domingo, fevereiro 08, 2026

Palanques exclusivos: a estratégia de Flávio Bolsonaro para fortalecer o PL em 2026


Flávio faz ofensiva por candidatos do PL em todo o país

Vera Magalhães
O Globo

Flávio Bolsonaro lançou uma ofensiva para que o PL lance candidatos a governador em todos os Estados, ameaçando romper alianças já seladas ou em tratativas adiantadas com postulantes de siglas aliadas.

No Espírito Santo, o pré-candidato do PL à Presidência fez com que a seção local do partido recuasse das negociações com o prefeito de Vitória, Lourenço Pazolini, que é do Republicanos, e, agora, a ideia é lançar o senador Magno Malta, que é do próprio PL.

AMEAÇA – Em Minas Gerais, o apoio do partido ao vice-governador Mateus Simões, que recentemente trocou o Novo pelo PSD, também está ameaçado. Flávio vem incentivando a candidatura do deputado federal Nikolas Ferreira, um dos nomes com maior capacidade de mobilização da direita no país.

No Rio, Flávio não aceitou o ensaio do governador e aliado Claudio Castro de lançar o chefe da Casa Civil, Nicola Miccioni, tido como um quadro de perfil mais leve e técnico, mas filiado ao PL há pouco tempo. O filho de Bolsonaro faz carga pelo lançamento de um candidato “raiz” em seu próprio domicílio eleitoral: Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson.

A estratégia de ter candidatos “puro-sangue” visa assegurar que os palanques nos Estados sejam de Flávio, e não compartilhados com algum eventual outro candidato da centro-direita. Também visa buscar a associação direta com o número 22, o que sabidamente aumenta os votos em legenda e pode, também, facilitar a eleição de nomes do PL ao Senado, uma das obsessões da família Bolsonaro neste pleito de 2026.

PRESSÃO – Se for levada a ferro e fogo, a diretriz de ter candidatos do PL em toda a federação joga mais uma pressão nas costas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é do Republicanos, contornou os apelos do próprio Bolsonaro em 2022 para se filiar ao PL e ainda hesita em se alistar nas fileiras de Valdemar Costa Neto.

A avaliação de Tarcísio é que uma candidatura pelo PL seria vista em São Paulo como mais à direita do que ele pretende se mostrar, e poderia afastar o apoio de partidos do centrão e até facilitar a eleição de pelo menos um senador mais moderado, ligado ao projeto reeleitoral de Lula.