terça-feira, fevereiro 10, 2026

Ministro do STJ nega acusações de importunação sexual e pede afastamento


Buzzi diz que nunca teve conduta que ‘envergonhasse’ a família

Mariana Muniz
Sarah Teófilo
O Globo

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, acusado de importunação sexual, enviou carta aos colegas da Corte na qual nega as acusações e afirma jamais ter adotado conduta que “envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”. No texto, o magistrado diz estar “muito impactado” com as notícias divulgadas e informa que se encontra internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional.

Na carta, Buzzi afirma que tomou conhecimento “de modo informal” dos fatos que lhe são imputados e diz repudiá-los. Segundo o ministro, a situação tem causado sofrimento às pessoas de sua família e de seu convívio. Ele declara acreditar que demonstrará sua inocência nos procedimentos já instaurados.

TRAJETÓRIA – O magistrado destaca sua trajetória pessoal e profissional, mencionando ter quase 70 anos, carreira ilibada, casamento de 45 anos e três filhas. Ressalta que esse histórico não deve ser interpretado como prova de inocência, mas como “elemento relevante de coerência biográfica”, que, segundo ele, exige cautela redobrada na apreciação das acusações.

Buzzi afirma ainda que lamenta o sofrimento pessoal e o desgaste imposto ao STJ. No texto, diz estar submetido a “dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar” e critica a divulgação prematura de informações. Além da carta, o ministro apresentou licença médica para tratamento psiquiátrico e solicitou afastamento do cargo por 90 dias, em meio ao avanço das apurações conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A primeira denúncia contra o ministro foi apresentada por uma jovem de 18 anos, que relatou ter sido vítima de importunação sexual durante férias passadas com a família na casa de Buzzi, em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Na semana passada, a jovem foi ouvida pela Corregedoria e confirmou o episódio. Na segunda-feira, outra denúncia foi registrada no CNJ.

MENSAGEM  –  Autoridades da Corte ouvidas pelo O Globo afirmaram que o ministro e pessoas ligadas a ele entraram em contato com outros ministros por meio de aplicativo de mensagem após o registro da segunda denúncia contra ele.

Um dos integrantes da Corte afirmou entender que o contato é indevido e que configura coação no curso do processo. Os episódios teriam ocorrido na noite da última segunda-feira, no mesmo dia em que uma nova denúncia contra o magistrado foi formalizada.