de seus interesses – ou para se safarem todos.

Quem sobra para afastar um “acordão” político e bancar com unhas e dentes que se faça justiça, dentro da Constituição, das leis e das provas?

As minorias no Legislativo, no Executivo e no próprio Supremo, que reforçam a ação da PF e a cobrança da opinião pública, sem deixar margem para as maiorias comemorarem “uma pizza” antes do tempo.

No STF, por exemplo, é a minoria que comanda o processo e dá sinais claros de que não pretende se render à pressão política.

O Ciro Nogueira, que foi Ministro-Chefe da Casa Civil de Bolsonaro, está com a lama até o pescoço no caso Master.

Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 18/06/2026 | 21h08 Por Eliane Cantanhêde



Nota da Redação Deste Blog - 

EDITORIAL: O Escândalo do Banco Master e o Perigo do "Acordão" – Unidade dos Extremos na Lama Não Pode Terminar em Pizza


Por José Montalvão


A análise cirúrgica da renomada jornalista Eliane Cantanhêde, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, traz uma reflexão que mexe com o brio de todo cidadão que ainda teima em acreditar no futuro do Brasil. O nosso país é, sem sombra de dúvidas, a nação emergente com a maior viabilidade socioeconômica do planeta. Se os ocupantes das cúpulas dos três Poderes simplesmente não atrapalharem com seus balcões de negócios, temos tudo para avançar em alta velocidade rumo ao progresso. Sob essa ótica, o escândalo avassalador do Banco Master veio em boa hora: é a oportunidade ideal para fazermos uma limpeza profunda e necessária no estábulo da política nacional.

Contudo, os bastidores de Brasília já começam a exalar o odor fétido de uma tentativa de "acordão" institucional para livrar a cara dos poderosos. Como bem aponta a jornalista, há três indícios claros dessa movimentação nos subterrâneos do poder:

  • A resistência de Daniel Vorcaro em assumir uma real e efetiva delação premiada;

  • O voto do ministro Gilmar Mendes contra a prisão dos chefões da organização;

  • A movimentação coordenada de integrantes dos três Poderes, unindo o Centrão, o bolsonarismo e recebendo o reforço da cúpula do PT após as provas aterradoras que surgiram contra o senador Jaques Wagner.

A União dos Extremos Para Salvar a Própria Pele

O cenário público que se desenha é um verdadeiro teatro de sombras. Para a plateia, o bolsonarismo utiliza a derrocada de Jaques Wagner para tentar empurrar o escândalo diretamente para o colo do presidente Lula. Do outro lado, os petistas rebatem de imediato, trazendo à tona o áudio bombástico em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece pedindo R$ 130 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mas não se engane, amigo leitor: no fundo, essa troca de acusações é apenas cortina de fumaça. Nenhum dos dois lados tem o real interesse de ir a fundo nas investigações até a punição exemplar dos culpados. Nessas horas de desespero, exatamente como ocorre em votações espúrias no Congresso Nacional, os dois extremos ideológicos se unem em prol de um objetivo comum: salvar a própria pele e garantir a impunidade geral. A lama que respinga no PT é a mesma que lambuza a oposição. Prova disso é que figuras como Ciro Nogueira, ex-ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro e cacique do Progressistas (PP), também está com a lama até o pescoço nas investigações do caso Master.

Quem Nos Salvará da Próxima "Pizza"?

Diante dessa poderosa coalizão do cinismo, quem sobra para afastar o espectro de um grande acordo político e bancar, com unhas e dentes, a aplicação da justiça dentro dos limites da Constituição e das leis?

A esperança reside nas minorias corajosas atuantes no Legislativo, no Executivo e no próprio Supremo Tribunal Federal (STF). São essas franjas que dão sustentação ao trabalho técnico e cirúrgico da Polícia Federal e amplificam a cobrança legítima da opinião pública, impedindo que as maiorias corruptas comemorem "uma pizza" antes do tempo. No STF, por exemplo, é justamente a minoria que comanda o processo e que vem dando sinais claros e inequívocos de que não pretende ceder, de forma alguma, à pesada pressão política dos palácios.

Conclusão: Que se Quebre Quem For Podre!

O meu ponto de vista converge exatamente com o sentimento de indignação que corre nas ruas de Jeremoabo e de todo o Brasil: que se quebre quem for podre! Não importa a cor da bandeira partidária. Se é o líder do governo, se é o filho do ex-presidente, se é o ex-ministro do Centrão ou se são prefeitos locais envolvidos em fraudes com dinheiro público — como a vergonhosa farra dos servidores fantasmas paga com o Fundeb. A lei deve ser um teto rígido aplicável a todos.

Aos poderosos que tramam o "acordão" em Brasília, o recado está dado: a imprensa livre e vigilante não aceitará a amordaça e o povo não aceitará o retrocesso. Que a Polícia Federal avance, que as minorias resistam e que os culpados paguem o preço de suas escolhas. O Brasil tem jeito, desde que a justiça não seja negociada em salas fechadas!

Blog de Dede Montalvão: Denunciando as tramas de Brasília, combatendo o teatro dos falsos moralistas e exigindo a limpeza geral no estábulo da política brasileira!

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025