quarta-feira, abril 29, 2026

Senadores dizem ter recebido pedido de Alcolumbre para votar contra Messias

 

Senadores dizem ter recebido pedido de Alcolumbre para votar contra Messias

Por Raphael Di Cunto, Ana Pompeu e Caio Spechoto, Folhapress

29/04/2026 às 15:40

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

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Alcolumbre defendia indicação de Pacheco e vê derrota do escolhido por Lula como empoderamento do Legislativo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pediu a pelo menos dois senadores que votassem contra a indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal), de acordo com relatos deles à Folha.

A movimentação nos bastidores contrasta com a postura pública do senador, que tem afirmado à imprensa e a interlocutores do governo Lula (PT) que ficará neutro na disputa, sem atuar para ajudar na aprovação do escolhido pelo petista, mas também sem procurar prejudicá-lo.

Os senadores não quiseram dizer quando ocorreu o pedido, mas ao menos dois integrantes do STF também dizem ver atuação de Alcolumbre contra a aprovação de Messias ainda nesta semana. Um deles relatou à reportagem ter ouvido que o senador tem dito que faria de tudo para derrotar o indicado.

Em nota à Folha nesta quarta (29), Alcolumbre repetiu que mantém atuação institucional e negou que tenha pedido voto contra Messias para os senadores. "É lamentável que, em um dia importante para as instituições, conversas de corredor ganhem destaque. O presidente está cansado de relatos de ‘ouvir dizer’, que geram notícias falsas e são publicados sem responsabilidade", declarou, por meio da assessoria.

Alcolumbre queria que o presidente Lula tivesse escolhido o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga aberta na corte e se afastou do petista depois da indicação de Messias.

Ele argumentou nas conversas com esses senadores que a rejeição ao indicado por Lula simbolizaria um fortalecimento do Legislativo e que a partir daí as indicações para o STF passariam a ser obrigatoriamente negociadas previamente com o Senado, Casa responsável por sabatiná-los e aprová-los.

Interlocutores do governo chegaram a procurar o presidente do Senado diante dos rumores há semanas de que ele ainda estava atuando para rejeitar o escolhido por Lula para a vaga e ouviram dele que garantiria o rito normal para a votação, sem atrapalhar.

"Todo mundo me diz que ele [Alcolumbre] não está ajudando, o que é fato, mas também não está pesando a mão para atrapalhar", afirmou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), com a sabatina já em andamento nesta quarta-feira (29).

O relator escolhido pelo presidente do Senado para a indicação de Messias é Weverton Rocha (PDT-MA), um de seus principais aliados. Rocha também é próximo de Lula e tem trabalhado pela aprovação.

A ação de Alcolumbre relatada à reportagem é mais sutil que a postura do presidente do Senado logo depois da escolha de Lula por Messias, no fim do ano passado. Na época, o presidente do Senado demonstrava a vários senadores seu descontentamento e falava até em postergar a sabatina para depois da eleição de outubro.

Após Alcolumbre ter marcado a sabatina do indicado para o STF, governistas e outros senadores próximos ao presidente do Senado passaram a relatar que ele havia assumido uma postura de neutralidade em relação a Messias.

Na última semana, o presidente do Senado também disse em conversas reservadas a ministros do Supremo que faria de tudo para a indicação de Messias ser rejeitada, apurou a Folha. Integrantes do STF estão entre os principais apoiadores do indicado de Lula.

Alcolumbre teve atitude semelhante quando da indicação, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL), de André Mendonça para o Supremo. O esforço não foi bem-sucedido. Hoje Mendonça não só é integrante da corte como relata dois dos processos politicamente mais sensíveis do Tribunal, o caso do Banco Master e os desvios do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), e pede votos a favor de Messias.

As conversas de Alcolumbre com senadores também foram relatadas por senadores durante a reunião em que opositores do governo discutiram formas de tentar barrar Messias. O encontro foi na terça-feira (28).

O raciocínio relatado na reunião e atribuído a Alcolumbre foi de que a oposição, que cobra dele a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF, tem a oportunidade de dar um recado ao Supremo se rejeitar Messias. Se não aproveitá-la, deve parar de pressioná-lo por processos de deposição de ministros, já que não teria votos suficientes para sequer barrar a indicação de um novo ministro.

O governo acredita, no entanto, que o indicado poderá ter apoio entre opositores por causa do perfil discreto e por ser evangélico, uma vez que o voto é secreto e a população não saberá como cada senador votou.

A oposição avalia ter cerca de 30 votos contrários a Messias e acha que Alcolumbre poderá influenciar algo entre 15 e 20 senadores contra o indicado de Lula. Se essa conta estiver certa, ele terá a indicação rejeitada, algo que não ocorre desde 1894. Já os governistas afirmam ter pelo menos 45 votos a favor de Messias, o que possibilitaria uma aprovação, provavelmente por margem apertada.

Alcolumbre e Messias tiveram uma conversa rápida recentemente, num jantar na casa de um ministro do Supremo, mas governistas ainda tentam obter um gesto de apoio claro do presidente do Senado para o indicado de Lula ao STF. Articuladores do Executivo também negociam emendas e cargos com senadores em busca de mais votos para Messias.

Ministros do STF são indicados pelo presidente da República, mas só assume o cargo se forem aprovados pelo Senado. Eles precisam ser sabatinados pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa, e ter ao menos 41 votos favoráveis no plenário. O Senado tem, no total, 81 integrantes.]

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