sexta-feira, julho 29, 2022

Lula vence Bolsonaro entre os jovens por 51% a 20%; entre as mulheres, 58% a 16%

Publicado em 29 de julho de 2022 por Tribuna da Internet

Lula deverá subir ainda mais nas pesquisas entre os jovens

Pedro do Coutto

Esses números sobre a preferência do eleitorado jovem de 16 a 29 anos de idade são de pesquisa do Datafolha concluída na última terça-feira e divulgada  na noite de quarta-feira pela GloboNews e pela TV Globo, comentada por Igor Gielow, na edição desta quinta-feira da Folha de S. Paulo. A pesquisa baseou-se em 12 capitais, mas que apresentam uma grande densidade de votos.

São as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia, Brasília, Manaus e Belém. A importância maior da pesquisa, na minha opinião, é que ela reflete uma dose de entusiasmo que não esteve presente há quatro anos e da mesma forma que nas últimas eleições presidenciais. O número relativo aos que pretendem anular o voto, votar em branco ou indecisos é de apenas 11%.

INSCRIÇÕES ESPONTÂNEAS – A pesquisa reflete também o voto de uma ponderável parcela de eleitores e eleitoras que não são obrigados por lei a votar. Portanto, o número de inscrições nas zonas eleitorais é espontânea, diferentemente do que faixas de votos comandadas por áreas de influência tanto do governo, quanto de senadores, deputados federais e governadores.

Por outro lado, me leva à certeza de que Lula ainda subirá mais nas pesquisas na medida em que mais jovens se inscreverem para votar. Não há como negar essa tendência consignada no levantamento. Além disso, há também uma tendência das classes de renda menor decidirem mais próximo das eleições em quem votar. As classes médias e ricas decidem mais rapidamente. Esse é o quadro atual de uma fração que, segundo revela o Datafolha, abrange 15% do eleitorado brasileiro nas capitais citadas que deram base à pesquisa.

Ciro Gomes aparece em terceiro, posição que se repete, e os demais candidatos não pontuaram de maneira representativa. Alguns casos servem inclusive para colocar em confronto a influência das redes sociais e a tendência geral no país. André Janones, por exemplo, aparece bem nas redes sociais. Mas, o índice que alcança nas intenções de voto é de apenas 2%. O cenário parece consolidado, a não ser que ocorra algo imprevisível.

FEBRABAN –  Reportagem de Douglas Gavras, Folha de S. Paulo, desta quinta-feira, destaca que a Federação Brasileira de Bancos, em comunicado divulgado à imprensa no final da tarde de quarta-feira, informou que apoia e assinará o manifesto da sociedade civil em defesa da democracia no país.

Diz textualmente a nota da Febraban: “A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), no âmbito de sua governança interna, por maioria, deliberou por subscrever documento encaminhado à entidade pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), intitulado ‘Em Defesa da Democracia e da Justiça”’. A manifestação está marcada para o dia 11 de agosto, no Largo São Francisco, em São Paulo.

VOTOS VENCIDOS – A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil foram os únicos votos vencidos, preferindo não endossar o manifesto e participar da manifestação. São dois bancos federais e, portanto, deixaram tacitamente explícita a posição do governo Bolsonaro contra o documento em defesa da democracia.

Com a sua atitude o BB e a CEF não só isolaram o governo no plano da Federação dos Bancos, como também deixaram aparente que pelo menos pensam, em matéria de democracia, não ser a defesa do Estado de Direito a maior preocupação do presidente Jair Bolsonaro, pois, caso contrário, teriam colocado suas assinaturas no manifesto a ser lido no dia 11 de agosto.

“CARTINHA” – Marianna Holanda, Matheus Teixeira e Ranier Bragon, Folha de S. Paulo, revelam que o presidente Jair Bolsonaro afirmou no final da tarde de quarta-feira, que não precisa de “cartinha” para dizer que defende a democracia.  O diminutivo acentua a intenção de minimizar o efeito do documento, o que sintetiza uma contradição por parte daquele que afirma que também defende a democracia brasileira.

