Há uma famosa esquete de humor alemã em que membros do exército nazista, vestidos com uniformes nazistas, ficam indignados por serem chamados de nazistas. “Todo mundo é nazista pra vocês. Quando ficam sem argumento apelam para a boa e velha carta do nazismo”, diz o soldado vestindo uma braçadeira com uma suástica.
É exatamente assim que se comportam os fascistas do século 21. Eles falam como fascistas, agem como fascistas, matam como fascistas, mas não são tratados como tais pela mídia hegemônica internacional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, são abertamente racistas e estão comandando uma limpeza étnica no Oriente Médio. Juntos estão espalhando o terror pela região, bombardeando áreas residenciais e empilhando cadáveres de inocentes. O objetivo é claro e expresso: eliminar uma civilização da face da Terra. Trump até recuou da ameaça e topou o cessar-fogo proposto pelo Paquistão, mas o psicopata israelense decidiu continuar assassinando inocentes no Líbano.
Israel é um estado etnocrata, cuja Constituição marginaliza os não judeus, especialmente os árabes. Segundo as leis israelenses, “apenas os judeus podem exercer integralmente seu direito natural, cultural, religioso e histórico à autodeterminação”.
Uma lei aprovada em 30 de março deste ano prevê pena de morte apenas para ataques terroristas letais cometidos por palestinos. O exército israelense é um dos mais sanguinários, chegando a ser acusado de torturar crianças palestinas. Há uma infinidade de declarações de autoridades israelenses pregando o extermínio dos palestinos. A faixa de Gaza é o maior campo de concentração da história moderna, com milhões de palestinos cercados e isolados.
A comparação com o nazismo de Adolf Hitler é óbvia e necessária. Se ela te choca, é porque você ainda não entendeu a dimensão da barbárie em curso. Ou é hipócrita o suficiente para não querer enxergar esse paralelo.
É claro que há diferenças, afinal estamos há um século de distância, mas absolutamente todos os principais elementos que caracterizam o fascismo estão presentes no regime de apartheid de Israel.
Não deveria se tratar de opinião, mas de uma mera constatação baseada em princípios básicos da sociologia e da ciência política. Apesar disso, qualquer crítica em que essa comparação elementar é feita logo é taxada de antissemita. Pior que isso: pode virar crime no Brasil.
O projeto de lei 1424/2026, apresentado pela deputada federal Tabata Amaral, do Partido Socialista Brasileiro, o PSB, com o apoio de outros 44 parlamentares de 19 partidos, propõe a criação de uma Política Nacional de Combate ao Antissemitismo. Por princípio, todos estamos de acordo com o projeto, afinal quem poderia ser contra a criminalização do preconceito contra os judeus, não é mesmo? Bom, é aí que mora a pegadinha.
O texto do projeto foi claramente influenciado — para não dizer redigido — pela StandWithUs, uma entidade sionista internacional que tem se dedicado a justificar a matança de Netanyahu no debate público. O seu presidente, o sionista André Lajst, é um dos principais articuladores do projeto de Tabata.
O texto está em sintonia com a principal estratégia dos sionistas para influenciar o debate público: confundir antissionismo com antissemitismo. O objetivo é calar os críticos do regime do facínora Netanyahu. O projeto de Tabata criminaliza especificamente a comparação entre políticas israelenses com regimes nazistas. Este texto, por exemplo, que critica um governo e não um povo, seria enquadrado como antissemita caso a lei de Tabata já estivesse em vigor.
O lobby sionista também é forte na imprensa brasileira. A guerra é quase sempre analisada sob a ótica de Israel e Estados Unidos. As reportagens, ainda que sob o disfarce do politicamente correto, estão calcadas na velha ladainha da luta do mundo ocidental civilizado contra os selvagens terroristas do Oriente Médio.
É esse conceito que move o sionismo alinhado ao regime de Netanyahu. A figura mais requisitada pelo grupo Globo, por exemplo, é justamente o presidente da StandWithUs. Ele é figurinha carimbada na programação e apresentado sempre como uma figura isenta. Em suas aparições na imprensa, Lajst executa com maestria um malabarismo retórico para justificar o assassinato em massa promovido pelo governo isralense.
O projeto de Tabata quer impedir a sociedade brasileira de nomear a atrocidade enquanto ela acontece. A proibição de analogias históricas não reprime o antissemitismo e serve exclusivamente ao propósito de blindar o sionismo. É o triunfo da narrativa sobre os fatos. Impedir que sejam feitos paralelos com regimes supremacistas do passado não é uma questão de rigor histórico, mas um método de sobrevivência do fascismo moderno.
Quantos milhões de inocentes mortos são necessários para que tenhamos o direito de comparar o supremacista israelense com o supremacista alemão? A história não perdoará quem preferiu censurar palavras a denunciar o maior projeto político de extermínio da história contemporânea.