segunda-feira, fevereiro 02, 2026

A água não será privilégio de quem tem influência — será direito de todos.

 

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Por  José Montalvão

Em Jeremoabo, todos conhecem o prefeito Tista de Deda. E sabem, acima de qualquer disputa política, que ele não é homem de perseguição — muito menos quando se trata de algo tão essencial quanto água para beber. Água não se nega a ninguém. Água não é instrumento de pressão. Água é vida.

A situação atual do abastecimento, especialmente na zona rural, se agravou após a perda do convênio com os carros-pipa do Exército na gestão anterior, resultado de inoperância e omissão administrativa. Quando um convênio dessa natureza é perdido, quem sofre não é o gestor — é o povo. E reconstruir essa estrutura emergencial não acontece da noite para o dia.

Diante dessa realidade, preocupado com o sofrimento das comunidades, o prefeito Tista de Deda, por meio da Secretaria de Infraestrutura, estabeleceu um calendário rigoroso de abastecimento. O secretário Marcelo, que nasceu e se criou no sertão e conhece de perto o drama da falta d’água, assumiu a responsabilidade de organizar um cronograma democrático e transparente.

A regra é clara: haverá planejamento, ordem e justiça na distribuição. Qualquer morador ou vereador, independentemente de lado político, poderá informar localidades que estejam sem água. Não será preciso ir à prefeitura se humilhar, nem mandar intermediários, amigos ou políticos para “cortar fila”. A água não será privilégio de quem tem influência — será direito de todos.

Nos últimos 15 dias, a prioridade foi a região de Monte Alegre e Santana. Já foram feitas seis relações de atendimento, estando atualmente na segunda etapa desta nova programação.

Entre as regiões atendidas ou contempladas no planejamento estão:

  • Região Monte Alegre, Raso do Araticum, Calácio, Caiçara e Caracol – aproximadamente 300 famílias

  • Região Coronel e Pau de Colher – cerca de 80 famílias

  • Região Espinheiro – 60 famílias

  • Região Pedra de Dentro e Farofinha – 90 famílias

Além do abastecimento emergencial, há quatro obras de sistemas de abastecimento em andamento, que ao final beneficiarão mais de 500 famílias. Isso demonstra que não se trata apenas de apagar incêndios, mas de construir soluções permanentes.

O prefeito Tista de Deda é sabedor de que água não é favor político, é direito fundamental. Quando falta água, falta dignidade, saúde e respeito. Por isso, toda reclamação deve ser ouvida com seriedade — mas também analisada com responsabilidade e honestidade.

Existe diferença entre crítica legítima e discurso inflamado. Generalizar e transformar um problema estrutural histórico em acusação pessoal pode render manchetes, mas não leva água à torneira de ninguém.

Rádio e redes sociais cumprem seu papel ao ecoar o clamor popular. Contudo, quem resolve é o poder público — municipal, estadual e, em algumas localidades, a própria EMBASA. A responsabilidade pelo abastecimento não é exclusiva do prefeito; envolve uma rede de competências e parcerias.

É preciso lembrar que o problema da água na zona rural de Jeremoabo não começou agora. Durante anos foi denunciado por lideranças como o vereador Neguinho de Lié, sem que houvesse solução estrutural. O atual governo herdou uma situação crônica, agravada por estiagens sucessivas e ausência de investimentos consistentes no passado.

Isso significa que não há problema? De forma alguma. O problema existe e é grave. Mas sistemas de abastecimento rural exigem projetos técnicos, perfuração de poços, sistemas de bombeamento, extensão de rede, energia adequada e recursos financeiros elevados. Não se resolve com discurso nem com decreto.

Prefeitos de diversos municípios baianos têm buscado recursos em Salvador, na Embasa e junto ao Governo do Estado para viabilizar investimentos. A ampliação da rede de abastecimento no semiárido exige cooperação entre as esferas municipal e estadual. Essa é a realidade administrativa.

Também é fundamental o papel das associações comunitárias, que devem formalizar demandas junto à Secretaria de Infraestrutura e acompanhar as providências. Gestão pública eficiente se constrói com organização e participação, não apenas com denúncia.

É preciso separar três pontos fundamentais:

A dor legítima de quem está sem água.
A responsabilidade técnica e administrativa para resolver.
A exploração política de um problema histórico.

Se houver falha no atendimento emergencial, que seja corrigida. Se houver localidade ultrapassando o prazo estabelecido, que seja identificada e atendida com urgência. O próprio planejamento estabelece que o intervalo não pode ultrapassar dez dias.

A população não quer disputa política. Quer água na torneira.

A partir de hoje, o secretário Marcelo está oficialmente à frente desse planejamento com o aval direto do prefeito. O compromisso é claro: organização, transparência e prioridade para quem mais precisa.

Porque no sertão se aprende cedo: água não é bandeira partidária. É sobrevivência.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025