quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Ciro Nogueira silencia críticas a Lula e firma pacto de não agressão com o Planalto


Ciro fez mais de 90 postagens contra Lula em 2025

Rafaela Gama
O Globo

Presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) fez ao longo do ano de 2025 mais de 90 publicações críticas ao Planalto, mas, desde novembro, cessou os ataques no Instagram. A mudança no comportamento on-line faz parte de uma espécie de “pacto de não agressão” firmado entre ele e o petista, conforme mostrou o colunista do O Globo Lauro Jardim. Interessado em disputar a reeleição ao Senado sem maiores resistências da ala governista em seu estado, o parlamentar também tem sido procurado pelo PT para uma reaproximação da federação União Progressista ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Levantamento do O Globo identificou que, no ano passado, o presidente do PP fez ao menos 94 publicações no Instagram com críticas diretas e indiretas a petistas. A última postagem do parlamentar com ataques ao governo Lula foi em 18 de novembro, quando escreveu que “a conta do governo estava no vermelho”.

REPARAÇÃO – Desde então, tanto ele quanto seu partido têm buscado uma reparação na relação com o Planalto, que tende a se beneficiar caso a sigla decida se manter neutra e não apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o assunto teria sido discutido durante uma reunião entre o mandatário e o senador no dia 22 de dezembro, que também teve como pano de fundo a discussão sobre a reeleição de Nogueira pelo Piauí.

Ao longo de 2025, no entanto, o senador abordou temas que mexeram com a popularidade do governo, como a crise dos descontos fraudulentos do INSS. “A esquerda está desesperada com o escândalo indefensável com o roubo dos aposentados, já escalou seu gabinete de ódio para atacar a oposição”, escreveu em uma publicação feita no X e replicada no Instagram. “PT, apoie a CPMI, sua matilha vai latir de pânico”, acrescentou.

Nogueira também subiu o tom contra propostas do governo que previam acréscimos na tributação, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), derrubado pelo Congresso em maio. À época, perfis de esquerda passaram a compartilhar publicações que davam ao Legislativo a alcunha de “inimigo do povo” e propagavam a campanha do governo sobre “ricos contra pobres”. A mobilização culminou na aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil no final do ano.

IMPOSTOS E GASTOS – Em resposta, Nogueira compartilhou um vídeo, também postado no perfil da federação União Progressista, em que utilizava a mesma estética de inteligência artificial usada em uma publicação petista sobre o assunto, mas mostrava sacos rotulados como “impostos” e “gastos” do Executivo esmagando os trabalhadores. “Pensando bem, o povo não aguenta mais carregar o peso de um governo com quase 40 ministérios e que aumentou as despesas não para nós, mas para eles, a companheirada”, diz a narração do vídeo.

O tema também apareceu em outras postagens no perfil do senador, como um carrossel ilustrado com as imagens de Lula e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com uma lista de “4 coisas que o governo deveria olhar antes de aumentar o imposto para você”, entre elas “o tamanho da máquina”. O senador também foi crítico à resposta do governo ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

IRONIA – “Soberania só vale quando interessa ao Lula”, disse em um vídeo no qual mostrava uma foto do petista junto da ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre em prisão domiciliar após ser condenada por corrupção. Nogueira também usou as redes sociais para ironizar programas da gestão federal como o “Fome Zero”.

Mesmo evitando críticas ao governo desde novembro, o senador mantém fixado em seu perfil um vídeo no qual voltou a acusar o governo de ter “acionado o gabinete de ódio” contra ele, após investigações da Polícia Federal (PF) sobre um esquema bilionário de fraude fiscal e de lavagem de dinheiro no setor de combustível comandado pelo PCC. Neste período, a PF também avançou sobre o caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, com quem Nogueira nutria relação de amizade.