Publicado em 21 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Projeto de exploração de petróleo confroutou-se com o veto total do Ibama
Pedro do Coutto
Novamente, através do tempo, um confronto entre um projeto econômico e a defesa do meio ambiente ocorre envolvendo o governo Lula da Silva. O primeiro conflito foi em 2003, entre a então ministra Dilma Rousseff, de Minas e Energia, e a ministra Marina Silva, no Meio Ambiente.
A discordância envolvia a construção da hidrelétrica de Santo Antônio, de Furnas, em Rondônia, e a de Belo Monte, no Pará. O tempo mostrou que Marina Silva tinha razão. A hidrelétrica de Santo Antônio foi um desastre completo; não apresentou produção compatível com o investimento, não completou linhas de transmissão e ficou com uma dívida muito alta. Mas isso é passado.
VETO – Agora, o ministro Alexandre Silveira e o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, realizaram um projeto de exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas e encontraram pela frente o veto total do Ibama que sustenta que seria uma agressão ao meio ambiente.
De forma surpreendente, Silveira e Prates mandaram instalar sondas no local, antecipando-se à licença do Meio Ambiente. Foi uma precipitação. Reportagem no O Globo, de Jeniffer Gularte, Manoel Ventura, Bruno Rosa, Camila Turtelli, Eduardo Gonçalves, Lauriberto Pompeu e Henrique Gomes Batista, focaliza amplamente o episódio, mais uma envolvendo o investimento público e a defesa do meio ambiente contra a poluição e o desmatamento.
A mim parece que o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras se precipitaram. Talvez movidos pela dimensão do projeto e da aquisição de equipamentos, cuja venda é de grande interesse, como sempre, dos fabricantes. Interesse também de parte dos que o adquirem.
REFLEXOS – O presidente Lula enfrenta assim um problema que terá que decidir e acredito que ele decida em favor do meio ambiente, de acordo com Marina Silva, pois caso contrário a decisão refletirá internacionalmente, recaindo sobre o problema do aquecimento global, do desmatamento e da poluição. Mas é possível que ele ouça as partes e adie a sua decisão. De qualquer forma, não poderá ser contrária à decisão de Marina Silva.
Sobre o assunto, acentuando inclusive a precipitação do Ministério de Minas e Energia e da Petrobras, Denise Luna, em reportagem na edição de ontem do Estado de S. Paulo, entrevista Jean Paul Prates que reconhecendo tacitamente a precipitação, diz que mandou retirar as sondas da foz do Amazonas.
Sentindo antecipadamente a derrota, ele afirmou a Denise Luna que é uma chance de ouro que se perde em matéria de produção petrolífera. Mas a precipitação destaca um ângulo surpreendente da história. Deixou clara a pressa tanto do Ministério de Minas e Energia quanto da Petrobras. O natural seria aguardar a concessão da licença para então instalar as sondas.
DEPOIMENTO – O depoimento de Gabriela Cid, esposa do tenente-coronel Mauro Cid, na sexta-feira à Polícia Federal, reportagem de Mariana Holanda e Matheus Teixeira, Folha de S. Paulo, e de Paola Serra, O Globo, edições deste sábado, deixou o marido em situação ainda pior daquela em que se encontrava na medida em que admitiu o uso de um certificado falso de vacinação para viajar para os Estados Unidos.
Gabriela Cid acrescentou que não sabia da operação realizada pelo seu marido na cidade de Caxias, na Baixada Fluminense, para produzir atestado falso de vacinação. Frisou não ter conhecimento do assunto, mas que a emissão de um atestado em seu nome só pode ter sido feito pelo tenente-coronel Mauro Cid.
CONTRADIÇÃO – Assim, tanto a situação de Mauro Cid quanto a de Bolsonaro se complicaram definitivamente. Sobretudo porque Bolsonaro sempre se afirmou e fez campanha contra a vacinação para Covid 19, mas aceitou usar um certificado falso de vacinação para permanecer na cidade de Orlando nos Estados Unidos e poder retornar sem problema ao Brasil.
Como chegou a Orlando dois dias antes do final do seu mandato, ele teria direito às prerrogativas de chefe de Estado que exclui a vacinação prévia. Mas ele tinha dúvida sobre a permanência de mais de um mês em Orlando, onde se encontrou com o ex-ministro Anderson Torres. Em dúvida também estava quanto ao seu embarque para o Brasil em 30 de março. Diante do que afirmou Gabriela Cid, o tenente-coronel não tem o que dizer, ficando limitado a confirmar o depoimento de sua mulher à PF.
AGRONEGÓCIO – Numa entrevista a Luísa Marzullo, O Globo, o deputado Ricardo Salles afirmou que Lula quer se vingar do agronegócio pelo fato de parte do setor ter apoiado a candidatura de Bolsonaro. Não faz sentido. Em primeiro lugar, política não se faz com vingança.
E , depois, logicamente, a tentativa de Lula é a de reverter a posição dos dirigentes da produção agrícola, cujas exportações têm grande importância para a economia e das finanças brasileiras. O ex-ministro do Meio Ambiente está errado.