quarta-feira, maio 06, 2026

Culto vira palanque e faz Malafaia e Flávio serem denunciados por abuso religioso


Associação vê propaganda eleitoral antecipada

Bianca Muniz
G1

O pastor Silas Malafaia e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tornaram-se alvos de uma denúncia no Ministério Público Eleitoral após um culto de celebração da Santa Ceia. Durante o evento realizado no último domingo (3), na sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no Rio de Janeiro, Malafaia interrompeu a liturgia religiosa para declarar apoio à pré-candidatura do parlamentar à Presidência da República em 2026.

O apoio ocorreu quando Malafaia convocou Flávio Bolsonaro e outras lideranças, como o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), para subirem ao altar. O pastor conduziu uma oração coletiva nominativa em favor dos políticos e afirmou que “chegou o tempo” de apoiar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, citando passagens bíblicas para legitimar a escolha.

RECONCILIAÇÃO – “A Bíblia diz que há um tempo para todo propósito debaixo do sol. Esse é o tempo de eu apoiar o Flávio para presidente“, disse Malafaia. O ato selou uma reconciliação pública após meses de atritos em que o religioso questionava a “musculatura política” do senador.

Em resposta imediata, a Associação Movimento Brasil Laico protocolou uma representação junto à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. A entidade acusa os envolvidos de praticarem propaganda eleitoral antecipada em bem de uso comum e abuso de poder religioso e econômico.

INSTRUMENTO DE CAMPANHA – O documento jurídico argumenta que o culto foi desvirtuado de sua finalidade espiritual para servir de instrumento de campanha, utilizando a estrutura da igreja, que possui 149 templos no Brasil, para conceder uma vantagem eleitoral aos pré-candidatos.

A ação é dirigida contra o pastor Silas Malafaia, a instituição religiosa ADVEC e cinco pré-candidatos que participaram do evento no altar da igreja: Flávio Bolsonaro (PL): pré-candidato à Presidência da República; Douglas Ruas (PL): pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro; Sóstenes Cavalcante (PL): pré-candidato à reeleição na Câmara; Cláudio Castro (PL): pré-candidato ao Senado; Marcelo Crivella (Republicanos): pré-candidato a deputado federal.

A representação solicita medidas urgentes, como a preservação de vídeos do evento e a aplicação de multas que podem chegar a R$ 25.000,00 por participante. A ação pede também a declaração de inelegibilidade de Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro por oito anos, além da cassação de eventuais registros de candidatura ou diplomas.

DESVIO DE FINALIDADE – O documento também sugere que a Receita Federal investigue um possível desvio de finalidade da ADVEC, o que poderia colocar em risco a sua imunidade tributária constitucional.

Além das ações eleitorais, o evento foi marcado por ataques de Malafaia ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. O pastor, que recentemente tornou-se réu por injúria contra o comandante do Exército, classificou o inquérito das fake news como “imoral” e afirmou ser alvo de perseguição política. Flávio Bolsonaro, por sua vez, utilizou o espaço para reforçar sua aliança com o setor evangélico.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Malafaia entrou em seu inferno astral. Pipocam ações judiciais contra ele, para impedi-lo de fazer campanha, esquecidos de que, no passado recente, ele trabalhava para Lula e o PT, mas depois desistiu. Enriquecido ilicitamente, Malafaia é um explorador do povo, mas chamam a isso de religião e tudo funciona dentro da lei. (C.N.)