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Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

O Brasil político costuma tratar o escândalo como folclore e o crime de gabinete como “habilidade de articulação”. A recente revelação de Valmir de Francisquinho sobre propostas recebidas para não renunciar à prefeitura de Itabaiana é um soco no estômago da institucionalidade que parte da imprensa, entorpecida pela normalização do absurdo, preferiu ignorar. Não se trata de fofoca de diretório; trata-se da denúncia de uma tentativa de sequestro da vontade popular por meio de ofertas que, se confirmadas, transformam o cargo público em mercadoria de troca sob o balcão das conveniências.
A analogia com o “Caso Moro” é inevitável e necessária para iluminar a cegueira seletiva de alguns. Quando um juiz abandona a toga sob a promessa de uma cadeira no Supremo, ou quando um prefeito é instado a permanecer no cargo mediante vantagens escusas, o que se fere é a natureza do mandato. A vantagem indevida, objeto do desejo na corrupção, não se resume a notas de cem reais em caixas de sapato; ela se manifesta na promessa de poder futuro, na indicação política ou no conforto de um cargo vitalício. É o Direito Penal sendo usado como moeda de troca na feira das vaidades eleitorais.
É preciso desenhar para quem não quer ver: a corrupção é um crime de via dupla, mas de trilhos independentes. Se o prefeito recusou a oferta, ele preservou a própria biografia, mas não extinguiu o crime de quem bateu à sua porta. No momento em que alguém oferece um benefício para manipular uma renúncia ou uma candidatura, o crime de corrupção ativa está consumado, independentemente do sucesso da investida. O ofertante já delinquiu; a lei não exige o “aperto de mãos” para que o Estado se sinta lesado.
O que Valmir expôs foi o “lado B” de um sistema que opera no escuro. Se houve proposta de vantagem para interferir no jogo democrático de Itabaiana, há um corruptor à solta que se sente confortável o suficiente para tentar comprar o destino da cidade. Ignorar isso é ser cúmplice por omissão. A imprensa que se cala diante da gravidade dessa “oferta” ajuda a sedimentar a ideia de que, na política, tudo tem um preço, e a ética é apenas um detalhe negociável entre uma renúncia e uma indicação.
O Ministério Público – leia-se Procuradoria Regional Eleitoral – não pode tratar tais declarações como retórica eleitoral ou desabafo de quem sai do palco. Se houve a promessa de vantagem, houve o crime. É necessário dar nome aos bois e CPF aos proponentes. A democracia não sobrevive se o cargo público continuar sendo tratado como um item de leilão, onde o lance inicial é a ética e o martelo bate sobre a cabeça do eleitor, que assiste a tudo sem saber que seu voto foi negociado antes mesmo da urna eletrônica emitir o primeiro sinal sonoro.

É hoje, 9, às 17h, lançamento do livro “Invisíveis – a cidade que ninguém vê” do jornalista Anderson Barbosa Hoje, 9, a partir das 17, na biblioteca Pública Epiphanio Dória, será lançado o livro “Invisíveis – a cidade que ninguém vê”, resultado de 10 anos do projeto Que Vem das Ruas, capitaneado pelo jornalista Anderson Barbosa. O livro tem a parceria Infographics Editora e da Dika Publicações Inteligentes. “Nesta última década, aprendi muito com as pessoas em situação de rua; devo a Deus e a elas o pouco que sei sobre o tema e os inúmeros aprendizados em minha vida pessoal. Este é um trabalho cuja venda será integralmente revertida para as instituições que atuam diretamente com esse público, entre elas: Pastoral Povo da Rua, Movimento Nacional População de Rua e Associação Católica Bom Pastor. Não deixe de adquirir um exemplar para que essas organizações continuem realizando esse trabalho tão necessário para a transformação de tantas vidas. Ficarei muito feliz com a sua presença no dia 9 de abril”, destacou Anderson no convite. A programação começa às 8h com uma exposição, o lançamento do projeto “Água Para Quem Precisa” e a venda dos exemplares; o lançamento oficial do livro ocorrerá às 17h.
CEAC: Detran, um órgão público, atendimento de primeira. Energisa, empresa privada, herdeira da antiga Energipe, que foi privatizada uma Vergonha! Cadê a agência reguladora de SE? Dormindo em berço esplendido Contraponto no atendimento do CEAC: no Detran, um órgão público, este jornalista foi duas vezes nos últimos dias (Riomar e rodoviária) e foi atendido rapidamente e com atenção (funcionários terceirizados). Já na Energisa, empresa privada, uma vergonha. Pelo atendimento digital tem um robô de nome “Gisa” que só faz comer o juízo do consumidor. No atendimento presencial no CEAC/Riomar, um usuário ontem recebeu uma senha para o dia 23 de Abril. Um absurdo! Cadê a agência reguladora? Deixa prá lá. O usuário vai ter a energia cortada porque está recebendo 2 contas e não pagará dobrado. Pelo jeito a Energisa perde feio para o atendimento da Iguá.
https://infonet.com.br/blogs/claudio-nunes/o-crime-da-promessa-quando-a-politica-vira-balcao-de-negocios/