Publicado em 23 de março de 2023 por Tribuna da Internet

PCC faz o possível e o impossível para dar fuga a Marcola
Deu em O Globo
Um dia depois da Operação Sequaz, em que a Polícia Federal prendeu nove suspeitos de planejarem ataques contra diversas autoridades, entra elas o senador Sergio Moro (União-PR), alguns detalhes das estratégias elaboradas pelos criminosos já vieram à tona.
Sabe-se, por exemplo, que as investigações apontaram que a ofensiva contra o ex-juiz teria sido motivada por medidas capitaneadas por ele enquanto esteve à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro.
No entanto, uma série de lacunas ainda precisam ser preenchidas. Entre as perguntas sem respostas, estão a eventual existência de outros possíveis alvos ou de suspeitos não localizados pelas autoridades. Veja, a seguir, alguns desses pontos pendentes de esclarecimentos.
QUAIS SÃO AS AUTORIDADES? – Entre os principais nomes que a ação criminosa mirava estavam os do senador Sergio Moro e do promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gakiya. Ambos foram responsáveis por transferências de chefes de facções como Marcos Camacho, o Marcola, para presídios federais. Eram chamados de ‘Codinome Tóquio’ e ‘Frango Japonês.
Porém, ainda não foram divulgadas outras autoridades que também estariam sob ameaça. De acordo com a PF, a facção planejava realizar ataques contra servidores e agentes públicos em cinco estados: Rondônia, Paraná, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
PREPARAÇÃO PARA OS CRIMES? – Ainda não está claro o quão avançados os criminosos estavam no planejamento para de fato cometerem os ataques. O certo é que bandidos alugaram imóveis próximos a endereços de Sergio Moro e se revezavam no monitoramento dele e de sua família, em Curitiba, no Paraná. Eles chegaram a cogitar, inclusive, a possibilidade de sequestrá-lo para negociar a liberação de Marcos Camacho, o Marcola, apontado como chefe da facção.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, revelou também que, ao realizar a operação, a PF identificou que a organização criminosa tinha estruturas parecidas com bunkers, construídos em casas. Os espaços ficavam escondidos atrás de paredes falsas.
O GRUPO FOI DESMANTELADO? – Ao todo, foram expedidos pela PF 24 mandados de busca e apreensão, sete mandados de prisão preventiva e quatro mandados de prisão temporária contra suspeitos e endereços situados em Rondônia, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Nove pessoas já foram presas e duas continuam foragidas.
Porém, ainda não está claro se os desdobramentos da investigação podem atingir outros braços da facção criminosa. Ao Jornal Nacional, Gakiya afirmou que a operação continua para achar outros envolvidos. Entre os presos até o momento, há integrantes da cúpula da maior facção criminosa do país que têm anotações por furto, roubo, tráfico de drogas e até sequestro e cárcere privado.
QUAIS MEDIDAS SERÃO TOMADAS? – Na tarde desta quarta-feira, após a revelação do plano criminoso, Sergio Moro fez um pronunciamento no Senado e apresentou como reação um projeto que prevê a criminalização do planejamento de atentados contra autoridades envolvidas no combate ao crime organizado. Ele disse que espera contar com apoio suprapartidário à sua proposta.
A base do governo Lula não se posicionou sobre o projeto de Moro e ainda não se sabe se a proposta será priorizada no Congresso Nacional. O governo federal também não anunciou se irá tomar novas medidas, para além de garantir a sequência das investigações da Polícia Federal.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A que ponto chegamos. Protegemos tanto a corrupção e garantimos tanto a impunidades de políticos, empresários, autoridades e juízes que estamos reféns dos bandidos. E quem tenta combater o crime é tido como espião da CIA, e há quem acredite nisso. A meu ver, Moro só cometeu um grande erro — aceitou o convite de Bolsonaro para ser ministro. Foi boicotado pelo próprio governo e seu pacote anticorrupção virou uma série de leis pró-corrupção. Se tivesse continuado na 13ª Vara, seria um candidato fortíssimo à Presidência. (C.N.)