quinta-feira, abril 23, 2026

EDITORIAL: O STF e o Espelho da Urna – Por que a Culpa não é Apenas da Toga, mas de Quem Vota

 

EDITORIAL: O STF e o Espelho da Urna – Por que a Culpa não é Apenas da Toga, mas de Quem Vota


Por josé Montalvão 

Caro Junior de Santinha, acompanhei suas ponderações e sinto que precisamos jogar um pouco de luz sobre essa questão que divide o Brasil. É verdade: os ministros do STF não são santos. São homens e mulheres sujeitos a erros, vaidades e interpretações que, por vezes, desafiam o entendimento comum. Porém, é preciso honestidade intelectual para reconhecer um fato: essa pressão asfixiante e orquestrada contra o Supremo só ganhou essa proporção no governo Bolsonaro.

Você mencionou que os políticos têm medo do Supremo. E eu lhe digo: realmente, só tem medo da Corte quem tem contas a prestar. Os corruptos e os ímprobos, acostumados a caminhar sob o manto da impunidade, agora se veem diante de um tribunal que, acertando ou errando, é o último obstáculo contra o vale-tudo institucional.


1. O Dever de Casa Começa na Urna

Não adianta querermos que a engrenagem do país funcione se nós, o povo, não fizermos o nosso dever de casa. O grito contra o STF muitas vezes serve como uma cortina de fumaça para esconder a nossa própria falha como eleitores.

  • A Escolha Consciente: Enquanto continuarmos elegendo políticos com capivaras extensas, não podemos reclamar quando o Judiciário precisa intervir.

  • O Vício do Voto: Muitos candidatos estão por aí, batendo de porta em porta em busca de votos. O povo sabe quem é corrupto, conhece a fama de quem "rouba mas faz", e ainda assim aperta o número na urna.

2. Quem é o Verdadeiro "Ladrão"?

Existe uma frase dura, mas necessária: não adianta dizer que todo político é ladrão, porque, no fim das contas, mais culpado é quem elege o político sabendo de sua conduta. O voto é uma procuração que passamos para alguém administrar o nosso dinheiro e o nosso futuro. Se damos essa procuração para um desonesto, estamos sendo cúmplices da própria ruína.

Tentar enrolar os menos esclarecidos com discursos inflamados contra os ministros é fácil. Difícil é olhar no espelho e admitir que o sistema só é podre porque a base — a escolha popular — está viciada por interesses momentâneos ou pela falta de critério.


3. O STF como Alvo de Conveniência

Jogar a culpa de todos os males do Brasil no STF tornou-se um esporte nacional para desviar o foco da incompetência do Legislativo e do Executivo. Se tivéssemos um Congresso Nacional limpo, técnico e comprometido com o povo, o Supremo não precisaria ser provocado a decidir sobre tantos temas. O ativismo judicial, que muitos criticam, muitas vezes nasce do vácuo deixado por políticos que não trabalham.


Conclusão: A Mudança não vem da Toga, vem da Mão

A mudança que o Brasil precisa não virá do fechamento do STF ou da troca de ministros por "aliados". A mudança real virá quando o eleitor entender que a arma mais poderosa contra a corrupção não é um processo judicial, mas o dedo que digita o número na urna.

Enquanto o povo eleger "carrascos" e esperar que eles se tornem "salvadores", continuaremos vivendo esse ciclo de frustração. O maior culpado pelos desmandos, infelizmente, é quem dá o poder a quem não o merece. Menos bravatas contra as instituições e mais consciência na hora de votar.


Blog de Dede Montalvão: Falando as verdades que incomodam, defendendo a democracia e cobrando a responsabilidade do eleitor.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)