A decisão do Congresso Nacional, tomada de última hora, de sustar os efeitos dos decretos presidenciais que aumentaram o IOF foi um recado direto ao Planalto. Com 383 votos na Câmara e confirmação imediata no Senado, o movimento deixou claro que medidas com impacto econômico direto, tomadas sem articulação política mínima, enfrentam resistência crescente no Parlamento.
A votação pegou até os próprios deputados de surpresa. Na semana passada, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia sinalizado que o PDL não entraria em pauta antes de 20 dias, dando margem para o governo apresentar uma alternativa. Porém, na noite de segunda-feira, 24, convocou sessão extraordinária e incluiu o projeto. Foi a primeira demonstração de força da Câmara sob sua condução — e um gesto calculado.
A insatisfação não veio apenas do conteúdo dos decretos, mas do modo como foram impostos. Desde 22 de maio, o governo publicou três atos consecutivos alterando o IOF, em um processo visto por líderes como apressado e desarticulado. A proposta inicial previa arrecadar R$ 61 bilhões em dois anos, incidindo sobre crédito, câmbio, seguros e operações com valores mobiliários. A reação do setor produtivo foi imediata — e acompanhada por críticas da base aliada.