Os sinais de piora do clima estão por todos os lados. Enquanto os Estados Unidos passam por uma nevasca histórica (o que também pode ser um cenário piorado pelas mudanças climáticas), a Austrália, nesta semana, em meio a uma onda de calor, registrou temperaturas próximas a 50°C.
Um estudo publicado na revista Nature Sustainability estimou que em apenas 25 anos, se o aquecimento do planeta superar 2 °C em relação aos níveis pré-industriais, quase metade da população mundial deverá viver em condições de calor extremo. Em 2010, cerca de 1,5 bilhão (23% da população) viviam nessas condições. Em 2050, poderão ser quase 4 bilhões (41%). A temperatura média do planeta já está, virtualmente, 1,5 °C mais quente.
É neste contexto conturbado que o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, presidente da COP30 – que segue à frente das negociações climáticas internacionais até o início da COP31, em novembro –, fez um apelo nesta semana por uma nova forma de encarar o multilateralismo climático. Por um modelo que traga uma nova “velocidade institucional”.
Em mais uma carta dirigida à comunidade internacional, Lago ressalta que “a urgência climática não esperará até que as condições políticas e socioeconômicas se tornem ideais” e propõe que “para acompanhar o ritmo do aquecimento global, o multilateralismo precisa aprender a operar em mais de uma velocidade institucional — para passar a um multilateralismo em dois níveis”.
Lago se refere aos limites cada vez mais evidentes da necessidade de se definir a ação climática global por meio de consenso entre todos os países. Esse é o modelo de multilateralismo que vigora nas conferências do clima da ONU. A proposta é que se pense com mais afinco num segundo nível, mais focado na ação.