Publicado em 30 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Moro acusou Bolsonaro de proteger a família de investigações
Lara Alves
O Tempo
Em prol das eleições de outubro, o pré-candidato a presidente e senador Flávio Bolsonaro (PL) esqueceu do rompimento entre o pai Jair Bolsonaro (PL) e o senador Sérgio Moro (PL-PR) e firmou aliança com o antigo adversário durante ato em Curitiba nesta sexta-feira .
O encontro confirmou a chapa da direita no Paraná, fruto de articulação entre o Partido Liberal e o Partido Novo. Moro concorrerá ao estado, e o grupo definiu o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e o cassado Deltan Dallagnol (Novo) para as duas cadeiras em disputa no Senado Federal.
PALANQUE – O pacto entre Flávio e Sergio Moro é alimentado pela necessidade de um palanque forte no Paraná, um reduto majoritariamente de direita no país. Ele é principalmente interessante para o PL porque, ainda filiado ao União Brasil no ano passado, Moro sempre liderou as intenções de voto.
Em abril, a Quaest atestou a tendência, e o senador aparecia como líder em todos os cenários na disputa pelo Paraná. A situação é mais favorável ainda no levantamento feito pelo instituto Paraná Pesquisas no início deste mês: pela pesquisa, ele se elegerá em primeiro turno com ampla vitória sobre o deputado estadual Requião Filho (PDT) e o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB).
A principal estratégia do PL para a eleição é manter atrelada a família Bolsonaro às movimentações de Sergio Moro enquanto juiz durante a operação Lava Jato — o que Flávio até estampou em uma camiseta com os dizeres: “Curitiba prendeu, Lula soltou”. A frase é uma referência à prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018 e à soltura dele por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a prisão em segunda instância.
ROMPIMENTO – O encontro encerra, oficialmente, o rompimento que afastou Moro do grupo Bolsonaro. O corte de laços aconteceu durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL) quando o então senador era ministro da Justiça. Ele pediu demissão e saiu do superministério com uma série de ataques a Bolsonaro em abril de 2020. A principal era a acusação de que o então presidente teria tentado interferir na Polícia Federal (PF) para proteger a família e aliados de investigações.
Dois anos depois, em uma série de publicações nas redes sociais, ele disse que Bolsonaro era mentiroso e cometia estelionato eleitoral. A retomada de laços começou meses à frente quando, em outubro, o então presidente concorria à reeleição e pediu o auxílio de Moro para enfrentar o candidato Lula no primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial.
ENCONTRO COM TRUMP – O evento em Curitiba começou com o telão exibindo a foto de Flávio Bolsonaro na visita ao presidente norte-americano Donald Trump na última terça-feira (26/5). A intenção da equipe de campanha era usar o encontro para minimizar o impacto da revelação do elo entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro. O resultado do encontro no Salão Oval foi melhor que o esperado com a decisão dos Estados Unidos de classificar Comando Vermelho e PCC como terroristas.
No Paraná, os aliados abordaram a ação de Trump como bandeira eleitoral de Flávio. “Esse homem fez mais pela segurança pública do Brasil em dois dias do que Lula fez em quatro anos”, afirmou Dallagnol. O discurso ainda foi repetido por Filipe Barros e Moro. “Tivemos ontem um acontecimento extraordinário graças ao trabalho do Flávio com a colocação do PCC e do CV na lista de organizações terroristas”, disse o ex-juiz.
Em seu discurso, Flávio também criticou a reação negativa do governo Lula à classificação das facções como terroristas. “Hoje, o Lula disse: ‘nossos criminosos não podem ser tratados como terroristas’. Nossos, não, Lula, seus criminosos. O que o Lula falou hoje é que os 50 milhões de brasileiros em áreas dominadas pelas facções não merecem soberania, não merecem ter paz. Lula defende a soberania de CV e PCC”, declarou.