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Perícia afirma que o quadro clínico de Bolsonaro é estável
Camila Turtelli
O Globo
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que o laudo médico elaborado por peritos da Polícia Federal não conclui, “de forma expressa”, pela permanência do ex-presidente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo da Papuda, conhecido como Papudinha, mas aponta a necessidade de acompanhamento médico rigoroso diante do seu estado de saúde.
No documento, a perícia da PF afirma que o quadro clínico de Bolsonaro é estável e que, no momento da avaliação, não havia indicação de encaminhamento de urgência nem de transferência para hospital penitenciário, desde que sejam mantidas as condições atuais de acompanhamento médico e assistência à saúde.
LAUDO – O documento foi produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística e encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes havia pedido o laudo para a PF para analisar um pedido da defesa sobre eventual concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente.
A perícia descreve que o ex-presidente apresenta multimorbidades — com doenças cardiovasculares, respiratórias, gastrointestinais, metabólicas e neurológicas — além de histórico de cirurgias abdominais extensas. Apesar disso, os peritos afirmam que as condições estão sob controle clínico e não configuram incompatibilidade, por si só, com o ambiente prisional. Bolsonaro faz uso contínuo de medicamentos, utiliza aparelho de CPAP durante o sono e requer monitoramento regular, cuidados que, segundo os médicos, podem ser realizados fora do ambiente hospitalar.
CONDIÇÕES APROPRIADAS – Os peritos também avaliaram as instalações da unidade prisional e indicaram que o local dispõe de espaço individual, barras de apoio, botão de emergência e acesso a atendimento médico, com previsão de acionamento do Samu e eventual remoção hospitalar em caso de intercorrência.
Após a divulgação do laudo, a defesa de Bolsonaro divulgou comunicado para afirmar que que a análise técnica não está concluída e depende de parecer do médico indicado como assistente técnico, que deverá avaliar a compatibilidade entre o estado de saúde do ex-presidente e o regime fechado que ele cumpre na Papudinha. Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.