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EDITORIAL: A Balança Desequilibrada – Transparência para os Ministros e Silêncio para os "Mais Iguais"
A imprensa, para ser o "quarto poder" e manter sua credibilidade, não pode escolher quem colocar na vitrine do escândalo. Vivemos um momento em que as manchetes parecem ter um alvo fixo nos Ministros do STF, enquanto uma "interminável lista" de senadores, deputados e governadores, supostamente envolvidos no imbróglio do Banco Master e em irregularidades do INSS, permanece protegida pela penumbra do rodapé.
Justiça e transparência não admitem "boi de piranha". Se a imprensa exige luz sobre as cortes superiores, deve primeiro ser transparente sobre as relações de todos os vultos da República que compõem esse verdadeiro "ninho de vespas".
1. O Banco Master e a Teia de Relações
As denúncias que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master são de uma gravidade republicana. O que vemos, no entanto, é uma investigação que parece avançar apenas conforme a conveniência política.
Alexandre de Moraes e a Esposa: Muito se fala sobre o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master. Há quem diga que ele apenas valorizou seu trabalho, mas a pergunta que fica é: por que o Congresso e o próprio Judiciário nunca proibiram parentes de ministros de advogar em causas que, direta ou indiretamente, tocam a corte?
Dias Toffoli e Nunes Marques: Relatos de viagens em jatinhos e subcontratações de consultorias ligadas a familiares (como o caso do filho de Nunes Marques e a consultoria de R$ 18 milhões) alimentam a gritaria no Congresso.
A Omissão nos Outros Poderes: Enquanto parlamentares moderados já falam em impeachment — o que muitos veem apenas como bravata eleitoral para iludir o eleitor de 2026 — pouco se vê de investigação sobre os políticos que também frequentavam os eventos de uísque e jantares de Vorcaro.
2. Dois Pesos e Duas Medidas
É fácil apontar o dedo para o Supremo quando ele se torna o "vidraça" da vez. Mas onde está o mesmo empenho investigativo sobre os governadores e parlamentares que aparecem nas agendas e folhas de pagamento desse ecossistema financeiro?
A corrupção no Brasil é sistêmica e histórica. Tratar ministros como os únicos vilões é ignorar que o sistema de "pesos e contrapesos" está aparelhado em todas as suas pontas. Se existe um "combate à desinformação", ele deve começar pela exposição de todos os nomes, e não apenas daqueles que rendem cliques ou atendem a interesses partidários de ocasião.
3. A Imprensa Precisa de Espelho
A credibilidade da imprensa depende da sua imparcialidade. Quando os veículos de comunicação dão destaque absoluto aos magistrados, mas "esquecem" de cobrar transparência sobre as emendas parlamentares e os lobbies que sustentam as campanhas de deputados e senadores, eles deixam de informar para passar a selecionar.
Não se trata de defender erros de ministros, mas de exigir que a lei seja igual para todos. O "quem for podre que se quebre" deve valer para o ministro, mas também para o senador que faz o discurso de moralidade na tribuna enquanto esconde o rastro de suas próprias alianças.
Conclusão: Jeremoabo e o Brasil Exigem Verdade Inteira
O eleitor jeremoabense e brasileiro não pode ser iludido por narrativas parciais. Impeachment de ministro sem a limpeza ética do Congresso é apenas troca de nomes no poder. A transparência deve ser uma via de mão dupla: quem exige, deve praticar.
O Brasil só sairá desse buraco quando a imprensa e os órgãos de controle pararem de escolher "bois de piranha" e passarem a tratar a corrupção como o que ela é: um câncer que não escolhe poder, toga ou mandato.
Blog de Dede Montalvão: Fiscalizando quem julga, quem legisla e quem informa. Sem amarras e sem medo.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)