Em meio à crise do Master, Flávio se encontra com Trump

Foto: Reprodução/X/@flaviobolsonaro
Em meio à crise provocada pelas revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. O encontro ocorreu no Salão Oval e é tratado por aliados do senador como uma tentativa de reforçar sua pré-campanha presidencial após semanas de desgaste político. A reunião foi precedida por uma manhã tensa na equipe do senador, pois não havia certeza de que ela aconteceria de fato. A confirmação veio de interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em contato com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do influenciador digital Paulo Figueiredo, que chegaram a tirar também foto com Trump. O senador levou uma camisa da seleção brasileira para entregar ao presidente, mas a segurança reteve o presente para vistoria. (Globo)
Em pronunciamento após o encontro, Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido a Trump que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificados pelos EUA como organizações terroristas. O senador também afirmou ter discutido com Trump diferenças entre um eventual governo liderado por ele e a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com Flávio, Trump perguntou sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, gesto que o senador classificou como “humano”. (CNN Brasil)
O comando de campanha de Lula já tem uma estratégia para reagir à foto de Flávio Bolsonaro com Trump: usá-la para reforçar o discurso de soberania do petista. Além disso, a ideia é comparar a pompa da recepção a Lula em seu último encontro com o presidente americano — que seguiu o protocolo para chefes de Estado — com a foto posada do senador no Salão Oval. (Folha)
E a fotografia, claro, converteu-se rapidamente em memes com a ajuda de inteligência artificial. (Poder360)
Enquanto se encontrava com Trump, Flávio Bolsonaro recebia fogo amigo no Brasil. Na tarde desta terça-feira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que Flávio ainda precisa esclarecer pontos sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro. Tarcísio disse que o caso “agride a sociedade como um todo” e declarou que os fatos precisam ser “muito bem explicados”. (Terra)
Em outra frente de desgaste para a campanha do senador, uma investigação da Polícia Federal aponta que seu aliado, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) mantinha uma relação de proximidade com Daniel Vorcaro, o que teria facilitado aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master. Em decisão que autorizou buscas contra Castro na manhã de terça-feira, o ministro do STF André Mendonça afirma que a relação entre os dois extrapolava contatos institucionais. Segundo a PF, reuniões de Castro com Vorcaro antecediam liberações de investimentos do Rioprevidência no Banco Master. (Folha)
A cronologia dos investimentos do governo do Rio no Banco Master enfraquece a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro sobre sua relação com Daniel Vorcaro. Flávio afirma que não sabia da existência de dinheiro público no escândalo envolvendo o banco. No entanto, o Rio — então comandado pelo PL — foi o estado que mais aportou recursos na instituição de Vorcaro. Flávio diz ter conhecido o banqueiro em dezembro de 2024, mas, dois meses antes, o Tribunal de Contas do Estado do Rio já havia alertado o então governador Cláudio Castro (PL-RJ) sobre suspeitas de irregularidades. (g1)
Flávia Tavares: “Encurralado pelas investigações do Banco Master e as revelações sobre o financiamento do filme Dark Horse, o senador Flávio Bolsonaro deixa de lado a imagem de ‘moderado’ e adota o tom de guerrilha ao embarcar para os EUA. A viagem, em busca de uma foto com Donald Trump, parece ter se tornado uma grande convenção com Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Mário Frias para alinhar as defesas no escândalo dos áudios. Mas pode servir também para Flávio se reabastecer das técnicas de Steve Bannon e Olavo de Carvalho e reanimar a militância”. A análise completa no Cá Entre Nós. (Meio)
Azarão
Orlando

