EDITORIAL: O Diploma não Cura a Miopia Social – O Perigo do "Doutor Analfabeto" na Política
O acúmulo de títulos acadêmicos deveria, em tese, ser acompanhado pelo desenvolvimento de um senso crítico aguçado e de uma ética voltada ao bem comum. No entanto, o que assistimos com frequência no Brasil é o fenômeno do "doutor analfabeto": indivíduos com diplomas universitários pendurados na parede, mas que demonstram uma estupidez política alarmante ao defender a politicagem em detrimento do povo e da nação.
A educação formal sem sabedoria prática e sem consciência social torna-se uma ferramenta vazia, usada muitas vezes para sustentar estruturas de poder que massacram os menos favorecidos.
1. Política vs. Politicagem: A Confusão de quem deveria saber mais
É preciso separar o joio do trigo. A Política é a arte da gestão do bem comum, o esforço para organizar a sociedade de forma justa. Já a politicagem é o seu oposto: é o foco nos interesses próprios, na corrupção, na troca de favores e na manipulação de massas.
O cúmulo da estupidez ocorre quando o cidadão instruído, que teve acesso ao conhecimento, utiliza sua voz para validar a politicagem. Ao fazer isso, ele não está apenas demonstrando falta de visão; está agindo contra a própria pátria. Um diploma não deveria servir de escudo para o egoísmo, mas sim de lente para enxergar as injustiças.
2. A Ilusão do Topo da Pirâmide
Um dos comportamentos mais curiosos — e tristes — desses elementos é a crença de que pertencem à elite dominante. Eles pensam que fazem parte do topo da pirâmide e, por isso, defendem ferrenhamente quem está lá em cima.
A ironia é que, na realidade, muitos desses "instruídos" estão no andar de baixo da pirâmide social e econômica, mas sofrem de uma espécie de cegueira de classe. Defendem sistemas que os exploram e ignoram as necessidades do povo, acreditando que a proximidade com o discurso das elites lhes confere uma importância que não possuem na prática.
3. A Responsabilidade de quem Sabe
Quem teve a oportunidade de cursar uma universidade tem uma dívida moral com a sociedade. O conhecimento deve ser usado para libertar, não para sustentar as amarras da manipulação. Quando um acadêmico se torna um defensor da "banda podre" do Congresso ou de manobras que visam apenas o poder pelo poder, ele está desperdiçando sua inteligência e traindo a nação.
A sabedoria real não está na quantidade de livros lidos, mas na capacidade de interpretar a realidade e agir com ética. Um cidadão simples, sem estudo formal, mas com senso de justiça, tem muito mais a ensinar sobre política do que um pós-graduado que se vende aos interesses da politicagem.
Conclusão: O Despertar da Consciência
Não podemos mais aceitar que o diploma seja um salvo-conduto para a omissão ou para o apoio à corrupção. O Brasil precisa de intelectuais que amem o seu povo e de profissionais que entendam que a política deve servir a todos, e não apenas a uma casta de privilegiados.
É hora de desmascarar o "doutor analfabeto" e valorizar o senso crítico. Afinal, a inteligência sem caráter é um perigo para qualquer democracia.
Blog de Dede Montalvão: Denunciando a hipocrisia, valorizando o conhecimento ético e lutando por um Brasil consciente.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)