terça-feira, fevereiro 03, 2026

Falta d’água em Jeremoabo: um escândalo que atravessa décadas

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Jrnoticias (Junior de Santinha ) (@jrnoticias.com.br)

Falta d’água em Jeremoabo: um escândalo que atravessa décadas

O problema da falta d’água em Jeremoabo deixou de ser eventual há muito tempo. Tornou-se patológico, crônico e, para muitos moradores, simplesmente surreal. Décadas se passam, gestões vão e vêm, discursos são repetidos, promessas são feitas — e a água continua faltando nas torneiras do contribuinte, que paga a conta em dia e permanece sem saber a quem apelar.

Não se trata de um episódio isolado. O desabastecimento é recorrente. Coincidentemente — ou não — em períodos festivos como Natal, São João, Carnaval e outras datas de grande movimentação, o líquido precioso desaparece. A população se prepara para receber familiares, movimentar o comércio, celebrar tradições, e o que recebe em troca é torneira seca.

É inadmissível que, em pleno século XXI, uma cidade inteira viva sob a insegurança hídrica constante. Mais grave ainda é o relato frequente de cobranças mantidas mesmo durante períodos de interrupção no fornecimento. O consumidor paga por um serviço que muitas vezes não recebe de forma regular e contínua, contrariando princípios básicos da prestação adequada de serviço público.

A falta de água não é apenas um desconforto doméstico. É um problema de saúde pública, de dignidade humana e de desenvolvimento econômico. Sem água, escolas sofrem, postos de saúde enfrentam dificuldades, comerciantes acumulam prejuízos e famílias precisam recorrer a baldes, carros-pipa particulares e improvisos humilhantes.

Enquanto isso, a sensação predominante é de omissão institucional. As autoridades responsáveis parecem surdas às reclamações, cegas à realidade cotidiana da população e acomodadas diante de um problema que se arrasta há décadas. A normalização da escassez é talvez o aspecto mais grave: a sociedade começa a aceitar como rotina aquilo que deveria ser tratado como emergência.

É preciso deixar claro: o cidadão não está desamparado juridicamente. Existem canais formais de denúncia e cobrança de providências:

  • Ouvidoria Geral do Estado (OGE): www.ouvidoria.ba.gov.br ou 0800 284 0011

  • Ouvidoria da AGERSA (Agência Reguladora): 0800 075 3226 — especialmente quando já houve reclamação à Embasa sem solução.

  • Procon-BA: para defesa dos direitos do consumidor.

  • Ministério Público da Bahia (MPBA): que pode instaurar procedimentos para apurar falhas sistemáticas na prestação do serviço.

A população precisa registrar protocolos, guardar comprovantes, formalizar queixas. Reclamação informal não gera obrigação institucional; denúncia formal gera procedimento.

Jeremoabo não pode continuar refém de explicações genéricas, promessas sazonais e justificativas repetidas. Água não é favor, não é concessão graciosa, não é privilégio — é serviço essencial e direito básico.

Se o problema é estrutural, que se apresentem planos estruturais. Se há limitação hídrica, que se mostrem investimentos. Se há falhas operacionais, que se assumam responsabilidades e prazos concretos.

O que não é aceitável é o silêncio diante da torneira seca.

A paciência do contribuinte não pode ser eterna. Décadas de desabastecimento não são falha pontual — são sinal de gestão que precisa ser cobrada com firmeza, responsabilidade e instrumentos legais. Porque enquanto o poder público hesita, quem sofre é sempre o mesmo: o cidadão comum, que paga, espera e continua sem água.