
Atirador foi detido; um agente ficou ferido
Isabella Menon
Folha
O presidente Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca por agentes do Serviço Secreto na noite deste sábado (25) após barulho de tiros.
Outros membros do governo Trump presentes no jantar também foram evacuados depois de uma grande comoção gerada por sons de disparos perto do salão de baile do hotel Washington Hilton, onde o evento estava sendo realizado, na capital americana. O presidente afirmou que o atirador foi detido e que um agente do Serviço Secreto foi ferido.
“LOBO SOLITÁRIO” – Trump disse que o motivo do ataque ainda não está claro e definiu o homem como “lobo solitário”. Segundo a imprensa americana, ele seria Cole Tomas Allen, 31, de Torrance, cidade no estado da Califórnia. “Eles [Serviço Secreto] acreditam que ele era um lobo solitário e eu acredito nisso também”, disse Trump.
O homem que fez os disparos estava em uma área de triagem no hotel, não dentro do salão onde a festa ocorria. Uma foto do atirador detido foi publicada por Trump na rede Truth Social, assim como um vídeo de câmeras de segurança do hotel. A gravação mostra o homem correndo e disparando, tentando passar pela segurança, e sendo bloqueado por diversos agentes.
O chefe da polícia de Washington, Jeffery W. Carroll, afirmou que o homem estava carregando uma escopeta, um revólver e diversas facas. Ele não teria sido ferido, mas foi levado para um hospital para passar por uma avaliação médica. Carroll também contou que autoridades acreditam que o suspeito estava hospedado no hotel do evento, mas que a investigação ainda está no começo.l
SAÍDA DO HOTEL – Segundo Trump, as forças de segurança solicitaram que todos saíssem do local da festa. Ele disse ter pedido para continuar no jantar, porém, teria sido orientado pelo Serviço Secreto a deixar o hotel. O evento com os jornalistas será reagendado dentro de 30 dias, anunciou o presidente. “Quero agradecer à imprensa, que foi muito responsável na cobertura”, afirmou em entrevista coletiva iniciada na Casa Branca por volta das 23h30, cerca de duas horas após o incidente no jantar.
“Tínhamos democratas, republicanos, independentes naquele salão. Eu assisti e fiquei muito impressionado. Eu e a primeira-dama fomos retirados muito rapidamente do palco e o vice-presidente, J.D. Vance, estava dizendo como todos agiram rapidamente”, declarou, com o diretor do FBI, Kash Patel, e o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, ao seu lado. Trump parabenizou as forças de segurança do governo pela ação.
“É sempre um choque quando isso acontece. Eu ouvi um barulho, eu achei que era uma bandeja caindo. E era bem longe, ele não chegou na área, mas era uma arma”, narrou. Perguntado se ele seria o alvo do atirador, o presidente disse: “Eu acho que era [o alvo]. Essas pessoas são loucas. Tinha muitas pessoas no salão, ele teria que percorrer um longo caminho”.
“PROFISSÃO PERIGOSA” – “É uma profissão perigosa. Eu vivo uma vida normal considerando que é uma vida perigosa”, disse o presidente. Ele afirmou também que não acha que a tentativa de ataque esteja ligada à guerra no Irã. O presidente aproveitou sua fala para defender a construção de um salão de festas na Casa Branca, cuja obra foi paralisada por decisão da Justiça. Ele argumentou que a construção permitirá maior segurança em eventos deste porte.
Trump já foi atingido de raspão por uma bala em uma tentativa de assassinato durante um comício em julho de 2024 em Butler, no estado da Pensilvânia. Muitos dos 2.600 participantes do jantar neste sábado em Washington se abrigaram enquanto os garçons corriam para a frente do salão. A multidão gritou “abaixem-se, abaixem-se!”, conforme relatos de jornalistas presentes.
A polícia cercou as proximidades do hotel, e helicópteros passaram a rondá-lo após o incidente. Jornalistas que estavam no jantar se reuniram na parte de fora. À Folha o jornalista colombiano Juan Merlano, da Caracol TV, que estava no salão, diz que, em um primeiro momento, ele e colegas pensaram que se tratavam de sons de tambores. Porém, na sequência, ele conta que o serviço secreto entrou no lugar gritando: “Tiros foram disparados”.
EVACUAÇÃO – “Todo mundo foi para debaixo das mesas, no chão”, afirmou ele. “Neste momento, o presidente deixou o salão. O serviço secreto e a polícia entraram, todos com armas grandes. Saíram um a um os funcionários do gabinete. Várias pessoas começaram a evacuar também.”
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, se pronunciou sobre o ataque em uma mensagem na rede social X: “A violência nunca deve ser o caminho”. “Que bom que o presidente Trump e sua esposa estejam bem, após os acontecimentos recentes. Enviamos nosso respeito. A violência nunca deve ser o caminho”, escreveu.
ARRECADAÇÃO DE FUNDOS – O jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA, na sigla em inglês) é realizado todos os anos no fim de abril. Nele comparecem centenas de jornalistas e executivos de imprensa com seus convidados do mundo político e econômico, para arrecadar fundos para bolsas de estudo e prêmios. Trump, ao contrário de todos os seus predecessores desde a década de 1920, sempre havia faltado no evento na condição de presidente, com exceção da festa deste sábado.
O Washington Hilton é o mesmo hotel no qual, do lado de fora, o presidente americano Ronald Reagan sofreu uma tentativa de assassinato, em março de 1981. Na ocasião, Reagan andava até a limusine após um discurso quando John Hinckley Jr. desferiu seis disparos. Cinco pessoas ficaram feridas, incluindo o então presidente, atingido abaixo da axila esquerda.