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, manter a decisão do ministro Flávio Dino que extinguiu a aposentadoria compulsória como punição para magistrados condenados por infrações graves. Com o entendimento, juízes enquadrados nesse tipo de conduta passam a perder o cargo, em vez de serem afastados com remuneração paga pelo Estado. Ao votar, Dino reiterou os argumentos apresentados em sua decisão individual de março, afirmando que a manutenção da aposentadoria remunerada para magistrados punidos representa uma “erosão democrática”. (Poder360)
E também por unanimidade o Conselho Nacional de Justiça aprovou a criação de um contracheque único para magistrados de todo o país, em medida voltada a ampliar a transparência sobre os vencimentos do Judiciário. Com a decisão, cada juiz passará a receber apenas um demonstrativo mensal de remuneração, ficando proibida a divulgação de documentos complementares ou pagamentos separados. O novo modelo também prevê padronização das rubricas salariais. (Metrópoles)
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou ao governo que não pretende dificultar a tramitação da proposta que acaba com a escala 6x1. Alcolumbre indicou que dará andamento ao texto assim que a PEC for aprovada pela Câmara dos Deputados, reduzindo temores no Planalto sobre eventual resistência no Senado. A avaliação entre aliados do governo é que a pauta ganhou forte apelo eleitoral entre parlamentares da base e de partidos de centro, interessados em associar a aprovação da medida às eleições de outubro. O parecer sobre a PEC deve ser votado ainda hoje na comissão especial da Câmara e até o fim da semana no plenário. (Folha)
Mas a proposta de transição para as novas regras enfrenta resistências no Senado. Pelo acordo fechado entre Planalto e Câmara, a jornada semanal cairia de 44 para 42 horas 60 dias após a promulgação da PEC. A redução final para 40 horas ocorreria um ano depois. Nos bastidores, senadores divergem tanto sobre o modelo de transição quanto sobre a velocidade da tramitação da proposta na Câmara. Parte dos parlamentares considera o debate acelerado demais. (Estadão)
No Meio Político desta semana, exclusivo para assinantes premium, Christian Lynch discute o dilema das universidades públicas. Atacadas de fora pela direita, essas instituições vivem uma luta fratricida entre os que defendem a pluralidade de ideias — inclusive aquelas das quais discordam — e os que cobram o engajamento indiscutível a pautas progressistas. Faça agora uma assinatura premium e receba o Meio Político hoje, às 11h.
Hoje é o último dia para se inscrever no curso Desvendando Brasília. Quatro aulas que revelam as engrenagens do poder em Brasília com o método do cientista político Creomar de Souza, sem reabertura de novas turmas. A alternativa — não fazer nada — tem um nome: “passividade, ao fim, redunda em conformismo”, já diria o professor. Aproveite que o desconto de 20% da aula inaugural ainda está ativo. Garanta a sua vaga até as 23h59.

Viver
O Atlas da Violência 2026 divulgado nesta terça-feira revela que o Brasil alcançou, em 2024, a menor taxa de homicídios em 11 anos. De acordo com o levantamento produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 42.590 homicídios, o equivalente a 20,1 assassinatos a cada 100 mil habitantes, uma queda de 7,4% em relação a 2023. Os pesquisadores explicam que a redução se deve a mudanças nas políticas de segurança estaduais e municipais e nas dinâmicas do crime organizado, com tréguas entre facções em algumas regiões, além do envelhecimento da população, sendo os jovens as principais vítimas. (g1)
As cidades do Nordeste lideram as taxas de homicídios do país, tendo 17 dos 20 municípios com mais assassinatos. Maranguape (CE) é a mais mortal, com taxa de 87,2 homicídios por 100 mil habitantes, seguida por Jequié (BA), com 79,4 e Maracanaú (CE), com 74,1. Aliás, Bahia e Ceará concentram as cidades com maiores índices, já que 10 dos 20 municípios são baianos e outros cinco, cearenses. (Folha)
Apesar de ter a menor taxa de homicídios do país, São Paulo também é o estado com maior índice de “homicídios ocultos”, mortes violentas classificadas pelos pesquisadores como de causa indeterminada no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, mas que provavelmente foram causadas por assassinatos. Se a taxa de mortes para cada 100 mil habitantes foi de 6,6 no estado, nível bastante inferior à média nacional de 20,1, São Paulo concentra 2.824 de 7.083 homicídios ocultos, quase 40% do total no país. (BBC Brasil)
Pela primeira vez na história, o Brasil atingiu o patamar “muito alto” de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), passando de 0,744 ponto para o inédito 0,805, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), referente a 2024. Quanto mais perto de 1, melhor o índice. O relatório aponta uma evolução positiva dos dados municipais e outros subíndices, sendo a saúde o melhor dos indicadores, acompanhado pela melhora no quesito educação. Em que pese o avanço do IDH, a desigualdade persiste entre regiões, raça e gênero. Homens, pessoas brancas e o Distrito Federal tiveram os melhores resultados, ante mulheres, negros e o Maranhão. (UOL)

