domingo, maio 24, 2026

Lula, Flávio, Zema ou Caiado? Quem vencer será refém de Davi Alcolumbre


Gilmar Fraga: ouvidos de mercador... | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Roberto Nascimento

Estamos sob duas ditaduras simultaneamente – uma do Supremo e outra do Congresso, com o governo federal mandando cada vez menos. Empoderado pela força das emendas, suas excelências parlamentares nem ligam mais para comandar ministérios e distribuir cargos nas agências e nas estatais, no máximo brigam pelas direções da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil

Na semana passada, a Câmara aprovou o pomba-rola da anistia das multas aplicadas aos partidos. Agora o limite máximo de multa, que podia passar de milhões, pode cair para modestos 30 mil reais.

MULTA RIDÍCULA – Se o Senado aprovar a insensatez, os ministros do Supremo e do Tribunal Superior Eleitoral não poderão mais multar um partido em R$ 20 milhões por atuar contra as urnas eletrônicas, como fez Alexandre de Moraes em relação ao PL.

O presidente-dono do PL, o ex-presidiário Valdemar da Costa Neto, deve estar rindo à toa, entoando o bordão do ministro aposentado Luís Roberto Barroso: “Perdeu Mané”.

O fato é que a Câmara aceitou essa nova versão da antiga PEC da Blindagem dos Partidos. Os deputados perderam a vergonha na cara, aproveitando o cinematográfico escândalo das ligações de Flávio Bolsonaro com o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro.

IGUAL A NERO – O pior é que Davi Alcolumbre comanda o Senado como Nero administrou Roma. Senta na cadeira e só passa o que ele quer. Às vezes é manso como um cordeiro, quando lhe convém. Outras vezes grita, impõe corta o microfone de senadores que lhe importunam, chantageia o Executivo. Na prática, Davi Alcolumbre é o primeiro-ministro de um governo presidencialista. Davi manda mais do que o próprio Lula.

Alcolumbre rejeitou a indicação de Messias e agora resiste em colocar em votação no Senado a PEC da Segurança Pública aprovada na Câmara. Não está nem aí para o sofrimento da população brasileira, refém dos assaltos e das balas perdidas que cruzam as comunidades, matando pessoas a esmo nas cidades brasileiras.

É mais que urgente a necessidade de aprimorar a Segurança Pública, que necessita de uma maior integração entre as Polícias dos Estados Por falar em Estado, ele não existe nas comunidades do país, governadas sob influência direta de facções, milícias e quadrilhas.

FUTURO INCERTO – Lula se humilha e pede a Alcolumbre para pautar a matéria para votação e o senador do Amapá finge que não é com ele. Está impaciente com as apurações da Polícia Federal sobre o rombo causado por ele no Instituto de Previdência do Amapá, achando que Lula não fez nada para barrar o processo investigativo.

E o país vai às urnas nesse clima sombrio e altamente negativo, com o governo endividando perigosamente o país. Alega-se que outras grandes nações estão mais endividadas, mas a diferença é que os juros pagos pelo Brasil são muito mais altos.

Diante dessa realidade, o futuro se mostra cada vez mais incerto. E nem interessa quem vai ganhar a eleição, se Lula, Flávio, Zema ou Caiado. A única coisa certa é que o vencedor terá problemas terríveis a resolver a partir de 2027, desculpem o pessimismo.