quinta-feira, abril 23, 2026

EDITORIAL: As Colunas de uma História Oculta – A Origem da Maçonaria em Jeremoabo e o "Freio de Arrumação" na Instituição

 

EDITORIAL: As Colunas de uma História Oculta – A Origem da Maçonaria em Jeremoabo e o "Freio de Arrumação" na Instituição


Por José Montalvão

Assistindo ao vídeo do Baile da Maçonaria, que celebra os 49 anos de fundação da ARLS Filhos de São João nº 89, fui transportado para um tempo de desafios, coragem e muita discrição. Ver a festa tradicional de hoje é motivo de orgulho, mas sinto-me no dever de resgatar a verdade histórica que, muitas vezes, o tempo tenta apagar das atas e das memórias.

Para que a história seja justa, é preciso registrar: antes dos 49 anos de registro oficial, a Maçonaria em Jeremoabo já pulsava. E pulsava dentro de uma delegacia, sob o comando do Delegado Santana, que era também Inspetor da Região. Modéstia à parte, tive a honra de ser o primeiro Venerável e fundador, na época detentor do Grau 18, conforme registrado nos livros da Loja e da Grande Loja.


1. O Porquê da Maçonaria em uma Terra de Beatas

Muitos se perguntam: qual a razão de instalar uma Loja Maçônica em Jeremoabo naquela ocasião, uma cidade onde a maioria absoluta era católica fervorosa, com grande influência de beatas e uma Igreja que se intrometia em tudo — da educação ao Judiciário?

A resposta é estratégica e histórica. Lembro-me bem de um encontro no posto do INSS (onde fui chefe por décadas) com o saudoso deputado estadual Clemenceau. Ele, que era Grão-Mestre do Grande Oriente, desabafou sobre o absurdo da interferência eclesiástica em todos os órgãos da cidade, inclusive na polícia. O diagnóstico era claro: o único "freio de arrumação" possível para equilibrar as forças sociais e garantir o livre pensamento seria a instalação da Maçonaria.

2. O Nascimento nas Sombras e os Baluartes

Como a Maçonaria em Jeremoabo era considerada "quase impossível", as primeiras sementes foram plantadas em silêncio. Com o apoio do Inspetor Santana, iniciamos as primeiras reuniões na própria Delegacia de Polícia. Naquelas colunas inaugurais, estávamos:

  • Tenente Santana (Delegado);

  • Coronel João Carlos;

  • José Dantas Martins Montalvão;

  • Pires (Subgerente do Banco do Brasil).

Contamos com o apoio fundamental dos irmãos de Paulo Afonso, como o Dr. Ricardo (Administrador da CHESF) e o irmão Simões (Gerente do BB). Em Salvador, o Tenente Macieira e o Grão-Mestre Osvaldo Biscaia foram cruciais — inclusive mantendo diálogos diplomáticos com Dom Avelar Brandão para assegurar que a Ordem pudesse florescer em solo jeremoabense sem perseguições.


3. Pedras que Sustentam o Templo

Se hoje o Templo está de pé e as luzes brilham, é porque homens como Manoel de Carvalho Santana, Dalvinho e Vicente de Paula Costa (que doou o terreno) foram verdadeiros baluartes. Permaneci como Venerável Mestre desde a criação até a inauguração oficial, passando o malhete ao saudoso irmão Hugo após a consolidação da oficina.

A história é longa e cheia de detalhes que as atas (espero que o vento não as tenha levado!) devem guardar com zelo. A Maçonaria em Jeremoabo não nasceu apenas para ser um clube social, mas para ser um farol de luz, razão e equilíbrio em tempos onde o pensamento era vigiado.


Conclusão: Honrar o Passado para Celebrar o Futuro

Ao ver a celebração dos 49 anos, rendo minhas homenagens aos irmãos do passado e do presente. Que a ARLS Filhos de São João nº 89 nunca se esqueça de que suas fundações foram moldadas com a coragem de quem enfrentou o fanatismo e o preconceito para plantar os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade em nossa terra.

A história está gravada. Que o G.A.D.U. continue iluminando os trabalhos dessa Loja que tive a honra de fundar e dirigir em seus primeiros e mais difíceis passos.


Blog de Dede Montalvão: Guardião da memória, fiscal da história e defensor das instituições que dignificam Jeremoabo.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)