Publicado em 25 de abril de 2026 por Tribuna da Internet
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Oficiais se tornaram companheiros de cela
Thaísa Oliveira
Folha
Os cinco coronéis da Polícia Militar do Distrito Federal presos pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro de 2023 fizeram uma espécie de acordo de paz na prisão e deram uma trégua nas rixas históricas, segundo relatos de familiares e advogados que estiveram com o grupo.
Os ex-oficiais estão presos desde 11 de março na chamada Papudinha, batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal que fica ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, e dividem o mesmo espaço. Os cinco detinham a patente mais alta da Polícia Militar, de coronel. Dois deles, Fábio Augusto Vieira e Klepter Rosa Gonçalves, foram comandantes-gerais da corporação, enquanto outros dois, Jorge Eduardo Naime Barreto e Marcelo Casimiro, estavam na fila de sucessão. Apenas Paulo José Ferreira já estava na reserva remunerada antes de ser preso.
DISPUTAS – Pessoas próximas aos coronéis contam que eles, até mesmo por serem contemporâneos (ingressaram na Polícia Militar cerca de 30 anos atrás), sempre disputaram espaço na estrutura da corporação e nunca esconderam o desejo de chegar aos cargos mais altos.
Ao longo do processo judicial que levou os militares à condenação, as defesas também trocaram acusações sobre os responsáveis pela invasão e destruição das sedes dos Três Poderes.
RELAÇÃO AMISTOSA – Hoje presos na mesma cela, os militares estão tentando ter uma relação amistosa. Os cinco tiveram duras conversas nos primeiros dias de prisão, com cada um tentando dar a própria versão dos fatos. Após a lavação de roupa suja, combinaram de não apontar os dedos uns para os outros.
Os coronéis foram expulsos da PMDF na segunda-feira (13) da semana passada por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar, estava sozinho em um cômodo ao lado. O ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal) Silvinei Vasques e o ex-presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) Alessandro Stefanutto também estão presos no batalhão.