
Dino queria punir todo mundo, mas agora mudou de ideia
Thalys Alcântara
Metrópoles
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, defendeu que as Forças Armadas podem ter recebido orientações erradas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração de Dino foi dada após reunião com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, na tarde desta quarta-feira (23/8), em Brasília (DF).
“Nós temos que lembrar também que, constitucionalmente, o comandante e chefe das Forças Armadas é o presidente da República, comandante supremo das Forças Armadas. Talvez o comandante supremo da época, o ex-presidente da República, não tenha dado ordens corretas. E isso pode ter gerado que alguns membros das Forças Armadas tenham eventualmente cometido erros ou até crimes”, defendeu Dino.
CRISE AVANÇA – Essa reunião entre Múcio e Dino acontece no contexto da crise do governo Lula com parte dos militares, acentuada com as investigações da Polícia Federal (PF) contra militares no caso das joias de Bolsonaro e nos atos golpistas de 8 de janeiro. Segundo Dino, a reunião foi boa e com um clima bom.
Na semana passada, o ministro da Defesa enviou um ofício para a PF pedindo detalhes sobre os militares investigados por suspeita de terem se reunido com o hacker Walter Delgatti, dentro do órgão, para planejar ações que contestavam as eleições. Mas a PF negou atendimento à solicitação.
Mais cedo, ainda nesta quarta, Dino usou suas redes sociais para declarar a importância das instituições militares. “As instituições militares são permanentes, essenciais e estão acima de eventuais crimes de alguns”, escreveu.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em tradução simultânea, José Múcio foi se queixar a Dino que a Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, não atendeu à solicitação para liberar o depoimento do hacker Delgatii sobre suas reuniões com militares. No texto, o delegado Luiz Eduardo Navajas Telles Pereira diz que o inquérito que investiga a ida de Delgatti está sob sigilo no Supremo. E por isso Múcio decidiu recorrer direto ao STF (leia-se: ao ministro Alexandre de Moraes. (C.N.)