EDITORIAL: O Oscar da Imoralidade – A Farra das Horas Extras enquanto o Povo Padece
É de revirar o estômago. Enquanto os "donos do poder" em Brasília pregam austeridade, cortam verbas da educação e saúde, e discutem com má vontade cada centavo de aumento no salário mínimo ou no Bolsa Família, nos bastidores da Câmara dos Deputados a realidade é outra. Lá, o dinheiro público — aquele suado, fruto do trabalho de cada brasileiro — escorre pelo ralo de uma "indústria" imoral de horas extras que beneficia uma elite de servidores altamente prestigiados.
A denúncia trazida pelo portal Metrópoles revela o que o cidadão comum já desconfiava: o sistema é feito para se proteger, se locupletar e rir da cara do contribuinte.
1. A Perfeição do Esquema: Eu Autorizo, Eu Faço, Eu Recebo
O cenário descrito beira o surrealismo. Estamos diante de um sistema onde a fiscalização é uma piada de mau gosto. Como bem pontuado por observadores atentos, o nível de "perfeição" de certos diretores da Câmara é digno de um Oscar de malandragem:
O Ciclo Vicioso: O diretor autoriza a própria hora extra, afirma que a cumpriu (muitas vezes apenas entrando por um portão e saindo por outro), verifica a própria frequência e, por fim, autoriza o próprio pagamento.
Acima do Teto: Por ser verba "extraordinária", esses valores — que chegam a R$ 30 mil mensais apenas de extra — não batem no teto constitucional e nem sofrem o desconto do Imposto de Renda que castiga o trabalhador comum.
É um tapa na face de quem vive com um mínimo e ainda precisa enfrentar a falta de água, a saúde precária e a insegurança.
2. Os Números da Vergonha: R$ 9,3 Milhões para 13 Pessoas
O levantamento de dados públicos expõe o tamanho do abismo social e moral:
Um seleto grupo de 13 servidores abocanhou R$ 9,3 milhões em horas extras desde 2016.
Há casos de servidores recebendo mais de R$ 170 mil anuais apenas de "extra". Para cumprir isso legalmente, teriam que viver dentro da Câmara, trabalhando todos os fins de semana e feriados, sem descanso.
Enquanto isso, quando o assunto é liberar recursos para assistência social ou para garantir que famílias de detentos não passem necessidade (um dever do Estado para evitar que o ciclo do crime se perpetue na fome), o discurso é sempre o mesmo: "não há orçamento".
3. A Culpa do Voto e a Acomodação do Povo
É duro admitir, mas essa "gentalha" — que em países civilizados estaria enfrentando processos de demissão e cárcere — só continua no poder porque o povo, muitas vezes massacrado e humilhado, acaba votando nos mesmos carrascos. Parece que o Brasil se acostumou ao sofrimento.
A seletividade do sistema político é gritante. Para o pobre, o rigor da lei e a economia de palito. Para a cúpula do funcionalismo e seus padrinhos políticos, a "farra" sem limites.
Conclusão: Só Jesus na Causa?
Dizer que "só Jesus na causa" é um reflexo do nosso desespero, mas a mudança real precisa vir da indignação que vira voto consciente. Não podemos aceitar que justificativas formais e "registros biométricos" escondam uma imoralidade que salta aos olhos.
O Brasil não será consertado enquanto o diretor da Câmara puder ser o juiz e o beneficiário da própria jornada. Tragam o Oscar da impunidade, pois, nesse teatro de horrores, o povo brasileiro continua sendo o único figurante que paga a conta do espetáculo.
Blog de Dede Montalvão: Denunciando a farra com o dinheiro público e clamando por justiça social.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)