Cultura
O rapper canadense Drake quebrou o recorde de Michael Jackson com maior número de músicas em 1º lugar na Billboard Hot 100 por um artista solo masculino. A façanha ocorreu após a estreia da faixa Janice STFU no topo da parada com o lançamento de sua trilogia de álbuns. Drake agora está empatado com Rihanna e Taylor Swift como os artistas com mais músicas em primeiro lugar nas paradas, com 14 cada. Os Beatles seguem na liderança, com 20, seguidos por Mariah Carey, com 19. O rapper também bateu a marca de Morgan Wallen, ao emplacar 42 músicas na parada em uma única semana. Em 2025, Wallen havia conseguido 37 músicas no ranking. (Variety)
Falando em Mariah Carey, a cantora vai trazer seu show de Natal ao Brasil pela primeira vez, ao se apresentar em São Paulo e no Rio de Janeiro em novembro. Com figurinos exclusivos e hits históricos, incluindo All I Want for Christmas Is You (Spotify), as performances acontecem dia 17 no Allianz Parque, na capital paulista, e dia 21 na área externa da Farmasi Arena, no Rio. A venda geral de ingressos começa em 1º de junho, mas clientes Itaú terão acesso à pré-venda a partir desta quinta-feira no site da Eventim. (Folha)
Para ler com calma. A sensação de quem esteve no Festival de Cannes foi a de um ar mais discreto este ano. Isso porque, apesar de ter longas substancialmente relevantes, o evento foi um dos menos badalados, em relação às últimas edições, marcadamente pela falta de filmes e volume de estrelas de Hollywood. Ainda que produções americanas tenham entrado na competição, não foram recebidas com entusiasmo, tampouco ganharam prêmios na mostra principal, dominada por europeus. Mas a falta de títulos hollywoodianos não se traduziu em maior diversidade de narrativas, ao reduzir opções latino-americanas e africanas na programação principal. (Variety)

Cotidiano Digital
O Spotify anunciou sua entrada no mercado de artigos narrados em áudio e passou a oferecer mais de 650 textos de revistas como Rolling Stone, The Atlantic, Vogue e Wired dentro do aplicativo. O conteúdo está disponível em inglês e integra parte da estratégia da empresa para ampliar o consumo de formatos além da música e aproximar usuários de produtos mais lucrativos, como os audiolivros. Os artigos poderão ser ouvidos por assinantes Premium dentro da franquia mensal de audiolivros, enquanto usuários gratuitos poderão comprar os textos de forma avulsa. A plataforma afirmou que parte das narrações será feita com uso de inteligência artificial. (TechCrunch)
De acordo com apurações, a União Europeia deve reservar dois terços do novo espectro para comunicação via satélite a empresas europeias, em uma tentativa de reduzir a dependência tecnológica dos Estados Unidos em áreas consideradas estratégicas. A proposta pode ser anunciada já nesta quarta-feira pela Comissão Europeia, mas ainda abriria espaço para grupos como a Starlink, de Elon Musk, e a Amazon disputarem parte dessas frequências. O projeto europeu IRIS2, criado como resposta ao avanço da empresa de Musk, está entre os candidatos a receber a licença. Houve divergências dentro da própria Comissão sobre excluir totalmente empresas americanas do processo, mas a tendência é que haja abertura parcial ao capital estrangeiro. (Reuters)
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