EDITORIAL: Os Falsos Brasileiros e o Crime de Lesa-Pátria na Entrega de Nossas Riquezas a Preço Vil
Analisar a história econômica e mineral do Brasil é deparar-se com um ciclo eterno de entreguismo e descaso com o desenvolvimento nacional. Se não fosse profundamente trágico, seria cômico. O país parece condenado a repetir os erros do passado de forma nociva, criminosa, premeditada e consciente, agindo contra os próprios interesses em favor de grandes conglomerados estrangeiros e de elites políticas que usam o patrimônio do povo como balcão de negócios.
Exemplos flagrantes dessa conduta lesa-pátria encontram-se nas gestões de governantes como o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o ex-governo de Minas Gerais, sob Romeu Zema. Ambos se alinham à nefasta política de entregar, a preço vil, as riquezas minerais nobres, críticas e raras do subsolo brasileiro a interesses internacionais. O ápice da desfaçatez é que esses mesmos personagens hoje se arrogam o direito de pleitear a Presidência da República, visando consolidar esse modelo de subserviência, enriquecendo-se ainda mais e legando aos seus familiares os produtos dessa predação institucionalizada.
A Lição que o Passado Deu e o Brasil Não Aprendeu
O recente artigo de Ronaldo Lemos, publicado na Folha e reproduzido pela Tribuna da Internet, resgata uma memória histórica que serve de espelho para o que acontece hoje. O texto relembra a trajetória do russo Boris Davidovitch, que desembarcou no Brasil em 1940 para explorar a monazita nas areias de Guarapari (ES). Em pouco tempo, dominou o mercado de forma predatória, destruiu cerca de 70 km de praias e restingas, montou esquemas de evasão fiscal vendendo o minério para si mesmo a preços irrisórios, usou trabalho escravo e subornou o Judiciário.
Mesmo após CPIs e denúncias de que nunca trouxe um único benefício para a região, a predação rendeu-lhe uma fortuna estimada em US$ 227 bilhões, falecendo bilionário em Paris em 1960. O rastro deixado no país? Documentos queimados, maquinário enterrado na areia e, anos mais tarde, o desmantelamento da capacidade estatal de refino que havia sido conquistada a duras penas, restando ao Brasil apenas 11 toneladas de resíduo radioativo — a chamada “Torta 2”, guardada em Caldas (MG).
A "Lógica de Banana": Exportar Matéria-Prima e Importar Tecnologia
A monazita é uma das principais fontes de terras raras do planeta — minerais críticos essenciais para a tecnologia global de vanguarda, chips, transição energética e armamentos. O crime contra a economia nacional reside na falta de capacidade ou de vontade política para processar esses elementos em solo pátrio:
Preço de Banana: Ao ser exportada de forma bruta, a monazita vale menos de US$ 10 o quilo.
Valor Agregado Perdido: Com um refino mínimo, o valor salta para US$ 100. Em sua forma final (como o óxido de térbio), o preço atinge astronômicos US$ 1.000 o quilo.
Como os governantes locais preferem o ganho rápido e a subserviência, o Brasil perdeu sua capacidade de processamento. O resultado é o pior dos cenários: o país fica com o buraco, com o impacto ambiental e com o lixo radioativo, enquanto as potências estrangeiras ficam com os bilhões de dólares do valor agregado tecnológico.
E o mais irônico e vergonhoso: após décadas de interrupção por conta desse passado humilhante, o Brasil voltou a exportar monazita bruta neste ano de 2026 a partir do Rio de Janeiro, repetindo exatamente a mesma história de exploração colonial.
Conclusão: O Voto contra os Predadores da Pátria
O Brasil teve vozes altivas na história que tentaram desenhar uma política mineral soberana, como o Almirante Álvaro Alberto, o presidente Juscelino Kubitschek e o professor Diógenes Moura Breda. No entanto, a linha que prevalece nas pranchetas de figuras como Zema e Caiado é a da privatização predatória e do entreguismo disfarçado de modernidade jurídica.
Quem prostitui as riquezas do Brasil não tem legitimidade para governar o seu povo. O eleitor precisa acordar para o valor estratégico do nosso subsolo. Permitir que entregadores de terras raras cheguem ao Palácio do Planalto é assinar o atestado de subdesenvolvimento definitivo do país. O Brasil é dos brasileiros, e nossas riquezas devem servir para financiar a saúde, a educação e o futuro dos nossos filhos, e não para sustentar o luxo de corporações estrangeiras e oligarquias políticas.
Blog de Dede Montalvão: Defendendo a soberania nacional, o patrimônio do povo e a verdade contra o entreguismo político.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025
