Tarcísio diz que não será candidato a presidente neste ano para tristeza de Gilberto Kassab e da elite que, entre outras coisas, não depende de serviços públicos essenciais como educação. Para a maioria da população, porém, a julgar pela gestão do governador no ensino público paulista, uma presidência do “CEO” de São Paulo teria grande chance de agravar nossos atuais problemas e de criar outros pela adoção de falsas soluções.
São Paulo, o estado que concentra 30% do PIB brasileiro, ocupa a medíocre sexta posição no ranking nacional no ensino fundamental (primeiros anos e finais do ensino fundamental) e um vergonhoso oitavo lugar no Ensino Médio de acordo com os números do Ideb de 2023, divulgados em 2024 (aguardamos ansiosamente os mais recentes). No período de 2019 a 2023, a qualidade da educação caiu em todos os níveis de ensino.
Mesmo que a gestão de Tarcísio tenha chegado já com a curva descendente (aliás, com Jair Bolsonaro no governo federal), as soluções propostas a partir daí foram no sentido contrário ao recomendado pelos especialistas, ou seja, a valorização dos professores, o aumento de investimento na educação básica e na formação dos profissionais e a construção de uma relação de confiança e inclusão com os alunos e seus familiares.
Tarcísio reduziu a autonomia dos professores em sala de aula, trocou o livro didático pelas plataformas digitais e a avaliação conjunta do ensino por um sistema de denúncias e punições que aponta unicamente para os professores e em nada contribui para a produtividade nas salas de aula. Como “inovação", trouxe um programa cívico-militar que interfere com a sutileza do elefante na sala em todas as relações escolares - da direção aos alunos.
Ninguém sabe exatamente quem são esses “monitores”, como são chamados os policiais militares aposentados que não realizam nenhuma prova para obter o cargo que lhes garante remuneração superior à dos professores e é contestada pela Procuradoria Geral da República. Os editais para preencher as vagas nas 100 escolas que entraram no programa (das 302 consultadas) falam em provas de títulos - em uma comparação em que entram apenas PMs - e entrevistas (subjetivas). Um caminho livre para o cabide de empregos.
A falta de preparo dos monitores militares foi flagrada de maneira quase anedótica pela TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo no Vale do Paraíba, em São Paulo, como acho que quase todo mundo viu. No vídeo gravado no primeiro dia de aula de uma escola estadual em Caçapava, enquanto um militar ensinava a “ordem unida” (posturas militares) aos alunos, o outro escrevia três palavras na lousa - duas delas com erros de ortografia.