segunda-feira, fevereiro 12, 2024

Tubarões do golpe devem ter penas mais graves que as dadas à horda de bagrinhos

Publicado em 12 de fevereiro de 2024 por Tribuna da Internet

Decisão de Moraes que autoriza operação contra Bolsonaro e aliados traz  três vezes a palavra "corno"

Moraes exagerou na pena dos bagrinhos e terá difículdades

 

Dora Kramer
Folha

Era questão de tempo. Pela dimensão do caso, não demorou. Levou um ano e um mês até que a Polícia Federal batesse às portas dos tubarões envolvidos na conspiração golpista, cujo ápice deu-se de maneira atabalhoada no dia 8 de janeiro de 2023.

Vemos uma resposta a quem reclamava que as investigações, processos e condenações alcançavam apenas os peixes pequenos executores da depredação nas sedes dos três Poderes, destinada a provocar a conturbação da ordem e daí a ruptura institucional.

DEMOLIÇÃO – A casa de Jair Bolsonaro e seus companheiros civis e militares da urdidura criminosa aproxima-se da demolição. Diante do exposto na justificativa da operação de buscas, apreensões e prisões da cúpula então governista da sedição, não resta dúvida sobre o destino dos investigados. Serão condenados e a penas maiores que as imputadas à massa de manobra dos bagres ensandecidos.

O que houve está sendo muito bem contado, não foram conjecturas ou meras conversas sobre hipóteses bravateiras. Havia um presidente da República em estado de sublevação empenhado em colocar o governo a serviço de um golpe em andamento.

As ações estavam em marcha. Na luz e na sombra. Durante o mandato de Bolsonaro foram inúmeras e reiteradas as manifestações públicas ofensivas ao Estado de Direito feitas por ele, ministros, assessores e políticos afinados.

ROTEIRO DA INFÂMIA – Enquanto isso, nos gabinetes montava-se o roteiro da infâmia.

O planejamento de um golpe é de gravidade extrema e requer punição. Até porque quando é de fato executado não há essa oportunidade. Os golpistas assumem o poder, e os legalistas vão para a prisão. Já vimos esse filme, que completa seis décadas neste ano.

Sem a inevitável condenação dos conspiradores, a obra da resistência não estaria completa. Não poderíamos dizer que as instituições estão firmes e fortes e cuja plenitude nos permite conhecer a história do motim antidemocrático que não foi, mas poderia ter sido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Moraes deveria ter pensado nisso antes de dar pena máxima (21 anos) a quem participou ou apenas assistiu aos atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes. Agora ficou muito difícil aumentar a pena, como sugere Dora Kramer. Depois, voltaremos a esse assunto, que é importantíssimo. (C.N.)