segunda-feira, abril 13, 2026

Lula aconselha seu “companheiro Alexandre” a colocar a culpar a própria mulher

Publicado em 13 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Moraes descarta ação na Justiça dos EUA durante jantar com Lula

Lula tem motivos para jogar aos leões seu “companheiro”

Thais Oyama
O Globo

O presidente Lula, em entrevista ao ICL Notícias, referiu-se ao ministro do STF Alexandre de Moraes como “companheiro Alexandre” para, três frases depois, jogá-lo literalmente aos leões. Dois dias após a CPI do Banco Master revelar que o patrimônio do magistrado triplicou desde a sua chegada ao STF — e que só os 17 imóveis que possui com a mulher estão avaliados em R$ 31,5 milhões —, Lula afirmou que quem quer “ficar milionário não pode ser ministro da Suprema Corte”.

Disse ainda que “salário de deputado, governador, e presidente da República não permite que ninguém seja rico”. E acrescentou: se alguém enriquece durante o mandato, é “porque teve outras coisas para ficar rico”. Um pouco mais e Moraes ficaria tentado a enquadrar Lula num de seus inquéritos imorríveis.

RAZÕES ELEITORAIS – O presidente tem vários motivos — até onde a vista alcança, todos de natureza eleitoral — para largar a mão daquele a quem, por mais de uma ocasião, chamou de “salvador da democracia” — uma das togas mais poderosas do tribunal que foi o parceiro institucional e instância de sustentação de seu governo nos choques com o Congresso.

A primeira razão para Lula descartar o até aqui aliado Moraes é que a sucessão de revelações sobre as ligações cada vez mais escancaradas entre o Banco Master e os cada vez menos egrégios ministros do Supremo tornou improvável a contenção do escândalo — e Lula não pode se dar ao luxo de ficar na contramão da opinião pública.

Segundo a última pesquisa Quaest, mais brasileiros não confiam no STF (49%) do que confiam (43%); e 66% querem votar em candidatos ao Senado que apoiem o impeachment de ministros. O pior dado para Lula: 59% veem a Corte como aliada do governo.

OUTRO MOTIVO -Há uma segunda razão para ele abandonar Moraes — cuja biografia disse ter tentado salvar sugerindo ao ministro uma declaração de impedimento e um truque retórico (“Diga textualmente: ‘Minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença pra mim, ela faz as coisas…’.”).

Essa razão passa pelo fato de, assim como Lula, Flávio Bolsonaro dar um braço para não ter de subir num palanque e falar sobre o envolvimento de ministros do STF no caso Master.

O filho de Jair Bolsonaro segue com o freio de mão puxado no assunto não apenas por ter pai presidiário e à mercê da Corte, mas por temer pela própria sorte. Assombra-o a hipótese — até agora nem cogitada, nem fundamentada — de integrantes da Corte produzirem um fato jurídico que leve o TSE a indeferir o registro de sua candidatura.

PONDERADO DEMAIS – Por isso, até aqui, o bolsonarista vem tratando com ponderada distância os passivos de Moraes e Dias Toffoli. E o combinado é que, provocado, ele jogue para os candidatos ao Congresso a resposta sobre eventuais impeachments.

Próceres do PL receiam ainda pelo destino de cinco pré-candidatos do partido ao Senado que respondem a ações no Supremo, entre eles Carlos Bolsonaro.

Por motivos distintos, tanto Lula quanto Flávio pretendiam manter a maior distância possível do inconveniente assunto dos magistrados radioativos. A entrada de Caiado na eleição, porém, tende a obrigar os dois a mudar o jogo.

CAIADO NO ATAQUE – Na semana passada, o candidato do PSD declarou que, antes mesmo de um eventual impeachment de ministros, o STF deveria “cortar na própria carne” e afastar os nomes envolvidos no escândalo.

Ao arrastar o tema para a arena presidencial, Caiado obriga Flávio a segui-lo, ao mesmo tempo que força Lula a se mexer para não ficar com o mico na mão.

Por fim, a terceira razão para o petista buscar distanciamento sanitário do ex-aliado Moraes nasce do solo fértil da especulação: é que um passarinho, altamente informado sobre o andamento das investigações do Master, contou a Lula que mais coisa pesada vem por aí — e que não há salvação para a biografia do companheiro Alexandre.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Os astros estão entrando em conjunção e Moraes vai apodrecer dia-a-dia, em público, sendo torturado aos poucos, com a mesma desumanidade que ele demonstrou ao julgar os terríveis terroristas do 8 de Janeiro. O ministro-companheiro já não serve mais ao amigo Lula e precisa pagar os pecados. Vida que segue, diria João Sadanha, de olha na Copa. (C.N.)