em 16 jul, 2025 4:11
Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.
De vez em quando, o Brasil é obrigado a parar para ouvir as sandices de algum figurante da política que, na ânsia de lacrar com meia dúzia de seguidores ressentidos, decide atacar o povo nordestino. Dessa vez, o nome da vez é Arthur do Val — também conhecido como Mamãe Falei —, aquele que já caiu em desgraça nacional por atitudes abjetas e misóginas, e que agora tenta ressuscitar a carreira vomitando preconceito.
Pois bem, o cidadão resolveu chamar o povo nordestino de “burro” por conta de emendas destinadas a eventos culturais como shows e festas, citando nominalmente Wesley Safadão, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, e o deputado Thiago de Joaldo. E aí é que está: uma coisa é discutir o uso de verba pública com seriedade; outra, muito diferente, é pegar esse debate e transformar em palanque para xenofobia barata. Isso sim é burrice — e das grandes.
Vamos por partes. É possível, sim, destinar recursos para atividades culturais, festas populares, tradições regionais. Ou alguém acha que o Carnaval do Rio de Janeiro se monta com troco de padaria? Que os rodeios de Barretos se sustentam com aplauso? Que as festas juninas e o São João, tão enraizados na identidade nordestina, não têm valor econômico e social? Cultura também é economia. Gera emprego, movimenta comércio, turismo, traz renda pra muita gente. Desprezar isso é ignorância ou má-fé — ou os dois juntos, o que é bem provável no caso desse cidadão.
O problema não está em destinar verba para cultura. O problema está no mau uso de emendas, e isso vale tanto para um show de forró em Sergipe quanto para um camarote VIP em São Paulo. Não é o forró o vilão, nem o sertanejo, nem o frevo ou o maracatu. O vilão é o desvio, a esperteza com o chapéu alheio, o favorecimento indevido. Mas isso acontece em todo o Brasil, do Oiapoque ao Chuí. Que não venha ele jogar toda essa conta no colo do Nordeste.
Aliás, seria ótimo que Arthur do Val tivesse a decência — e a coragem — de aplicar os mesmos adjetivos ao povo de São Paulo, onde ele tenta ser relevante. Ou aos deputados e senadores paulistas que também destinam emendas a eventos culturais. Mas aí ele silencia. Fica manso. Aqui no Nordeste, ele não tem base — nem moral. Mas lá, no reduto onde o preconceito se disfarça de superioridade, talvez ainda encontre quem ache graça de sua fala rasteira.
E olha que ironia: vem ele, de São Paulo, falar em segurança e gestão, como se esquecesse que o Estado mais rico do país vive hoje acuado por uma facção criminosa que domina presídios, bairros, empreiteiras, transporte público e até parte do poder político. São Paulo, governado há décadas pela direita que ele tanto ama, está ajoelhado diante do crime organizado — e não é no São João, é no cotidiano.
Arthur do Val é um idiota útil, a serviço da desinformação e da divisão do país. Um falastrão, que parece ter aprendido com Olavo de Carvalho, mas desaprendeu a ser gente. Cassado, desmoralizado, vive tentando se reinventar com o que há de mais baixo: o preconceito.
E talvez, diante da Justiça, tenha que baixar a crista e se retratar, como quem já levou pisa e agora vem de cabeça baixa, pedindo arrego. Seria bom. Seria justo. Porque o que ele disse é não só falso, como criminoso. E por aqui, no Nordeste, a gente até perdoa… mas antes dá o troco. Como se diz por aqui em bom palavreado nordestino: respeite o povo, seu cabra safado, fio da mulesta, fio do canso!
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