terça-feira, maio 17, 2022

Cláudio Castro apoia Bolsonaro, mas também busca votos de Lula e de Ciro Gomes

Publicado em 17 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Alinhado com Bolsonaro, Castro diz que não vai criticar Lula

Pedro do Coutto

Numa entrevista articulada a Bernardo Mello, Gabriel Sabóia e Thiago Prado, edição de O Globo desta segunda-feira, o governador Cláudio Castro, que luta pela reeleição no Rio de Janeiro, afirmou que está com Bolsonaro, mas não vai criticar Lula e espera votos até de Ciro Gomes.

A entrevista é uma síntese inevitavelmente em grande número de estados nas urnas de 2 de outubro, quando candidatos aos governos vão tentar equilibrar as suas candidaturas às correntes que estão com Lula e as facções que estão com Bolsonaro.

“HARMONIA” – O fenômeno não é novo e decorre das posições que Lula e Bolsonaro mantiverem nas pesquisas eleitorais, especialmente as do Datafolha e do Ipec. Claudio Castro forma uma coligação que tem Bolsonaro como candidato, mas sentindo a forte presença de Lula da Silva na campanha, decidiu harmonizar o seu nome com os eleitores tanto do primeiro colocado nas pesquisas quanto do segundo.

Castro, entretanto, estendeu seu posicionamento e afirmou que “meu papel é pelo Rio de Janeiro, não quero nacionalizar a eleição estadual. Os bolsonaristas, os lulistas e os ciristas  podem esperar alguém que governe com enorme disposição”.

Cláudio Castro, assim, mandou um recado importante sobre a campanha eleitoral no Rio de Janeiro. Ele basicamente está com Bolsonaro, mas os eleitores não devem esperar dele uma oposição hostil a Lula da Silva. Ciro Gomes é menos importante como elo de voto, uma vez que se encontra na terceira colocação nas pesquisas, mas a sua influência não é igual a zero e muitas vezes as eleições são determinadas por pequenas porcentagens.

FHC EXPLODIU TERCEIRA VIA  – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, reportagem de Bruno Soraggi e José Marques, Folha de S. Paulo, pronunciou-se no final da tarde de domingo a favor da candidatura de João Doria à Presidência da República pelo PSDB.

FHC elogiou o comportamento de Doria  e afirmou que os tucanos, entre os quais se inclui, devem respeito às prévias realizadas há dois meses que apontaram Doria bem à frente de Eduardo Leite no PSDB. A crise no partido foi agravada por declarações feitas no final de semana pelo deputado Aécio Neves, que focalizou a crise na legenda, mas foi criticado pelo atual governador Rodrigo Garcia

Com sua declaração de apoio a João Doria, Fernando Henrique explodiu de forma definitiva a terceira via que estava sendo tentada, tanto por Doria quanto por Simone Tebet; esta defendendo uma aliança entre PSDB e MDB a ser referendada pelas duas convenções partidárias.

REFLEXO – Mas o reflexo da declaração de FHC é maior ainda do que anular qualquer  esforço em busca de uma terceira via, que aliás não existe. Fernando Henrique, com isso, contribuiu para a polarização ainda maior entre Lula e Bolsonaro.

Reparem que FHC não se referiu a Ciro Gomes. Portanto, indiretamente, centralizou o seu foco eleitoral nos dois candidatos com mais intenções de votos, de acordo com o Datafolha e o Ipec.

AMEAÇA  –  O presidente Jair Bolsonaro – matéria de Alice Cravo e Dimitrius Dantas, O Globo – afirmou não descartar uma nova troca na Presidência da Petrobras com a saída de José Mauro Ferreira, nomeado há cerca de 30 dias.

Diante da pergunta sobre a situação do presidente da Petrobras, Bolsonaro disse aos jornalistas que dirigissem a pergunta ao ministro Adolfo Sachsida, demonstrando desinteresse quanto à permanência de José Mauro à frente da estatal.

Caso estivesse disposto a mantê-lo no posto, não teria respondido de forma tão efusiva, revelando distanciamento em relação ao problema. Bolsonaro voltou a criticar o valor da gasolina e do diesel, admitindo mudar o Conselho de Administração da Petrobras, embora ele próprio detenha a maioria absoluta do conselho.

CALAMIDADE SOCIAL  –  No plano social, o país efetivamente passa de uma calamidade para outra, não só pelo fato de 50% das cidades não terem sistema de tratamento de esgotos e de 25% da população não receber água potável.

De acordo com o levantamento realizado pelo governo federal, 26% das casas existentes nas favelas brasileiras, não possuem sequer banheiro. Um desastre.

FGTS – Saques atingem 20% do total do FGTS. Geralda Doca, O Globo de ontem, publica reportagem destacando o fato de saques extraordinários liberados pelo governo Bolsonaro terem atingido R$ 123 bilhões, correspondendo a 20% do saldo total.

A medida parece favorável aos trabalhadores e aos servidores das estatais regidos pela CLT. Mas, no fundo, significa uma descapitalização do próprio FGTS e o enfraquecimento do Programa Nacional de Habitação. O FGTS foi instituído em 1965, projeto do ministro Roberto Campos, com a finalidade, conforme escrevi neste site, de assegurar a estabilidade no emprego.

Hoje, porém, o FGTS caminha para uma posição difícil, pensando que significa algo positivo, os trabalhadores recorrem a saques extraordinários. Diminuindo o saldo, diminui também o resultado da incidência dos juros sobre ele.

SALDOS MENORES – No momento das aposentadorias ou dos desligamentos através de demissões incentivadas dos empregos, os trabalhadores vão se deparar com saldos muito menores do que os que seriam atingidos caso não fizessem saques nas suas contas.

Além do mais, o objetivo dos saques, visão do governo, projeto Paulo Guedes, é aquecer a economia, incrementar o comércio e, portanto, a movimentação financeira. Mas a essência do projeto Roberto Campos era outro de muito mais longo alcance.