
PSD deve definir candidato a presidente até abril
Samuel Lima
O Globo
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, minimizou o resultado das pesquisas que mostram o trio de governadores presidenciáveis do partido patinando para tirar votos do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro. Segundo o dirigente, os levantamentos ainda não captaram o posicionamento, e a “rejeição brutal” dos líderes na corrida presidencial sugerem que uma surpresa ainda pode ocorrer até outubro.
Kassab apresenta como pré-candidatos os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Levantamento da Quaest, divulgado nesta quarta, mostra Ratinho marcando 8%, no melhor dos cenários, contra 4% das intenções de voto de Caiado e Leite. Eles foram testados separadamente, em linha com o discurso de que um deles será escolhido para representar o grupo até o dia 15 de abril a partir de uma “análise política” da direção do PSD. Ele contestou a ideia de que o cenário desautoriza o movimento.
DIA DA URNA – “Somando os três, eles têm 15, o Flávio tem 18, então vai o Flávio… Não é assim, porque nenhum dos três está se apresentando como candidato definitivo. Isso é muito diferente. Na hora que tiver um candidato colocado com clareza, teremos as pesquisas retratando a realidade do momento, e o que vale é no dia da urna. Tenho confiança que essa terceira via, que é a melhor via, vai se consolidar, ocupar seu espaço, e que ela pode ganhar as eleições. A rejeição é brutal de ambos porque existe a expectativa que surja algo diferente”, argumentou o dirigente.
Kassab, em participação num painel organizado pelo banco BTG Pactual, cometeu um ato falho ao comentar sobre os movimentos anteriores do chefe no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Indagado sobre o que o ex-ministro de Jair Bolsonaro poderia ter feito diferente para obter o aval do aliado na disputa eleitoral, ocupando o lugar de Flávio, o líder do PSD declarou que Tarcísio tinha preferência pela reeleição no estado, “mas não descartava” enfrentar Lula nas urnas em 2026.
“As pessoas não podem ser candidatas de si próprias. Ele sempre se colocou como uma pessoa que estava dando continuidade à sua gestão, mas não descartava ser candidato (a presidente). No momento em que Bolsonaro e o PL escolheram Flávio, ele entendeu, e acho que agiu corretamente “, disse Kassab, contrariando declarações do próprio governador.
INTENÇÃO – Tarcísio sustenta publicamente que nunca trabalhou pela candidatura presidencial e sempre declarou que a sua intenção era permanecer em São Paulo, apesar de relatos nos bastidores em sentido contrário. Outras atitudes durante o mandato, como críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em manifestação bolsonarista, e a articulação em favor do projeto de anistia aos condenados nos ataques de 8 de Janeiro, em Brasília, foram lidos pela classe política como posicionamento evidente pela vaga.
“Vamos ser claros: o Tarcísio é o melhor candidato (a presidente), por sua experiência, por governar São Paulo, por ter perspectiva de vitória mais consistente frente ao atual governo”, continuou Kassab, que precisou ser provocado mais de uma vez para tratar do assunto. “As circunstâncias o levaram a não ser candidato, e estou entre aqueles que, ele não sendo candidato, entendem que precisamos de uma alternativa”.
COERÊNCIA – O chefe do PSD declarou ainda que não pretende cobrar a saída de ministros do governo Lula filiados à sigla, nem que as suas lideranças estaduais tenham comprometimento com o projeto presidencial capitaneado por um dos governadores do trio. Ele, por outro lado, descartou compor pessoalmente com o PT, alegando que precisa ter “coerência na vida”.
“Quem os escolheu ministros (do PSD) foi o presidente Lula entre aqueles que os apoiaram (na eleição passada). Não tem porque eles ficarem ou saírem por iniciativa do partido. Eles têm a sua relação correta e transparente, não é nada oportunista. Não foram colocados por nós e nem serão retirados por nós”, alegou Kassab.
DEFINIÇÃO – Ao final, confirmou que pode ir às urnas em outubro. Nos bastidores, ele tem trabalhado pelo posto de vice-governador na chapa de Tarcísio, atualmente ocupado por um correligionário, Felício Ramuth. Os dois têm uma conversa marcada para o final do mês a fim de definir os próximos passos. Uma possibilidade discutida é a de Ramuth deixar a sigla para se viabilizar no pleito, caso seja barrado no PSD.
“Gosto de disputar eleições. Estou preparado, se surgir circunstância para disputar, não tenho nenhum problema, ao contrário, tenho motivação. Mas, não estou trabalhando para ser candidato a nada”, desconversou ele.