domingo, maio 31, 2026

Família Bolsonaro é viciada em mentir. Seu maior adversário é o jornalismo

 

Família Bolsonaro é viciada em mentir. Seu maior adversário é o jornalismo

Reportagens como as do Intercept Brasil expõem a verdade dos fatos, como se viu com as revelações sobre o acerto de Flávio com Daniel Vorcaro e a mansão luxuosa onde vive Eduardo no Texas.

Os dias não têm sido fáceis para a família Bolsonaro. As reportagens do Intercept Brasil não têm dado espaço para ela respirar. É isso o que acontece quando o jornalismo revela o que os poderosos querem esconder. 

A maior adversária dos Bolsonaros é a verdade dos fatos. Quando ela é exposta dessa maneira, eles se sentem intimidados e perseguidos pelo jornalismo. Sobram-lhes as mamadeiras de piroca e a guerra das narrativas. 

Nas duas últimas semanas, as reportagens da #VazaFlavio escancararam para o mundo do que a família Bolsonaro é capaz no campo da mentira e dissimulação. Quando o Intercept perguntou a Flávio Bolsonaro se o filme do seu pai havia sido financiado por Vorcaro, ele gargalhou e disse que era mentira. Horas depois, um áudio o desmentiu de forma cabal. O ridículo se seguiu nos dias posteriores, com um choque de versões de aliados e novas mentiras sendo contadas para tapar buracos feitos por outras mentiras. A falta de vergonha na cara é infinita dentro do clã Bolsonaro.

Uma viagem desesperada

Desesperado com a queda nas pesquisas de intenção de votos, Flávio cavou uma visita à Casa Branca para tentar tirar o foco do escândalo e manter acesa a seita que tem fetiche com o presidente dos Estados Unidos. A foto com Trump sentado e Flávio em pé é o retrato perfeito da sabujice dessa família. O presidente americano nem se deu ao trabalho de se levantar da cadeira para tirar a foto.

A humilhação foi grande, mas eles saíram de peito estufado. Dois dias após a visita, o governo americano passou a classificar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como grupos terroristas – algo que excita o bolsonarismo, mas que atrapalha o combate ao crime organizado e ameaça a soberania nacional. Quem diz isso é o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público do Estado de São Paulo, que é o principal investigador do PCC no país há mais de 20 anos. 

Considerar a medida do governo americano como um passo importante para acabar com as facções é só mais uma mentira do bolsonarismo. Até porque Flávio Bolsonaro talvez seja o político que mais tenha aliados enrolados com o crime organizado. Do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj,  Rodrigo Bacellar ao grupo político do ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro, há uma lista grande de aliados de Flávio que aparecem nas investigações sobre o Comando Vermelho. Ora, o próprio Flávio transformou seu gabinete de deputado estadual no Rio em cabide de emprego para o Escritório do Crime. É essa gente que vai acabar com o crime organizado?

Eduardo e sua vida de luxo

Menos de 24 horas depois do encontro de Flávio com Trump, o Intercept trouxe à tona outra mentira da família Bolsonaro. Diferentemente do que se dizia, Eduardo Bolsonaro não vive uma vida de dificuldades nos EUA. Vive uma vida de luxo em uma mansão com piscina em área nobre da cidade de Southlake, no Texas. Antes, o pobrezinho dizia ter dificuldades para pagar as contas nos EUA, chegando até a ter que dormir em colchão inflável. É realmente impressionante a ascensão social meteórica do ex-deputado que, de repente, passou a ter condições de pagar um aluguel de R$ 30 mil por mês mesmo estando desempregado. Ele não sabe explicar como foi que esse azarão da meritocracia — ou “Dark Horse”, se preferir — conseguiu vencer a corrida do “sonho americano". Talvez o Daniel Vorcaro saiba. 

Antes de publicar a reportagem, o Intercept buscou ouvir o que Eduardo Bolsonaro tinha a dizer sobre o caso. O jornalista Steven Monacelli bateu à porta da mansão e foi educadamente recebido pela esposa de Eduardo, Heloísa, que não quis dar entrevista. O casal então foi às redes para relatar de forma dramática que “um parceiro do PCC” teria os importunado e à vizinhança. Até a polícia foi acionada para proteger a família ameaçada. O bolsonarismo ficou ouriçado com a história e passou a denunciar o que seria uma perseguição contra a família de Eduardo nos Estados Unidos. O golpista Paulo Figueiredo ameaçou usar a força contra jornalistas que ousarem procurá-lo em sua casa na Flórida.

Mentira desmontada

Eles não contavam que toda a abordagem do jornalista havia sido filmada por ele. O vídeo não mostra nada além de um contato cordial com Heloísa Bolsonaro. Monacelli tocou a campainha, perguntou com toda educação se podia conversar com Eduardo e foi embora diante da negativa. A publicação do vídeo desmontou com requintes de crueldade a narrativa de perseguição que o casal havia espalhado nas redes.

A mentira derreteu em praça pública e deixou Eduardo atônito. Ao ser abordado por jornalistas para comentar o tema, contou novas mentiras para manter a narrativa em pé. “Desde março (de 2025) não recebo dinheiro público. Sou uma pessoa igualzinha a vocês: dinheiro privado, tudo meu. Moro de aluguel, ao contrário do que o Intercept falou. O Intercept dá fake news. O Intercept foi na casa errada, porque são péssimos jornalistas investigativos”, disse. É mentira sobre mentira. Eduardo Bolsonaro não teme o ridículo. O Intercept não disse que ele não mora de aluguel nem foi na casa errada. É só mais uma tentativa de jogar areia nos olhos da opinião pública. O fato é que o ex-deputado continua se recusando a explicar quem está bancando a sua vida luxuosa nos EUA. 

