sábado, abril 18, 2026

Farra da hora extra na Câmara: um grupo de 13 servidores recebeu R$ 9,3 milhões


O diretor-geral da Câmara dos Deputados, Guilherme Barbosa Brandão, ganhou  R$ 22.931,04 em horas extras no mês de março deste ano. Para chegar a esse  valor, Brandão teria de trabalhar até oAndre Shalders
Metrópoles

Um grupo de 13 servidores concursados em altos postos da Câmara dos Deputados recebeu R$ 9,3 milhões apenas em horas extras da Casa desde 2016, em valores corrigidos pela inflação. Como mostrou a coluna, um pequeno grupo de servidores da Casa, em posições de direção, passou a ter ganhos extraordinários com as horas extras pagas pela Câmara, frequentemente acima de R$ 20 mil ou mesmo R$ 30 mil mensais.

Por ser considerada uma verba “extraordinária”, esse tipo de pagamento está fora do teto constitucional, que limita os ganhos de servidores públicos, e não desconta Imposto de Renda.

FALSA HORA EXTRA – Para alcançar esse valor, os servidores teriam que trabalhar até o limite de horas extras permitidas durante a semana e ainda dar expediente aos fins de semana e feriados.

O levantamento foi feito com base em raspagem de dados públicos da própria Câmara, que disponibiliza as informações sobre os contracheques dos servidores em seu site. O grupo de 13 servidores representa aqueles que receberam os maiores valores em horas extras desde 2016.

O maior valor foi recebido pelo advogado-adjunto da Casa, Daniel Borges de Moraes: R$ 1.062.774,22. Em 2025, foram R$ 174,6 mil em horas extras. O levantamento mostra que o recebimento de valores elevados em horas extras é mais antigo: em 2019, por exemplo, foram R$ 150,3 mil.

ÍNDICE DE CORREÇÃO – Os valores de anos anteriores foram corrigidos pela inflação usando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O segundo maior recebedor de recursos nesse período foi o atual diretor-geral da Câmara, Guilherme Barbosa Brandão, com R$ 823,9 mil recebidos desde 2016. Em 2025, o servidor recebeu R$ 160,7 mil em horas extras, atrás apenas de Daniel Borges de Moraes.

Guilherme Brandão é diretor-geral da Câmara desde agosto de 2025, indicado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele foi alçado ao cargo para substituir Celso de Barros Correia Neto, o diretor-geral anterior, ligado a Arthur Lira (PP-AL). Brandão é servidor concursado da Câmara há mais de 12 anos.

JORNADA EXTENUANTE – No organograma da Casa, o diretor-geral é o responsável pelo funcionamento administrativo da instituição. Na sequência, aparecem outros servidores em posições estratégicas da Casa.

Em nota à coluna, a Câmara dos Deputados disse que os servidores mencionados recebem horas extras em função de “jornada semanal extenuante, ordinariamente superior a 40 horas” e que a frequência dos servidores tem “registro obrigatório em sistema eletrônico biométrico, tanto durante os dias úteis quanto aos fins de semana”.

“Ressalte-se que não há pagamento de serviço extraordinário sem a devida justificativa formal, prévia autorização e o correspondente registro biométrico no sistema de ponto eletrônico. A realização de serviço extraordinário por esses servidores observa rigorosamente todos os requisitos estabelecidos na Lei nº 8.112/1990, bem como os normativos internos da Câmara dos Deputados”, diz o texto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Matéria importante revoltante enviada por José Perez, sempre atento aos lances da política. Jornada extenuante? Ora, todo mundo sabe que a Câmara só funciona de terça a quinta-feira… Num país medianamente civilizado, essa gentalha já teria sido demitida e encarcerada. Mas aqui no Brasil são servidores altamente prestigiados e respeitados. (C.N.)


Nota da Redação Deste Blog - 


EDITORIAL: O Oscar da Imoralidade – A Farra das Horas Extras enquanto o Povo Padece


Por José Montalvão

É de revirar o estômago. Enquanto os "donos do poder" em Brasília pregam austeridade, cortam verbas da educação e saúde, e discutem com má vontade cada centavo de aumento no salário mínimo ou no Bolsa Família, nos bastidores da Câmara dos Deputados a realidade é outra. Lá, o dinheiro público — aquele suado, fruto do trabalho de cada brasileiro — escorre pelo ralo de uma "indústria" imoral de horas extras que beneficia uma elite de servidores altamente prestigiados.

A denúncia trazida pelo portal Metrópoles revela o que o cidadão comum já desconfiava: o sistema é feito para se proteger, se locupletar e rir da cara do contribuinte.


1. A Perfeição do Esquema: Eu Autorizo, Eu Faço, Eu Recebo

O cenário descrito beira o surrealismo. Estamos diante de um sistema onde a fiscalização é uma piada de mau gosto. Como bem pontuado por observadores atentos, o nível de "perfeição" de certos diretores da Câmara é digno de um Oscar de malandragem:

  • O Ciclo Vicioso: O diretor autoriza a própria hora extra, afirma que a cumpriu (muitas vezes apenas entrando por um portão e saindo por outro), verifica a própria frequência e, por fim, autoriza o próprio pagamento.

  • Acima do Teto: Por ser verba "extraordinária", esses valores — que chegam a R$ 30 mil mensais apenas de extra — não batem no teto constitucional e nem sofrem o desconto do Imposto de Renda que castiga o trabalhador comum.

É um tapa na face de quem vive com um mínimo e ainda precisa enfrentar a falta de água, a saúde precária e a insegurança.

2. Os Números da Vergonha: R$ 9,3 Milhões para 13 Pessoas

O levantamento de dados públicos expõe o tamanho do abismo social e moral:

  • Um seleto grupo de 13 servidores abocanhou R$ 9,3 milhões em horas extras desde 2016.

  • Há casos de servidores recebendo mais de R$ 170 mil anuais apenas de "extra". Para cumprir isso legalmente, teriam que viver dentro da Câmara, trabalhando todos os fins de semana e feriados, sem descanso.

Enquanto isso, quando o assunto é liberar recursos para assistência social ou para garantir que famílias de detentos não passem necessidade (um dever do Estado para evitar que o ciclo do crime se perpetue na fome), o discurso é sempre o mesmo: "não há orçamento".


3. A Culpa do Voto e a Acomodação do Povo

É duro admitir, mas essa "gentalha" — que em países civilizados estaria enfrentando processos de demissão e cárcere — só continua no poder porque o povo, muitas vezes massacrado e humilhado, acaba votando nos mesmos carrascos. Parece que o Brasil se acostumou ao sofrimento.

A seletividade do sistema político é gritante. Para o pobre, o rigor da lei e a economia de palito. Para a cúpula do funcionalismo e seus padrinhos políticos, a "farra" sem limites.


Conclusão: Só Jesus na Causa?

Dizer que "só Jesus na causa" é um reflexo do nosso desespero, mas a mudança real precisa vir da indignação que vira voto consciente. Não podemos aceitar que justificativas formais e "registros biométricos" escondam uma imoralidade que salta aos olhos.

O Brasil não será consertado enquanto o diretor da Câmara puder ser o juiz e o beneficiário da própria jornada. Tragam o Oscar da impunidade, pois, nesse teatro de horrores, o povo brasileiro continua sendo o único figurante que paga a conta do espetáculo.


Blog de Dede Montalvão: Denunciando a farra com o dinheiro público e clamando por justiça social.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)