“Vivemos num país democrático, defendemos a democracia, não precisa de nenhuma cartinha para dizer a nossa posição”, afirmou Bolsonaro. A declaração foi feita no encerramento da convenção nacional do PP que se uniu ao PL e oficializou o apoio à sua candidatura à reeleição. Bolsonaro, acrescentou: ” Para dizer que queremos cumprir e respeitar a Constituição, não precisamos de apoio ou sinalização de quem quer que seja para mostrar que o nosso caminho é a democracia, a liberdade, o respeito à Carta Magna do país”.

LIRA E AS URNAS – Jair Bolsonaro foi precedido no discurso pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, que resolveu romper o silêncio e passou a defender o sistema eleitoral brasileiro, portanto, as urnas eletrônicas. Lira disse que a Câmara dos Deputados fala quando é necessário e lembrou ter divulgado vinte mensagens, sempre a favor da democracia e das eleições transparentes. “Confio no sistema eleitoral”, disse.

No evento, Bolsonaro sentou-se ao lado de Arthur Lira e do senador Ciro Nogueira. O PP elaborou uma faixa de grande proporção dizendo que Bolsonaro é o “capitão do povo”. O pronunciamento de Lira em favor das urnas eletrônicas, na minha impressão, não ocorreu por acaso. Algo aconteceu nos bastidores ou nas articulações partidárias que o levaram finalmente a definir-se. Política é assim.

PEDALADA – A economista Juliana Damasceno da Tendências Consultoria, especialista em contas públicas, numa entrevista a João Sorima Neto, O Globo, comparou a decisão de Bolsonaro em antecipar o pagamento de dividendos pela Petrobras e pelo Banco do Brasil e BNDES à pedalada fiscal que acabou derrubando Dilma Rousseff.

“Antecipar dividendos é a conhecida pedalada. É uma prática que tem um caráter contábil duvidoso. O governo está armando uma bomba fiscal para o ano que vem, antecipando receitas. São recursos que vão fazer falta em 2023. Se o novo governo voltar com as alíquotas de tributos renunciados este ano, vamos devolver inflação. E pelo lado fiscal não cabe um Auxílio Brasil de R$ 600 sem que haja comprometimento expressivo das despesas”, afirmou.

A economista falou sobre o impacto sobre a dívida interna, sobretudo porque na antecipação dos dividendos, não está sendo considerado o impacto financeiro da alta de juros da Selic ou da alta do câmbio na dívida interna. Juliana Damasceno acrescentou que cada ponto a mais na Selic significa um acréscimo de R$ 35 bilhões na dívida líquida brasileira.

DÍVIDA INTERNA –  Manoel Ventura, O Globo, destaca informação liberada pelo Tesouro Nacional de que a dívida interna do país atingiu em junho R$ 5,8 trilhões. Recentemente, escrevi que a dívida interna era de R$ 6 trilhões. Fica, portanto, publicada a retificação.

A dívida interna do Brasil subiu 2,5% em junho por conta das emissões líquidas de títulos no mercado no montante de R$ 75,9 bilhões para cumprir os pagamentos de juros do endividamento no montante de R$ 67,3 bilhões. Os juros são decorrentes da incidência da taxa Selic sobre o total de R$ 5,8 trilhões. Por isso que digo sempre que cada ponto a mais na Selic representa um acréscimo de cerca de R$ 60 bilhões.

Os mecanismos de juros e do esforço para serem pagos são uma consequência da incapacidade de resgate dos títulos que lastreiam o endividamento. Esses títulos do Tesouro estão nas mãos dos bancos, dos fundos de investimento e dos fundos das empresas estatais para complementação de aposentadorias, pois o teto do INSS é de R$ 6,6 mil por mês.

TCU E O AUXÍLIO BRASIL  – O Tribunal de Contas da União, de acordo com o que determinou o seu presidente, Bruno Dantas, vai acompanhar o pagamento do Auxilio Brasil, bem como o vale a caminhoneiros e taxistas, para prevenir fraudes e abusos com o dinheiro público, perspectiva portanto de corrupção.

O número de famílias que devem receber o aumento do Auxilio Brasil, quase 20 milhões, cerca de 80 milhões de pessoas, é um processo gigantesco de pagamento levando-se em conta que em número elevado de casos as pessoas às quais o pagamento se destina não possuem conta bancária. Terá assim que ser feito nominalmente pela Caixa Econômica Federal.