Por Leticia Fernandes/Estadão Conteúdo
22/04/2026 às 09:38
Foto: Edilson Rodrigues/Arquivo/Agência Senado
Flávio Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer apresentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na campanha como um nome antigo na política e criar a ideia de que ele, sim, seria o “Opala velho” da disputa presidencial de outubro.
Em fevereiro, Flávio acusou o petista de ser um “Opala velhão” e um “produto vencido”, ao que o petista respondeu com ironia, dizendo que Jair Bolsonaro, pai do senador, “está no desmanche”.
A ideia de interlocutores do presidente é mostrar que Flávio, apesar de 36 anos mais novo que Lula, é um nome antigo e “batido” na política, especialmente na do Rio de Janeiro.
A estratégia consiste em citar o histórico do senador, que foi deputado estadual por quatro mandatos e construiu capital político no Estado em que todos os ex-governadores eleitos nos últimos 30 anos foram presos, cassados ou afastados após processo de impeachment.
O entorno de Lula também pretende pôr na conta de Flávio polêmicas colecionadas no mandato de Jair Bolsonaro, entre elas a omissão ao lidar com a epidemia de covid-19 e a articulação da tentativa de golpe de Estado, que culminou com a condenação e prisão do ex-presidente.
Contraponto entre Lula e Bolsonaro no cenário internacional
Os ataques da campanha de Lula também querem mirar a visão do governo Bolsonaro e as ações da família no cenário internacional.
Dirigentes do PT ouvidos pela Coluna do Estadão defendem a apresentação de um contraponto entre os dois, explorando a ideia de que, fora do Brasil, Bolsonaro era excluído das conversas e sua gestão, vista como “radioativa”. Além disso, querem apontar que o ex-presidente não era um líder que despertava interesse, tanto que não era procurado por outros mandatários.
Aliados de Lula alegam que o petista, por outro lado, é requisitado e se relaciona bem com chefes de Estado de todas as colorações políticas, inclusive com Donald Trump, com quem criou boa relação após a imposição do tarifaço aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos. A campanha do PT vai bater na tecla de que a articulação pró-tarifaço teve o dedo dos Bolsonaro.
Interlocutores do presidente destacam ainda que, em viagens internacionais como a que ocorreu nos últimos dias pela Espanha, Alemanha e Portugal, o petista chega a receber mais de 20 pedidos de reuniões bilaterais. Às vezes faz até “bilaterais informais” no corredor dos eventos, tamanha seria a sua popularidade no exterior.
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