sexta-feira, julho 29, 2022

Alemanha é a grande perdedora da guerra na Ucrânia




Lula quer acordo com União Europeia, diz a Reuters

Por Nelson de Sá (foto)

No meio do dia, manchete do alemão Die Welt, “FMI vê mundo à beira da recessão, e Alemanha é maior perdedora”. Logo abaixo, “Alemanha está sofrendo particularmente as consequências de inflação e guerra, e a Rússia, de todos os lugares, está se saindo melhor que o esperado”.

No fim do dia, agora com análise, o enunciado continuou quase o mesmo, “Alemanha se torna a grande perdedora”, mas listando os problemas, como a balança comercial negativa e a esperada “explosão” do abastecimento de energia, diante da nova redução do gás russo.

DOS DOIS LADOS – Apontando “pânico dos dois lados do Atlântico”, a americana CNN noticiou então que Joe Biden enviou às pressas seu coordenador de energia a Paris, para discutir planos de contingência.

“Esse era o nosso maior medo”, falou uma autoridade, sobre o corte de gás que pode “voltar como bumerangue” para os preços nos EUA.

O enviado americano deve cruzar na França com o governante saudita Mohamed bin Salman, que iniciou uma turnê pela Europa e é esperado pelo presidente Emmanuel Macron, segundo o jornal Le Figaro. É o “sinal mais recente de que a pressão global sobre o saudita MbS está cedendo”, observa o Wall Street Journal.

VOLTA DO GÁS – A Alemanha do chanceler Olaf Scholz, de sua parte, já está com o ex-chanceler Gerhard Schröder em Moscou, segundo a Der Spiegel, para “negociações sobre a entrega de gás através do Nord Stream 1”, que poderão incluir um encontro com o presidente Vladimir Putin.

Há uma semana, falando à Bloomberg, o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger criticou a política externa de Biden, Macron e Scholz —sobre estes dois, disse que “não têm o senso de direção e de missão” de antecessores. Agora foi vez do historiador escocês Niall Ferguson, de Harvard.

Falando ao Die Welt, ele critica a “chocante ingenuidade de acreditar que a Ucrânia poderia vencer”. Avalia que os EUA cometeram um “grande erro estratégico” e que “a Rússia só ficará mais forte”.

PIOR DO QUE TRUMP – “Na Europa, as pessoas pensam que Trump é o pior, mas Biden é ainda pior”, diz. “Biden causou muito mais danos à aliança EUA-Europa e Otan do que Trump. E Trump não faria nada disso. Em vez disso, seu governo provavelmente resultaria num acordo comercial com a China.”

“No Brasil, chefe da Defesa de Biden diz que militares devem estar sob controle civil”, no título da Reuters para um dos poucos despachos sobre a presença do secretário americano em Brasília. Foi o recado o que repercutiu, inclusive na América Latina, em veículos como o argentino La Nación.

E Lula “está pronto para reabrir” conversa em torno do acordo comercial “parado” entre União Europeia e Mercosul, noticia a Reuters, ouvindo o ex-chanceler Celso Amorim, que prevê ajustes. A agência cita também uma parlamentar europeia que, chefiando comitiva a Brasília, afirmou que “com Bolsonaro no governo não pode haver acordo, isso é muito claro”.

Folha de São Paulo / Tribuna da Internet