sábado, abril 25, 2026

Conselho de Cultura aprova tombamento da capela centenária em Estância

A decisão reconhece o valor histórico, cultural e religioso da capela localizada na Praia do Saco e amplia os instrumentos de proteção do patrimônio cultural

 

(Foto: redes sociais)

O Conselho Estadual de Cultura de Sergipe, órgão vinculado à Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), aprovou por unanimidade, em reunião extraordinária nesta sexta-feira, 24, o tombamento da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, localizada na Praia do Saco, em Estância. A decisão reconhece o valor histórico, cultural e religioso da capela e amplia os instrumentos de proteção do patrimônio cultural sergipano.

A sessão foi realizada na Academia Sergipana de Letras, em Aracaju, sob a presidência do conselheiro Pascoal D’Ávila Maynard Júnior. O requerimento de tombamento foi apresentado pela própria Academia Sergipana de Letras, que já vinha se manifestando em defesa da preservação da igreja como marco da formação histórica e religiosa do litoral sul sergipano. Com a decisão, o processo segue para registro no livro de tombo do Conselho Estadual de Cultura, instrumento que formaliza a condição de patrimônio cultural de Sergipe.

A deliberação ocorreu em meio à repercussão da decisão da Justiça Federal que determinou a desmontagem e realocação da igreja para outro ponto da Praia do Saco, por causa da erosão costeira, com a condição de reconstrução em área mais segura, preservando suas características arquitetônicas.

Com o tombamento, qualquer intervenção futura deverá observar diretrizes específicas de preservação definidas pelos órgãos competentes, e o Conselho Estadual de Cultura seguirá acompanhando o caso e colaborando tecnicamente na busca de soluções que garantam a continuidade da igreja como referência da memória coletiva de Sergipe.

Para o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Pascoal Maynard, o bem ultrapassa sua dimensão física, envolvendo significados, práticas religiosas e vínculos comunitários que justificam a adoção de medidas de salvaguarda. “O tombamento estadual não encerra o debate sobre a melhor solução para enfrentar os efeitos da erosão costeira, mas acrescenta uma camada de proteção jurídica e técnica à capela. A partir de agora, qualquer intervenção deverá considerar diretrizes específicas de preservação, de modo a compatibilizar segurança, proteção ambiental e continuidade da igreja como referência da memória coletiva sergipana”, afirmou.

Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem

Localizada na Praia do Saco e erguida originalmente no século 16, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem é uma das mais antigas referências de ocupação religiosa do litoral sul sergipano. Ligada à devoção de navegadores e comunidades pesqueiras, a capela se firmou ao longo dos séculos como ponto de fé, de celebrações tradicionais e de forte apego afetivo para moradores e visitantes da região.

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Nota da Redação Deste Blog - 

EDITORIAL: O Prejuízo de Jeremoabo e a Lição de Sergipe – Até quando seremos Omissos com nossa História?


Por José Montalvão

A notícia que chega da vizinha Estância, em Sergipe, deveria servir como um soco no estômago da sociedade jeremoabense. O Conselho Estadual de Cultura de Sergipe acaba de aprovar o tombamento da capela centenária da Praia do Saco. Diante da ameaça da erosão costeira, a Justiça e o Estado se uniram para garantir que a igreja seja desmontada e reconstruída em local seguro, preservando cada traço de sua arquitetura.

Enquanto em Sergipe a memória coletiva é tratada como um tesouro jurídico e técnico, em Jeremoabo assistimos a um espetáculo de descaso. E não venham aqui apenas apontar o dedo para os prefeitos de plantão. A culpa é de todos. A culpa é, principalmente, de uma população que assiste passivamente à destruição de suas raízes.


1. O Inventário da Nossa Destruição

O que Jeremoabo perdeu ao longo das décadas é um prejuízo insanável e irrecuperável. Onde está o orgulho de uma terra que deixou ruir ou ser demolido o seu DNA histórico?

  • Fazenda Caritá: A casa onde nasceu o Barão de Jeremoabo, um dos personagens mais importantes da política imperial, foi entregue ao abandono.

  • Casarão do Coronel João Sá: Um monumento à nossa arquitetura e poder político que hoje é apenas lembrança.

  • A Primeira Capela e a Primeira Casa: Localizadas no coração da cidade, foram apagadas do mapa pela modernidade mal planejada.

  • O Antigo Mercado Municipal: Onde hoje é a Praça Coronel Antônio Lourenço, tínhamos um marco da nossa economia e convivência, hoje inexistente.

Para completar o quadro de horror, até as nossas riquezas naturais sofrem. A Pedra Furada, nosso principal cartão-postal e ponto turístico, começou a ser desfigurada pela Embasa sem que houvesse um levante popular à altura da agressão.

2. Sergipe nos Envergonha (com Bons Exemplos)

O exemplo da Capela da Praia do Saco mostra o que significa valorizar a história. O presidente do Conselho de Cultura de Sergipe, Pascoal Maynard, foi cirúrgico: "O bem ultrapassa sua dimensão física, envolve significados e vínculos comunitários".

Lá, o tombamento acrescentou uma camada de proteção jurídica. Aqui, a camada que acrescentamos é a do esquecimento e do mato que cresce sobre as ruínas. Por que o povo de Estância consegue se mobilizar e o povo de Jeremoabo não? Será que perdemos o amor-próprio pela nossa terra?


3. Uma Inversão de Valores Perigosa

Estamos diante de uma inversão de valores gritante. Valorizamos o que é passageiro e desprezamos o que é eterno. Uma cidade sem prédios históricos é uma cidade sem alma, é um povo sem identidade, que não sabe de onde veio e, por isso, não sabe para onde vai.

Não adianta reclamar do turismo que não chega, se destruímos os motivos que trariam os turistas. Não adianta falar em cultura, se permitimos que a primeira casa construída na cidade fosse derrubada no silêncio dos covardes.


Conclusão: O Silêncio que Enterra o Passado

A omissão é a forma mais lenta de suicídio de uma civilização. Jeremoabo está arancando as páginas do seu próprio livro e jogando fora. Enquanto Sergipe preserva uma pequena capela contra as forças da natureza (a erosão do mar), nós entregamos nossos palácios e pedras à erosão da ignorância humana.

Fica o alerta: se a população não acordar e começar a exigir a proteção do que resta, em breve seremos uma cidade de concreto sem história, vivendo apenas de contos de quem "ouviu falar" que um dia fomos grandes. Basta de omissão!


Blog de Dede Montalvão: Doendo em quem tiver que doer, mas sempre em defesa da memória e do patrimônio de Jeremoabo.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)