sábado, maio 02, 2026

Gilmar aponta crise política e expõe fragilidade do governo Lula após derrota no Senado

Publicado em 1 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Gilmar descartou atuação de integrantes do STF no episódio

Fernanda Fonseca
CNN

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, afirmou nesta quinta-feira (30) que a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, pelo Senado reflete uma “crise política” enfrentada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista ao SBT News, o decano da Corte avaliou que a derrota não está relacionada à capacidade do indicado pelo petista, mas sim a dificuldades de articulação política do Planalto. “Não se trata de uma rejeição por falta de requisitos profissionais, se trata de uma crise política”, disse.

BARRADO – Messias foi barrado no plenário do Senado após receber 34 votos favoráveis e 42 contrários. Para ser aprovado para uma vaga no STF, eram necessários ao menos 41 votos. Segundo Gilmar, o cenário está ligado ao fato de o governo operar com base minoritária no Congresso.

Para o ministro, esse quadro desfavorável também tem reflexos no papel do Judiciário. “Esse quadro leva a uma necessidade maior de intervenção do STF e isso também provoca fricções na relação entre governo e Congresso”, afirmou.

Na avaliação de Gilmar, o episódio deve levar a uma revisão interna no governo Lula sobre a condução política da indicação. “É preciso que se faça uma revisão e que cada um assuma sua responsabilidade”, disse.

SEM SENTIDO – O ministro também rebateu versões de bastidores que apontam uma suposta atuação de integrantes do Supremo para enfraquecer o apoio a Messias. “Não faz o menor sentido. Não vejo sentido nesse tipo de teoria conspiratória”, declarou. Como mostrou a CNN Brasil, fontes do Planalto afirmam que uma ala do STF também teria atuado para enfraquecer o apoio ao indicado no Senado.

O alinhamento de Messias com Mendonça e sua defesa de um Código de Ética para a magistratura teriam causado resistência entre integrantes da Corte. No Planalto, também era conhecida a oposição de ministros como Alexandre de Moraes e Flávio Dino ao indicado.