O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na frente na largada de 2026, mas o pós-Datafolha já virou guerra de narrativa. Horas depois de a pesquisa mostrar Lula com 39% no primeiro turno e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 35%, a direita correu para explorar o 46% a 45% do segundo turno, um empate técnico dentro da margem de erro.
É daí que a leitura precisa partir.
Sem primeiro turno, não existe segundo turno.
Na espontânea, quando o eleitor responde sem receber a lista de candidatos, Lula aparece com 26% e Flávio Bolsonaro com 16%. No cenário estimulado, o presidente marca 39% e o senador, 35%. O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios, entre terça-feira (7) e quinta-feira (9), com margem de erro de dois pontos e registro BR-03770/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O fato novo, portanto, não é uma virada consolidada.
O fato novo é a tentativa de transformar um aperto estatístico em clima político.
No segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 46% contra 45% de Lula. Em março, o mesmo Datafolha mostrava Lula à frente por 46% a 43% nesse confronto. A oscilação existe, mas segue dentro da margem de erro. Em linguagem simples, a pesquisa não aponta vitória fechada de ninguém.
Parte da cobertura destacou o susto adiante. O movimento da oposição foi outro: usar esse recorte para vender uma sensação de arrancada, como se a eleição já estivesse mudando de dono em abril.
Os números não entregam isso.
Entregam uma disputa apertada no segundo turno e uma liderança real de Lula na fase que decide quem chega vivo à reta final.
O bastidor da direita ajuda a explicar a pressa.
Neste sábado (11), um vídeo publicado nas redes de Flávio Bolsonaro ao lado de Romeu Zema (Novo-MG) reacendeu rumores de composição. Na peça, Zema aparece em tom descontraído e lança, entre risos, um convite para que Flávio Bolsonaro seja seu vice, gesto suficiente para reaquecer uma conversa que vinha sendo tratada com cautela.
https://www.esmaelmorais.com.br/direita-usa-datafolha-para-vender-arrancada-de-flavio-bolsonaro/