A mentira não é apenas um método ou uma mera ferramenta política do bolsonarismo. É a sua quintessência. Absolutamente todas as suas narrativas fundamentais são baseadas em falseamentos da realidade. Jair Bolsonaro e seus filhos são viciados em mentir. Eles lideram uma seita numerosa, que acredita em suas mentiras e ainda cria outras para manter a roda das narrativas girando. Quando flagrados mentindo, se fazem de loucos e inventam uma nova ladainha. Pode até parecer que é enxugar gelo, mas desmascará-los e expô-los de modo permanente é fundamental. Essa é a única maneira de impedir que falsas narrativas se consolidem na opinião pública. Não é fácil, mas a realidade dos fatos acaba se impondo no final. O jornalismo bem feito é a kriptonita dessa gente.

6 x 1 pra vocês, BMW pra mim

O deputado federal Bibo Nunes, do PL do Rio Grande do Sul, é um cristão de bem, preocupado com os valores da família tradicional brasileira e toda aquela ladainha que os bolsonaristas usam como escudo moral para cometer as maiores barbaridades. 

Durante o governo Bolsonaro, ele disse que alunos de universidades federais contrários ao então presidente tinham “que viver no lixo, no esgoto” e mereciam “morrer queimados”. 

Esse anjo da política brasileira agora ataca os trabalhadores que lutam contra a escala 6x1. Ele foi um dos 22 deputados que votaram contra a proposta de emenda constitucional, a PEC, que acaba com a jornada exaustiva. Bibo Nunes subiu ao púlpito da Câmara e defendeu que o trabalhador tem que trabalhar mais, não menos: “O homem mais rico do mundo, Elon Musk, disse que quem trabalha menos de 60 horas por semana jamais terá prosperidade além do normal. Vocês querem ser normais: trabalhar pouco e ganhar pouco”.

Esse papo de coach é tão delirante que o bolsonarista nem percebe que ele próprio contraria a pensata que ele pegou emprestado de Elon Musk. O deputado vai à Câmara três dias por semana e ganha quase R$ 50 mil por mês, sem falar nos generosos benefícios. Trabalha pouco, ganha muito.

A internet não perdoa e logo lembrou que o deputado gastou quase R$ 58 mil da cota parlamentar para alugar um BMW no mandato passado. À época, Bibo defendeu a escolha do carro de luxo e reclamou da vida de deputado: “Esse é o meu estilo de vida desde sempre, eu sempre andei de Mercedes, de BMW, eu não vou abaixar o meu estilo de vida só porque sou deputado. Eu já perco muito sendo deputado”.

“Cara de pau” é uma expressão fraca para descrever o que faz Bibo Nunes. É muito mais que isso. O deputado quer que o povo se esfole na escala 6x1, enquanto desfruta de uma vida mansa, sustentada por quem realmente produz. Não há maneira sincera e honesta de descrever esse escárnio sem ferir o Código Penal. 

Nikolas, guerreiro do povo brasileiro?

A bancada do PL passou os últimos dias atacando com força a PEC que acaba com a escala 6x1. Segundo os bolsonaristas, a proposta é uma medida eleitoreira do governo que quebrará a economia do país. Do dia pra noite, os bolsonaristas mudaram radicalmente de opinião. Decidiram não somente apoiar a escala 5x2, mas garantir ainda mais folga para o trabalhador, propondo uma jornada 4x3.

A mudança não foi por convicção, claro. Eles ainda acreditam que diminuir o tempo de trabalho será destrutivo para a economia. O objetivo foi criar uma proposta tão radical que se tornaria inviável, empurrando para o governo e para a esquerda o ônus de dizer “não” a um benefício ainda maior para os trabalhadores. Vejam o nível de covardia da turma.

O deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, que sempre foi um dos mais aguerridos contra o fim da escala 6x1, não escondeu que sua intenção foi mesmo a de usar o trabalhador como bucha de canhão para constranger o governo: “[Queremos] apoiar não somente a 5x2, mas apoiar a 4x3, que seja vigorado amanhã e que a quebradeira comece antes das eleições”, disse. “A gente quer mostrar que quando der merda, a culpa é deles”.

Perceba que o chaveirinho do bolsonarismo não demonstrou o menor constrangimento em confessar que votou a favor de uma medida que julga ser péssima para o país e para os trabalhadores. Ele quer ver o oco. Quer que a “quebradeira comece antes das eleições”.

Em discurso no plenário da Câmara, o deputado continuou com a selvageria: “Quando houver demissão em massa, quando aumentar o preço dos produtos, quando o empreendedor não conseguir mais e tiver que demitir a pessoa para contratar outro... Aí, meus amigos, esse dia vai ser maravilhoso”.

Nikolas não esconde a satisfação em imaginar um cenário destrutivo para a economia, com desemprego em massa. Quando o apocalipse chegar, “vai ser maravilhoso”, diz ele. O deputado mais votado do país não sente o menor pudor em escancarar que deseja ver o povo se ferrar junto com o governo. Nada mais pode ser mais representativo do bolsonarismo do que isso.

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